Fotos de José Carlos D´Almeida

Com sua perspicácia e sensibilidade de ver o que muita gente não consegue enxergar, o fotógrafo José Carlos D´Almeida, filho de Itapetinga, mas conquistense por adoção, é um cronista do tempo através de suas imagens clicadas de suas lentes, numa harmonia entre o obturador e a luz. Ele consegue muito bem preencher os espaços para uma reflexão, num colorido com mais destaques para o preto e o branco.

Ao captar pessoas, objetos, animais, prédios, a natureza e a vida cotidiana na cidade e no campo, suas fotos são reportagens e matérias jornalísticas, mas também delas brotam sentimentos, razão e emoção, como as que estão expostas na entrada do centro comercial Itatiaia, retratando, principalmente, os momentos difíceis de todos nós no período do isolamento social por causa da Covid-19, entre o meado do ano passado e em 2021.

Suas crônicas fotográficas se eternizaram no campo político e social em diversos jornais e revistas regionais, e até no exterior quando D´Almeida, como assim é mais conhecido, esteve por uns tempos em contato com a cultura europeia entre a França, Portugal e a Bélgica. De lá, com sua analógica, não muito sofisticada, trouxe na bagagem um monte de negativos que podem dar grandes exposições.

Conheci D´Almeida com sua máquina na mão produzindo suas crônicas fotográficas logo quando aqui cheguei, em 1991, para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde”, sempre com aquele jeito simples e humilde, sacando do seu alforje uma novidade de mais uma imagem captada pela sua lente, com um olhar diferenciado. Pode também ser considerado de caçador de imagens.

Não é um literato do romance, da história, ensaísta ou ficcionista, mas é um escritor jornalista da fotografia onde suas imagens valem por mil ou mais palavras. A sua exposição no Itatiaia revela isso nas ruas e lugares por onde transitou, quase que desertos por causa da pandemia, mas as fotos registradas por sua máquina têm significado profundo, lírico, expressionista e, às vezes, um melancólico surreal.