Vejo os ambientalistas e as associação dos animais defendendo os cães, gatos, baleias, tartarugas e bichinhos do lar, mas quase nada se fala do nosso jumento, símbolo do Nordeste e servidor do homem do campo por séculos, que está sendo, impiedosamente, extinto, com o aval das autoridades governamentais.

Pelo interior a fora, ele é comprado por até 10 reais e sua carne e o couro exportados por até três mil reais para os chineses. Ele, o jegue, um personagem do Novo Testamento, que tanto ajudou o agricultor por séculos foi substituído pelas motocicletas e agora está sendo maltratado em currais e morto pelos frigoríficos.

O quadro dessa situação foi exposto pela Assembleia Legislativa da Bahia e noticiado na coluna do meu amigo Levi Vasconcelos no jornal A Tarde. O assunto foi discutido em sessão da Comissão do Meio Ambiente, presidida pelo deputado José de Arimatéia, defensor da causa animal.

De acordo com dados apurados, entre 2010 a 2014 foram abatidos mil jumentos na Bahia. Entre 2015 a 2019, o número subiu para 91.145, um crescimento de mais de oito mil por cento. O extermínio está próximo. Está sendo raro encontrar um jumento no sertão, resistente à seca.

A Comissão da Assembleia denunciou que não existe qualquer tipo de fiscalização por parte dos órgãos governamentais, nem mesmo as fazendas de reprodução. Na Bahia, os exterminadores para mandar carne e coura para a China são os frigoríficos de Amargosa, Jacobina, Simões Filho e Itapetinga, por um punhado de empregos.

Há pouco tempo, houve denúncias graves de maltratos desses animais em currais dos citados frigoríficos morrendo de fome e sede, mas, de lá para cá não mais se falou nisso. Enquanto isso, o jumento, um animal dócil, cantado em versos pelo nosso cancioneiro rei do Baião, Luiz Gonzaga, vai sendo exterminado pela ganância do lucro dos donos de frigoríficos.