Desde outubro, um grupo de jovens denominado de “Apodio” vem discutindo e chamando a atenção da sociedade conquistense para a situação do Teatro Carlos Jehovah. O movimento tem realizado reuniões presenciais em frente ao equipamento cultural, colocando em pauta vários assuntos e produzindo vídeos, desenhos e imagens, inclusive com proposta de uma ação judicial em defesa do teatro.

O grupo tem mantido contatos com artistas e influenciadores da cidade, inclusive com a diretoria do Conselho Municipal de Cultura. De acordo com os participantes, o local onde está o mercado popular é de bastante visibilidade, sendo necessário saber como a prefeita está se articulando com relação ao espaço, pois existem conversas de uma possível demolição.

CONSULTA POPULAR

Qualquer decisão, segundo o grupo, precisa haver uma consulta popular, argumentando não ser a primeira vez que há a intenção de mudar a cultura para um lugar menos visível. “Não há investimento em cultura e na história da cidade. Tinha um grupo que contava a história de Conquista em uma peça de teatro e passei a entender a cidade através dessas pessoas” – diz um integrante do grupo.

Eles relatam que o teatro foi construído, em 1982, (tecnicamente bem planejado em termos de luz, espaço e acústica) como parte de um movimento do próprio Carlos Jeovah, que promovia festivais e elaborava espaços artísticos, influenciando muito no cenário cultural da cidade. Lembram que 20 anos depois, o teatro foi desativado por falta de iluminação e deficiência em suas instalações físicas.

Agora, conforme assinala o grupo, O teatro volta à mesma situação, e muitos nem sabem que existe. O “Apodio” defende a melhoria do espaço (existem poucos equipamentos) e a não demolição como se tem cogitado. Entre as melhorias, apontam a necessidade de mais mesas com canais e placa de sinalização mais visível onde está situado o estacionamento. “A cultura não precisa só de talentos e amor à arte, mas também de políticas públicas para continuar a existir”.

Para o grupo, ampliar o Carlos Jehovah não é uma boa ideia, pois a estrutura dele proporciona uma relação única com o público. A proposta é que o teatro esteja sempre aberto durante o dia para que as pessoas possam visitá-lo. Outra sugestão é melhorar o mercado de artesanato. Os membros do grupo querem saber sobre a proposta concreta do poder executivo sobre o destino do espaço, criticando as outras administrações que não deram importância para o teatro.

RESPONSABILIDADE E TOMBAMENTO

O grupo “Apodio” defende uma agenda construída pela sociedade onde o poder público assuma a responsabilidade pelo seu funcionamento, porque se trata de um espaço público. “Ficamos num ciclo em que os movimentos se formam, as pessoas vão para fora em busca de novas oportunidades, e o movimento morre de novo”.

A presidente do Conselho de Cultura, Hendye Graciele, presente em um dos encontros, parabenizou o trabalho do grupo e prestou seu apoio a todos que estão nessa articulação de reativar o teatro. “O espaço tem uma dimensão simbólica, econômica e cidadã, e é importante por estar no centro da cidade. O teatro e o Centro de Cultura não anulam um ao outro. Ele tem sua função para outros tipos de apresentação, necessária para os artistas. Não precisa destruir um equipamento cultural para construir outro. Temos que caminhar no sentido da utopia de ter um teatro em cada esquina” – afirmou.

Hendye assinalou que a gestão anterior do Conselho se aproximou muito dos artistas, “e eu acompanhei muito o trabalho de implementação da Lei Aldir Blanc e outras ações. Estamos atentos para dar continuidade a este trabalho”. Declarou ser importante levar essa discussão para dentro do Conselho de Cultura no sentido de que a Secretaria de Cultura abrace essa causa do grupo. Na ocasião, comunicou que foi enviado um ofício à prefeita solicitando informações sobre a situação do teatro.

O grupo imagina que a prefeitura pode argumentar que o espaço é subutilizado, mas isso não justifica sua possível desativação, rebatendo que a relação com o poder executivo tem sido difícil. Alega falta de apoio suficiente para que os artistas possam sobreviver. “A estrutura física do músico para trabalhar é mais simples do que a do pessoal que atua com teatro. Cada expressão artística precisa de instrumentos diferentes”.

Para Eduardo Nunes, quando um espaço público não tem política pública de manutenção, como equipamentos, circulação de obras/fomento (espaço de ensaios, por exemplo) e formação de novos artistas, fortalecimento da formação dos que já tem experiência/conhecimento e de formação de plateia, fica-se refém desse processo que não avança.

Gustavo Cirino considera que se perdeu uma boa oportunidade de reformar o espaço durante a pandemia. “Foram meses sem poder reunir as pessoas para assistir espetáculos naquele espaço”. Na oportunidade, Eduardo lembrou que o Cine Madrigal está sob a gestão da Secretaria de Educação, quando o aparelho deveria estar com a Secretaria de Cultura. Em sua opinião, o movimento deve ser ampliado para a retomada dos espaços públicos culturais.

Nas falas, comentou-se que a antiga gestão do Conselho de Cultura construiu um diálogo com a associação dos artesãos, e que o momento é oportuno para se pensar em conjunto com o setor para que o mercado de artesanato seja também contemplado nas mobilizações. O tombamento de vários espaços seria um instrumento de proteção para evitar qualquer derrubada de um equipamento cultural da importância como é a do Teatro Carlos Jheováh – destacou integrantes do grupo.