:: fev/2021
O EXAURIDO CAMPEONATO BAIANO
Carlos Albán González – jornalista
“Qual o principal acontecimento dessa semana no mundo do esporte?”. Se a pergunta for feita a um torcedor de futebol em Vitória da Conquista a resposta, certamente, será uma provável definição do Campeonato Brasileiro de 2020, domingo, no Maracanã, com o jogo Flamengo x Internacional. Um número menor de aficionados manifestará preocupação com a queda do Bahia para a segunda divisão. Uma certeza eu tenho: ninguém vai lembrar que o secular Campeonato Baiano, o segundo mais antigo do país, depois do Paulista, está em campo, sem público, por força da pandemia. Poucos têm conhecimento de que dia 28 de maio o Vitória da Conquista encerrará suas atividades oficiais de campo na presente temporada.
A idolatria pelo que vem de fora não é uma particularidade do conquistense. Antes da chegada da televisão as potentes ondas das rádios do Rio e São Paulo já “faziam a cabeça” dos torcedores de todo o Nordeste, com exceção de Salvador, Recife e Fortaleza, onde os times locais ainda empolgam. Com as obras de ampliação da Fonte Nova o Bahia disputou uma edição do Brasileiro em Aracaju. Na oportunidade, assisti a mobilização dos sergipanos, recepcionando os times do eixo Rio-SP no aeroporto e torcendo contra os baianos no “Batistão”. Numa recente pesquisa feita em Conquista, o Bahia ficou em quinto lugar, depois de Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Vasco.
Vejo nisso tudo uma nódoa na personalidade do nordestino, melhor observada no uso de camisetas, torcidas organizadas, lojas de souvenir e fogos de artifício. Na Espanha, mas propriamente na região da Galícia, não se vê alguém exibindo as camisas de Real Madri e Barcelona. Esse regionalismo se acentua quando é mais evidente o sentimento separatista de catalões e bascos.
Com um calendário apertado e a falta de interesse da CBF e das federações, os estaduais caminham para o desaparecimento. Sem o Galícia, Ypiranga e Botafogo, que juntos somam 22 títulos estaduais, o “Bahiano” deste ano terá 51 partidas, disputadas entre 17 de fevereiro e 23 de maio, com transmissão da TV Educativa (UESB, no Sudoeste), Serão 10 os participantes (Bahia (equipe alternativa), Vitória, Vitória da Conquista, Fluminense e Bahia de Feira de Santana, Jacuipense (Riachão do Jacuípe), Juazeirense, Doce Mel (Ipiaú), Atlético (Alagoinhas) e Unirb (Mata de São João).
Na fase preliminar, com apenas jogos de ida, serão classificados os quatro semifinalistas e descartado o último colocado, que passa para a série B. Os times mais bem qualificados estão garantidos nos torneios nacionais, mas só em 2022. Os representantes baianos nas competições organizadas pela CBF em 2021 já estão definidos: Brasileirão B – Vitória: C – Jacuipense; D – Atlético, Bahia de Feira e Juazeirense; Copa do Brasil – Bahia, Juazeirense e Atlético; Nordestão – Bahia e Vitória. O futuro do Bahia (fica na A ou cai para a B?) no Campeonato Brasileiro será definido nos jogos contra Fortaleza e Santos.
No ano passado, o Doce Mel, clube apoiado por uma indústria de alimentos de Ipiaú, despertou a curiosidade dos torcedores. Agora é a vez do Unirb, campeão da 2ª. Divisão em 2020, fundado há dois anos. Está vinculado à Faculdade Regional da Bahia, com sede em Mata de São João, criada em 2002. Suas 17 unidades estão distribuídas na Bahia, Sergipe, Piauí, Alagoas, Ceará e Rio Grande. Os estádios de Ipiaú e Mata não foram aprovados pela FBF. Os jogos de Doce Mel e Unirb serão levados, respectivamente, para Conquista e Alagoinhas. Como o mesmo problema, a Jacuipense mandará seus jogos em Pituaçu.
Como já foi mostrado, o Vitória da Conquista não tem nenhum compromisso oficial a partir de junho. No ano passado esteve perto do descenso no torneio local e não fez boa campanha no “Brasileirão” da série D. Vai ter que melhorar sua participação nos jogos do estadual, para voltar em 2022 ao cenário nacional. A tabela beneficiou o alvi-verde, que fará cinco jogos em casa e quatro fora.
Dia 20/02 – 16 hs – Vitória – Barradão
Dia 28/02 – 16 hs – Fluminense – Feira
Dia 03/03 – 20h30 – Doce Mel – Lomantão
Dia 07/03 – 16 hs – Bahia – Lomantão
Dia 14/03 – 16 hs – Jacuipense – Feira/04
Dia 21/03 – 16 hs – Juazeirense – Lomantão
Dia 04/04 – 16 hs – Bahia de Feira – Lomantão
Dia 17/04 – 16 hs – Unirb – Alagoinhas
Dia 28/04 – 19h30 – Atlético – Lomantão
A programação completa e o regulamento podem ser acessados no portal da FBF.
AS AGLOMERAÇÕES E A FALTA DE INVESTIGAÇÃO CONTRA OS EGOÍSTAS FURA-FILAS
Todos finais de semana existem aglomerações de festas com sons altos nos bares e restaurantes nas imediações da Avenida Olívia Flores, em Vitória da Conquista, e a Prefeitura Municipal e a polícia militar não têm agido com firmeza para acabar com a zoeira desses animais suicidas.
A situação em Conquista só tem se agravado com uma média de 100 casos por dia, e os leitos de UTIs já estão com ocupação acima dos 90%. Na Bahia, o governador Rui Costa tem alertado para um risco de colapso nos hospitais, incluindo as principais cidades, como Feira de Santana, Ilhéus, Itabuna, Jequié e Vitória da Conquista.
Sem investigações contra os fura-filas
Além da falta de medidas restritivas por parte da prefeita em exercício, temos que conviver com o absurdo dos fura-filas das vacinas, que não são poucos em nossa cidade. Infelizmente, não temos aqui uma promotoria e uma justiça eficientes para investigar as irregularidades ocorridas no município e punir esses párias da sociedade dentro da lei, com todo rigor.
Precisamos também de uma mídia eficiente para denunciar a Secretaria da Saúde e toda essa gente que se vacinou como profissionais que estão na linha de frente no combate ao vírus. Não é porque a pessoa é medica que deve ser vacinada, sem contar trabalhadores do setor administrativo de unidades de saúde que foram vacinadas.
Lamentavelmente, não temos um comando central do Ministério da Saúde para colocar ordem e regras definidas que sejam obedecidas, e aí, cada estado e prefeitura faz o que bem quer. A verdade é que o esquema de vacinação no país virou uma bagunça. É como uma casa sem chefia onde cada membro almoça e janta em horários diferentes e faz o que o que lhe der na telha.
Diante da falta de organização central e da observância às prioridades, muitos estão sendo injustiçados e foram passados para trás por elementos egoístas que procuram levar vantagem em tudo, os mesmos que abrem a boca para falar em solidariedade e aparecem nas tvs e nas redes sociais fazendo doações de alimentos e brinquedos em época de Natal.
O aumento populacional e as epidemias
Só para ilustrar o atual quadro de pandemia no mundo, vamos citar aqui o historiador Geoffrey Blainey, em seu livro “Uma Breve História do Mundo”. Em sua obra, ele fala do crescimento dos povos a partir do cultivo de lavouras e da criação de animais domésticos. Com isso, a população na terra aumentou drasticamente, talvez por volta de 10 a 8 mil anos a.C. Nessa época, estima-se que a população girava em torno de 10 milhões de habitantes. De acordo com o pesquisador, por volta de 2.000 a. C existiam 90 milhões de pessoas e 300 milhões no tempo de Cristo.
Sem recurso e conhecimento da ciência naquela época, é de se imaginar, e os próprios estudos confirmam, muitas epidemias levavam mais da metade da população. Hoje temos a ciência na mão e cerca de 10 bilhões de humanos. Mesmo assim, milhões (perto de três) já tiveram suas vidas ceifadas pela nova pandemia da Covid-19. Ainda tem muita gente terraplanista que nega a ciência.
Por muitas vezes, o crescimento do mundo era refreado pelas epidemias. Sem saber, os nômades levavam vantagens em termos de saúde. “Por estarem com constante mudança, deixavam para trás os dejetos que produziam. Por usarem pouca roupa, em climas tropicais, ficavam mais expostos à luz solar, que impedia e proliferação de germes. Por não possuírem animais, eram alvo de menor número de doenças. Por outro lado, na nova ordem, a aglomeração de pessoas nas cidades aumentava o risco de infecção”.
Enquanto a nova forma de vida proporcionava mais alimentos, fazendo acelerar a população, também fomentava vírus que, periodicamente, diminuía o número de habitantes. O trato com os animais expôs as pessoas a determinadas doenças. Por exemplo, como assinala o historiador, a tuberculose pode ter vindo através do leite da vaca e das cabras domesticadas; o sarampo e a varíola foram transmitidos do gado para as pessoas que cuidavam dele, pela ordenha ou ingestão da sua carne; uma forma de malária provavelmente veio das aves; e a gripe, dos porcos e patos.
POR QUE CONQUISTA TEM A GASOLINA MAIS CARA DA BAHIA?
NINGUÉM AINDA CONSEGUIU ABRIR ESSA CAIXA PRETA DO CARTEL DOS COMBUSTÍVEIS EM VITÓRIA DA CONQUISTA. O PROBLEMA JÁ VIROU UM CASO DE POLÍCIA.
Na legislatura passada da Câmara de Vereadores foi aberta uma CPI para apurar o motivo da gasolina comercializada em Conquista ser considerada a mais cara da Bahia, levando em consideração que os revendedores do produto na cidade pegam o combustível em Jequié a 150 quilômetros. A Comissão procurou saber se estava havendo cartelização nos preços, de acordo com o clamor dos usuários.
Como todos sabem, a CPI não chegou a lugar nenhum. Para dar uma satisfação dos trabalhos, o vereador Sidiney criou uma lei, que já nasceu morta, obrigando aos donos de postos que passassem a usar mangueiras transparentes nas bombas, como se isso fosse resolver o problema dos altos preços. Essa CPI respondeu que não encontrou indícios de cartel entre os proprietários.
PREÇOS MAIS ALTOS
No entanto, como explicar essa gasolina tão cara na praça de Conquista, com diferenças de preços superiores em relação a outras bombas situadas fora do perímetro urbano, como na BR-116, e em cidades da região?
Aqui em Conquista, por exemplo, não adianta o motorista fazer pesquisa de preços porque ele termina rodando e só encontra diferença mínima de centavos, o que significa que não compensa, se for levar em conta o gasto do combustível que ele vai dispender durante a procura.
Tudo isso levar a crer que existe mesmo um cartel, e ninguém consegue abrir essa caixa preta para detectar a combinação entre as empresas. Temos que convocar um super-herói, com um potente raio laser, para enxergar onde está esse mistério, porque as autoridades locais, o poder público, o Ministério Público, o Procon e a Justiça não conseguiram desvendar o segredo.
Os empresários juram de pé junto de que não existe cartel, mas não é isso que o povo e os consumidores percebem. Com as altas constantes dos combustíveis, praticamente por semana, construir posto de gasolina em Conquista está sendo o negócio mais rentável (sempre está surgindo mais um nessas avenidas).
Enquanto isso, os consumidores em geral, principalmente taxistas, vendedores, carros por aplicativo, autônomos e profissionais liberais que mais se movimentam e necessitam usar seus veículos, só levam pancada e prejuízos em suas despesas para realizar seus trabalhos.
Não adianta se revoltar, protestar e até fazer greves porque nada muda, e a nossa gasolina continua sendo a mais cara da Bahia. Isso, inclusive, tem reflexo nos preços, especialmente dos serviços. E olha que não estamos falando aqui dos custos dos botijões de gás.
Certa vez fiz um comentário aqui sobre esse mesmo assunto, comparando o preço da gasolina de Conquista com o de Juazeiro da Bahia, por exemplo, onde os donos de postos pegam o produto na Refinaria Landulfo Alves, distante 500 quilômetros.
Na última viagem que fiz para aquela cidade fui observando os preços no percurso de 800 quilômetros e constatei o que todos sempre comentam com relação aos custos dos combustíveis em Conquista. Na verdade, o consumidor local não tem mais a quem apelar, a não ser para o Bispo, ou até mesmo para o Papa.
Esperamos que a Câmara de Vereadores retorne à questão e apure, com mais afinco, o motivo da gasolina de Conquista ter esse preço tão alto. Esse trabalho deve ser feito em conjunto com outros órgãos da cidade.
Não dá para entender, por exemplo, o porquê de os aumentos nas refinarias serem repassados pelas bombas com tanta rapidez, e quando existe uma insignificante queda, exista tanta demora para o posto processar a redução. São indagações sem resposta.
TEMPO DE SOBRA PARA MEDITAR
Carlos Albán González – jornalista
Prefeito Herzem Gusmão, nesses quase 50 dias de internamento, o senhor deve ter aproveitado a atmosfera silenciosa de um hospital de primeiro mundo para pensar e repensar sobre os seus próximos 46 meses à frente da Prefeitura de Vitória da Conquista. Com uma vitória contestada, com fortes argumentos, no 2º turno, por uma oposição indolente, devem ter passado por sua cabeça os erros cometidos por sua administração, com maior repercussão na área de saúde, ao deixar de combater, como era sua obrigação, o avanço da covid-19. Preferiu trabalhar pela reeleição.
Sob os cuidados de uma qualificada equipe médica, onde se destacam o infectologista David Uip e o cardiologista Roberto Kalil Filho, o senhor certamente vai se redimir perante seus conterrâneos, priorizando a saúde, a partir do momento em que reassumir o cargo.
Teimoso, como é visto pelos correligionários, o senhor promoveu uma série de questiúnculas com o governo do Estado, recusando-se, inclusive, a receber a Policlínica, por motivos políticos; não adotou as medidas necessárias para aparelhar o SUS e a rede hospitalar, mesmo tendo conhecimento de que o coronavírus já havia se espalhado por toda a região; não montou um hospital de campanha para atender os pacientes de mais de 35 municípios; permitiu a entrada de ônibus clandestinos vindos de São Paulo; emitiu decretos nos fins de semana, reabrindo todos os serviços não-essenciais, como se Conquista estivesse passando por um período de normalidade, indiferente à pandemia.
Prefeito, o senhor imaginou, num dos muitos momentos de meditação, com a cabeça sobre o travesseiro, se os mais de 250 conquistenses vítimas do coronavírus pudessem ter acesso ao tratamento oferecido pelo Hospital Sírio-Libanês, quantos estariam vivos hoje?. É um sonho. Nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é semelhante ao de muitos países africanos. A desigualdade entre ricos e pobres no Brasil é uma das mais altas do mundo. Mas, na condição de alcaide de Vitória da Conquista (o segundo município mais agradável do Nordeste para se morar), faça alguma coisa, na saúde e na educação, para reduzir essa diferença social.
Pelo amor de Deus, não se trata de uma crítica ao complexo hospitalar de Vitória da Conquista. Pelo contrário, os profissionais de saúde daqui e de todos os municípios brasileiros estão há um ano lutando, em condições adversas (instalações, aparelhamento, salários baixos e horas extras de trabalho), convivendo com o sofrimento humano e chorando a morte de colegas. Por trás dessa frágil estrutura, que vem sendo corroída há séculos – é inimaginável que em toda a imensa área do Amazonas, com exceção da Manaus, não exista um só leito de UTI – pelos políticos, há um capitão punido pelo Exército, acusado de crime de responsabilidade, por ter colocado um freio no combate ao covid 19 e retardado a compra de vacinas.
Os profissionais de saúde e o pessoal de suporte nos hospitais particulares e do SUS (o ministro Eduardo Pazzuelo admitiu que não conhecia o aplaudido trabalho da rede) são os verdadeiros heróis deste país. Passada essa pandemia sugiro que cada município brasileiro erga um monumento a esses super-homens e super-mulheres, para que sejam lembrados pelas futuras gerações. Responsável pela erradicação em 1904 da febre amarela e da peste bubônica, doenças altamente mortais na época, o cientista Oswaldo Cruz (1832 – 1917), com o apoio do presidente Rodrigues Alves, enfrentou e venceu os inimigos da vacina, punidos com a deportação para o longínquo Acre.
“Não se faz uma Copa do Mundo com hospitais”. Essa estúpida declaração foi feita pelo ex-jogador Ronaldo, que a imprensa chama de Fenômeno, ao defender, em 2011, a construção de 12 estádios – a FIFA exige no máximo oito – para a Copa do Mundo de 2014, todos superfaturados, a um custo que beirou os 10 bilhões de reais.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva queria mostrar ao mundo que o país podia promover, no intervalo de dois anos, um Mundial e uma Olimpíada. Muitos desses equipamentos esportivos estão sendo destruídos por falta de uso pela ação do tempo. Membro do comitê organizador do Mundial, Ronaldo se tornou um próspero empresário, dono do Rayo Vallecano, clube da 1ª divisão do futebol espanhol. Sua imbecil afirmativa foi lembrada há poucos dias diante do agravamento da crise sanitária em Manaus, A responsabilidade atribuída a Bolsonaro e ao ministro da Saúde foi transferida para o governo petista.
Elixis
Prefeito, o senhor deve ter admitido, em “conversa” com os aparelhos do seu quarto, a ineficiência da cloroquina e de outros medicamentos na prevenção da covid-19. Ex-cliente dos “consultores” Geddel Vieira Lima e Roberto Jefferson, o senhor abraçou desde as primeiras horas a cloroquina, a hidroxiclina e a ivermectina, propagandeadas pelo seu mais recente “mito”, Jair Bolsonaro. Com um documento assinado por cerca de 100 médicos conquistenses, Herzem viajou em abril para Brasília. onde recebeu os elixis, que hoje abarrotam o almoxarifado da Secretaria de Saúde.
O Planalto mobilizou cinco ministérios, uma estatal, dois conselhos da área econômica, o Exército e a Aeronáutica, para levar milhões de comprimidos, sem eficácia comprovada, atestada por instituições científicas, a todas as regiões do país, principalmente ao Norte e Nordeste. A Merck, fabricante da ivermectina, alertou para os efeitos adversos do uso do medicamento. ”Pelo menos eu não matei ninguém”, diz Bolsonaro, procurando se livrar do cumprimento do dever.
Segundo o Lowy Institute, da Austrália, o Brasil está em último lugar no quesito gerenciamento da crise causada pela covid-19, resultado que tem preocupado governadores e prefeitos não-alinhados com o gabinete do ódio, cuja produção – cadê a CPI dos fake news, cuja relatora é a senadora baiana Lídice da Mata – cresceu nas últimas semanas. A mais nova campanha tem como objetivo desacreditar a vacina contra a covid-19.
Prefeito, as notícias ruins de sua terra não chegam ao seu conhecimento para não dificultar sua recuperação. Sua vice, a lojista Sheila Lemos, nesse contexto, age como a população estivesse dentro de uma bolha totalmente desinfetada. Em Brasília, onde se encontra, deve ter recebido a notícia de que a Região Sudoeste, especialmente Conquista, é a que mais preocupa as autoridades de saúde do estado. O número de leitos de UTI ocupados é de 93%, sendo que 60% são de pacientes de outros municípios, que não param de dar entrada nos três hospitais conveniados com o SUS; o número de óbitos (dois a três por dia) é de quase 300, somente de moradores locais.
A vacinação, na verdade, sofre interrupções, porque as doses são insuficientes. Para um observador atento os fura-filas aproveitaram os dois primeiros dias da campanha, mas somente três foram flagrados e vão responder inquérito. Torna-se urgente a divulgação de um cronograma da campanha de vacinação. Herzem nunca esteve bem afinado com a comunicação do seu governo, haja vista que em quatro anos cinco profissionais ocuparam a Secretaria de Imprensa.
DESABRIGADOS
Tem pesquisas que só dizem o óbvio ululante, porque qualquer pessoa com determinado nível de instrução já sabe. Essas pesquisas só têm sentido em termos de quantificação. O IBGE, por exemplo, concluiu que a pandemia do coronavírus aprofundou ainda mais o fosso entre ricos e pobres. Os números negativos das desigualdades sociais são altos. Isso já está bem visível aos nossos olhos com o aumento da pobreza, dos desabrigados, dos milhões de desempregados e de outros milhões vivendo na miséria, como bem mostram as imagens clicadas através das lentes do jornalista Jeremias Macário nas ruas e avenidas de Vitória da Conquista. Essas pessoas, que têm uma profissão, (um deles é motorista) estão nas ruas pedindo socorro, passando fome e necessidades de todos os tipos. São de todos lugares como estes personagens das fotos que vieram de Minas Gerais e não têm mais como retornar às suas terras. São como refugiados dentro do seu próprio país que, infelizmente, abandonou seus filhos, numa pátria onde o slogan diz que é amada. São quadros tristes e impactantes, mas que devem ser mostrados. Alguém já disse que o “homem sem pátria é como o rouxinol sem jardim”. É assim que muitos se sentem no Brasil, tão rico com um povo tão pobre. Achamos que não temos culpa pelo que está acontecendo, mas foi a nossa sociedade, com a qual compactuamos, quem criou a fome e a violência.
AJUDE, TÔ COM FOME
Esse poema mais recente de autoria do jornalista Jeremias Macário foi inspirado num cartaz de uma pessoa numa das sinaleiras de Vitória da Conquista, pedindo ajude para se alimentar. É a fome que fala mais alto.
“AJUDE, TÔ COM FOME”
Pelas avenidas coloridas da noite,
Nas sinaleiras vermelhas do açoite,
Entre os selvagens beijos dos amantes,
Na viola companheira dos viajantes,
Vejo bares, festas e restaurantes,
Mesas cheias de comidas e bebidas,
Comemorando a vida de idas e saídas;
Lá fora ao vento vagam retirantes,
Perdidos sem rumo, sem nome,
E toda essa gente que mal come,
Sem lição a rogar com cartaz na mão:
“AJUDE, TÔ COM FOME”.
“AJUDE, TÔ COM FOME”
“Uma esmola envergonha o cidadão”,
Como dizia o cancioneiro rei do baião,
Pra ela não existe tempo de espera.
No estômago faz abrir uma cratera.
“AJUDE, TÔ COM FOME”
“AJUDE, TÔ COM FOME”
O governo não nos deu educação,
O capital nos excluiu do mercado;
Vivemos o agora do bota fora,
Como manadas no estouro do gado,
Como os milhões de desempregados,
Somos filhos de uma sociedade,
Que criou a fome e a violência,
Num país que roubou a cidadania,
Como se leva a poeira a ventania,
E há dias que o nosso irmão não come:
“AJUDE, Tô COM FOME”
POUCO SE FALOU DO AVANÇO DA COVID E MAIS SOBRE O BANCO DO BRASIL
COMO SE NÃO BASTASSEM AS PRAGAS DOS QUEBRA-MOLAS, EM CONQUISTA, O NOVO VEREADOR DO PT, ALEXANDRE XANDÓ, DO PT, VAI PEDIR A IMPLANTAÇÃO DE MAIS UM NA AVENIDA PARÁ, NO BAIRRO BRASIL.
Vários assuntos foram abordados ontem (dia 10/02) na sessão da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, mas o tema que tomou mais espaço na fala dos parlamentares foi a questão do fechamento de agências do Banco do Brasil na região, seguindo a política de privatização da instituição bancária, conforme denúncia dos funcionários, que contestaram esse procedimento.
Quanto ao avanço da pandemia no município, somente a vereadora Viviane Sampaio, do PT, chamou a atenção para o problema, ao fazer duras críticas ao poder público que não tem tomado medidas mais restritivas para controlar a doença. De acordo com ela, a Prefeitura Municipal tem jogado a responsabilidade do isolamento e do distanciamento para a população, quando cabe ao executivo tomar as devidas providências.
TRÊS AGÊNCIAS NA REGIÃO
Os trabalhos foram abertos pelo presidente da Casa, Luis Carlos Dudé, que deu a palavra ao bancário do BB (Banco do Brasil), Leonardo Viana, que ocupou a Tribuna Livre para falar sobre a medida do governo federal de fechar mais agências do banco no país. De acordo com membros do Sindicato Regional dos Bancários, a intenção é encerrar as atividades nos municípios de Encruzilhada, Abaíra e Tremedal.
Em seu pronunciamento, Leonardo lembrou do fechamento da agência da Avenida Regis Pacheco, sobrecarregando mais ainda a unidade localizada na Praça Barão do Rio Branco. Segundo ele, tudo segue um cronograma de desmonte do banco para depois ser privatizado, gerando mais demissões.
Somente na cidade, o Banco do Brasil conta hoje com 105 funcionários e cerca de 30 mil clientes. Mesmo assim, existe a ameaça de demissões através do fechamento de caixas de atendimento direto ao cliente. A assessora do Sindicato, Eliene Luz, informou ainda que se cogita remover 17 bancários para outros municípios.
Durante o tempo em que ocupou a Tribuna Livre, Leonardo denunciou a trama de privatizar uma empresa financeira que todos os anos só dá lucros bilionários. Em 2019, por exemplo, o lucro líquido da instituição ficou em torno de 19 bilhões de reais, e o resultado do ano passado deve se situar em 12 bilhões.
No final da sua explanação, Leonardo fez um apelo à Câmara para que redija um documento público em defesa da manutenção dos funcionários, e também para que os bancários tenham prioridade de vacinação contra a Covid-19. Em geral, os vereadores prometeram encampar as reivindicações dos bancários que, em protesto, fizeram um dia de paralização de atividades.
Andreson Ribeiro, do PC do B, foi o primeiro vereador a se pronunciar contra o fechamento das agências do banco na região, e denunciou a política de desmonte da instituição financeira como de irresponsabilidade contra um patrimônio nacional secular.
Além da questão do BB, Ribeiro também pediu que o poder público municipal conceda a regulamentação do transporte alternativo na cidade. Segundo ele, os ônibus estão rodando em péssimas qualidades e não estão dando conta da demanda dos usuários. O Subtenente Muniz, do Avante, apoiou também os reclamos dos servidores do Banco do Brasil
Quem também comentou sobre o fechamento de agências do Banco do Brasil foi o vereador Hermínio Oliveira, condenando a sua possível privatização, e sugeriu que a diretoria da Casa agende uma reunião com o presidente do BB para discutir o problema. Na ocasião, Hermínio criticou o desempenho do Procon de Conquista que, de acordo com ele, não tem fiscalizado as enormes filas nos bancos.
Fernando Jacaré, do PT, destacou o desmonte dos sindicatos, decorrente da política do governo federal, e também se posicionou sobre os péssimos serviços do transporte público em Conquista. Aproveitou para apontar os avanços dos mandatos do partido com os prefeitos Guilherme Menezes e José Raimundo, com a abertura de diversas avenidas e equipamentos para a comunidade, citando a Juracy Magalhães, Brumado e Integração.
O mais novo parlamentar Alexandre Xandó, do PT, fez seu discurso homenageando os 41 anos do seu partido, mas seu colega de bancada do PC do B, Augusto Cândido, fez referência ao tempo de fundação da agremiação política, dizendo ter sido reprovado pelo povo nas eleições passadas, lembrando que o partido foi o maior protagonista no âmbito da corrupção.
O eleito pela primeira vez, Chico Estrela, do PTC, criticou a Secretaria Municipal de Educação, que pretende colocar as escolas em funcionamento, mas, conforme afirmou, sem a devida estrutura. Disse ter ganhado as eleições denunciando a perseguição contra os funcionários, e citou que no governo de Hérzem Gusmão foram fechadas 83 escolas.
No entanto, a vereadora Lúcia Rocha, do Democratas, elogiou o trabalho que a prefeitura vem desenvolvendo no município, principalmente na zona rural no combate contra a seca. Ricardo Babão condenou os aumentos nos preços da gasolina, destacando que Conquista apresenta os maiores índices na Bahia
“O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO”
Da vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, em 2015, Svetlana Aleksiévitch, o livro intitulado “O Fim do Homem Soviético” é uma série de reportagens jornalísticas com depoimentos e entrevistas de testemunhas que falam dos tempos da Revolução Russa de 1917 desde Lênin, Stalin e seus sucessores; os trabalhos em campos forçados; a invasão alemã em 1941; a Perestroika de Gorbatchev com a chegada do capitalismo de mercado; o fim da União Soviética; os refugiados das guerras civis nas diversas repúblicas; e as delações entre parentes.,
A obra fala de amor, de sentimentos, de mulheres sofridas que apanhavam dos maridos, dos veteranos de guerra que foram abandonados pelo regime, da Sibéria, dos kulaks, de violência, discriminação contra os refugiados, de uma Rússia que não admite estranhos em sua terra, do engenheiro que se tornou empacotador de supermercado depois da Perestroika, tudo isso narrado através de entrevistas feitas pela jornalista.
DEPOIMENTOS IMPARCIAIS
A escritora (jornalistas deveriam ler o livro) dá voz ao povo, de forma imparcial a quem elogia o comunismo stalinista, mesmo com suas atrocidades e falta de liberdade, defendendo que o homem tinha o seu valor e orgulho de ser soviético, sem pensar no dinheiro. Outros depoimentos contrários mostram os movimentos a favor da Perestroika, e a tentativa de golpe em 1991, com pessoas apoiando e outras se colocando contra a abertura e a liberdade.
Durante todo o livro, cada um vai contando suas experiências de vida, suas histórias, sofrimentos passados e presentes, antes e depois da queda do império soviético, a violência nas cidades, as guerras no Afeganistão e na Tchetchênia, os testemunhos de refugiados discriminados que foram viver em Moscou, a vida dos veteranos que voltaram das guerras e a luta de sobrevivência depois de Gorbatchov, com uma Rússia dividida em ódios e intolerâncias.
Nos testemunhos existem passagens muito fortes e impactantes de pessoas e famílias que foram vítimas de atrocidades criadas pelo rancor com o fim da União Soviética, o fim do homem soviético como diz o próprio título do livro. Nas entrevistas feitas pela jornalista, muitos destilam sua raiva contra os usurpadores que dividiram e lotearam o patrimônio da Rússia com a chegada do capitalismo quando se aprofundou a divisão entre ricos e pobres.
Na introdução, a escritora (seu livro é um compêndio de entrevistas) faz uma cronologia sobre a Rússia depois de Stalin, morto em 1953, a passagem de Nikita Khruschóv, que denunciou o culto à personalidade de Stalin. a repressão na Hungria, em 1956, os tanques na Tchecoslováquia, em 1968, a publicação do livro Doutor Jivago (Boris Pastermak), o poder com Leonid Bréjniev, em 1964, a invasão do Afeganistão, em 1979, a morte de Bréjniev em 1982, e seus sucessores Iuri Andrópov, Tchernenko, Mikhail Gorbatchóv, em 1985, Boris Iéltsin, eleito presidente em 1991 e todo o desenrolar da história das separações das repúblicas soviéticas até a era Putin.
Durante o livro, Svetlana destaca o hábito russo da “geração cozinha”, o lugar predileto das conversas e reuniões dos russos entre as famílias, mesmo nos tempos de Stalin, para criticar e xingar os governos, com todo cuidado e até em forma de códigos, para que não fossem descobertos e mandados para os campos de trabalho na Sibéria. Colocavam músicas altas para confundir os diálogos. Naquela época, tudo era vigiado, até os pensamentos.
O HOMO SOVIÉTICUS
No capítulo em que descreve “Observações de uma cúmplice”, a jornalista relata através de suas entrevistas, que o comunismo tinha um plano insano, o de refazer o “velho homem”, o antigo Adão. A cúmplice diz que “depois de setenta e tantos anos, no laboratório do marxismo-leninismo, cultivaram uma espécie humana peculiar, o homo soviéticus”. Muitos chamam de sovok, aquele que aderia cegamente a ideologia oficial.
Ela conta que nos depoimentos que colheu são recorrentes palavras como atirar, fuzilar, liquidar, passar em armas. “Temos uma relação particular com a morte” – diz a cúmplice, que fala de milhões que morreram. “Estamos cheios de ódio e preconceito”. Tudo vem de lá, de onde havia o gulag, a coletivização, a expropriação dos Kulaks, a migração dos povos. No livro, existem muitos relatos de suicídios por amor, por medo e por velhice.
As pessoas russas não conseguem abandonar a Grande História, e é um povo bélico, como descreve a escritora. “Ou guerreávamos, ou nos preparávamos para a guerra”, na observação da cúmplice. Referindo-se aos tempos pós revolução, existe um diálogo entre um professor e Tróstski. O professor diz que Moscou está literalmente morrendo de fome. Ai Tróstski responde: “quando Tito tomou Jerusalém, as mães judias comeram seus próprios filhos. Quando eu fizer suas mães comerem os próprios filhos, aí você pode vir a dizer: Estamos morrendo de fome.
A PANDEMIA EM CONQUISTA SEGUE EM ALTA SEM MEDIDAS RESTRITIVAS
ESSA DECLARAÇÃO DA INSTITUIÇÃO OU DA EMPRESA DA ÁREA DE SAÚDE PARA VACINAÇÃO DEIXA BRECHAS A FRAUDES E IRREGULARIDADES. O PROCESSO ESTÁ UMA BAGUNÇA, E CADA MUNICÍPIO FAZ O QUE BEM ENTENDE. EXISTEM CASOS DE POLÍCIA! É REVOLTANTE O QUE ESTÁ OCORRENDO!
Há quase duas semanas que a média diária de mortes por Covid-19 chega a duas pessoas em Vitória da Conquista. Há um ano mais de 17 mil já foram infectados no município, e a ocupação de leitos está acima de 70% (pode ser mais que isso) da sua capacidade. Há um ano quase 800 pessoas perderam suas vidas.
Mesmo com esses números alarmantes, tudo parece correr na normalidade, conforme se ouve do gestor de crise que fala com voz de locutor impostada como político e, no fim, quase nada se aproveita de objetivo e concreto.
Do poder executivo, no caso a prefeita lojista em exercício, nada de medidas restritivas para evitar aglomerações, principalmente em finais de semana em bares e restaurantes. Nenhuma voz de um profissional de saúde para analisar esse quadro no aspecto científico.
Não sou especialista da área para dar um diagnóstico preciso. No entanto, na minha visão geral, entendo que duas mortes por dia são sinais preocupantes de que a pandemia em Conquista só está avançando, e que é o momento da Prefeitura Municipal agir para evitar que os números tomem proporções maiores. A Câmara de Vereadores precisa se pronunciar sobre o assunto.
Quando esse comitê gestor da Covid vai acender a luz vermelha e tomar providências para que esses índices de casos e mortes se reduzam? Quando houver o dobro de infectados e mortes por dia? É necessário que a Prefeitura Municipal tome consciência que a situação está se agravando, e estamos lidando com vidas humanas.
Aqui em Conquista temos dados limitados sobre a doença, como, por exemplo, quais bairros estão sendo mais atingidos, como se tem com a dengue. Se existe um mapeamento do coronavírus na cidade, eu desconheço.
Alguém ai do poder público pode até dizer que meu comentário não tem fundamento, mas a realidade dos números não mente. Ouça o clamor e o choro de quem já perdeu seu ente querido. No início da pandemia até que a Prefeitura se mostrou atuante fechando o comércio, mas depois liberou geral, colocando a economia acima da vida.
O porta-voz do comitê de gestão fala apenas que está havendo fiscalização e multas para quem descumpre os protocolos, mas não é o que se vê em muitas lojas onde não existe o limite de pessoas em circulação no ambiente do estabelecimento. É conversa para boi dormir, porque sabemos que o número de fiscais é limitado para o tamanho do comércio de Conquista.
Há três dias que o Estado da Bahia está em vermelho no mapa do Brasil, de acordo com os dados apurados sobre casos e mortes (quase 40 por dia) pelo Consórcio de Imprensa. Mesmo assim, ainda temos que ouvir de certos imbecis que é tudo exagero da mídia, e que a mortes têm como causa doenças crônicas.
Caso fosse fazer o mesmo com relação aos municípios baianos (417), Vitória da Conquista, com certeza, estaria também no vermelho, o que significa alta da pandemia. Pelo menos, a Prefeitura de Salvador tem tomado medidas restritivas nos bairros, inclusive pulverizando locais e fechando bares à noite.
MÉTODO DEIXA BRECHAS
Outra questão, da qual venho contestando, é esse método de vacinação do pessoal da área da saúde (não é mais destinado somente aos profissionais da linha de frente), através da apresentação de uma declaração da instituição ou da empresa. Tem gente que não está na ativa, mas acha que deve ser vacinado.
Ninguém segue o protocolo do Ministério da Saúde. É uma bagunça! O que está se vendo é uma total politização, cada um querendo se aparecer mais que o outro. Não está se obedecendo mais a faixa etária determinada por esse Ministério regido por um general intendente.
Na minha concepção, esse esquema abre brechas para fraudes e irregularidades para os caras de paus furarem a fila. Quem garante que o diretor da instituição, ou o dono da empresa, não coloca lá nomes de amigos e parentes em sua lista? Por acaso, a Prefeitura vai conferir se a pessoa é, ou não, do setor de saúde? A Prefeitura não poderia elaborar uma lista através dos RHs (Recursos Humanos), coletando isso no local?
Não tenho nenhuma dúvida que, pela minha idade, já fui passado para trás por muita gente. Fosse num país asiático, como na China ou na Indonésia, por exemplo, essas pessoas do mal seriam fuziladas.
Não quero chegar ao extremo, mas é revoltante o que vem acontecendo no Brasil. Será que essa gente dorme com a consciência tranquila? Respondo que dorme sim, porque essas pessoas já se acostumaram em ser animais perversos e predadores. São os mesmo que falam em solidariedade e doação em épocas de Natal.
A FOME TEM A CARA DA MORTE
Foi no clique de suas lentes, na sinaleira da Avenida Luis Eduardo Magalhães, em frente do Estádio Lomanto Júnior, em Vitória da Conquista, que o jornalista Jeremias Macário registrou a cara da danada fome que deixa milhões de brasileiros subnutridos, levando-os até à morte.
A imagem do cartaz “AJUDE, TÔ COM FOME” contém muito mais que mil palavras. É inesgotável, e cada um procura descrever de acordo com seus sentimentos, suas emoções, racionalidades e revoltas. Por si só já é uma imagem de protesto e de denúncia. Sua face é séria e sisuda.
Tem o ditado que diz que ela tem pressa, e essa pessoa com o cartaz na mão, na sinaleira, comprova muito bem isso pelo seu semblante triste de quem pede socorro e misericórdia. Ela estava ali representando milhões de brasileiros que ainda passam fome em pleno século XXI.
Ela (a fome que tem a cara da morte) tem várias origens, desde os desmandos, as más gestões dos governantes e políticos até a corrupção que rouba o pão da boca dos pobres miseráveis. São cenas tristes que, infelizmente, ainda temos que registrar em nossas cidades e em todo Brasil.
Quando ela bate no estômago, a dor se alastra por todo o corpo e vai até o espírito. Digo isso porque já fui vítima dela pelas ruas de Salvador no começo dos anos 70 quando estava iniciando meu curso de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia.
Lembro muito bem de tudo quando sempre passava pelas avenidas Carlos Gomes e a Sete de Setembro nos horários de almoço e jantar em frente de bares e restaurantes. Via aquelas pessoas lá dentro se alimentando, e a dor ficava ainda mais doída, mais latente. Ela causa zonzeira na mente e na alma.
Infelizmente, ela está cada vez mais se alastrando pelo país a fora, principalmente agora com os mais de 14 milhões de desempregados e tantos outros milhões que não ganham nem um salário mínimo. É sim, uma vergonha, e não dá para ter orgulho do seu país assim, convivendo com ela lado a lado.
























