:: jan/2021
A DIPLOMACIA DA MORTE
EM TODA A MINHA VIDA NUNCA OUVI NINGUÉM DIZER QUE SER PÁRIA É BOM. POIS É, E ISSO SAIU DA BOCA DE UM MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES.
No dia de ontem (dia 20/01), o capitão-presidente ficou órfão do seu guru Donald Trump com quem ele tanto se alinhava, incondicionalmente, até nas palavras quando os dois trataram a Covid-19 como uma gripe, e ainda tripudiou a China, com conotações discriminatórias.
A submissão humilhante aos Estados Unidos sempre foi declarada, o que denota uma aberrante contradição ao seu slogan “Pátria Amada” soberana do seu governo. Com a Índia seguiu o ordenamento do Trump na questão da quebra de patentes na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com sua diplomacia da morte, o ministro das Relações Exteriores, outro destrambelhado e aloprado no governo, chegou a dizer para formandos numa solenidade no Itamaraty que o Brasil ser chamado de pária é bom. É uma afirmativa de deixar qualquer um estarrecido. Os párias da sociedade deveriam ser condecorados.
Com todos esses relacionamentos desastrosos desde que assumiu a presidência (um acidente de percurso), o incompetente capitão só não esperava que no meio do seu caminho se encontraria com o maldito coronavírus. Como escreveu o poeta, “no meio do caminho havia uma pedra/havia uma pedra no meio do caminho.
Acontece que essa diplomacia extremista e retrógrada de isolamento está matando os brasileiros, as maiores vítimas do vírus, principalmente agora que a China dá o troco emperrando as negociações para a venda de uma matéria-prima para a fabricação da vacina CoronaVac. Do outro lado, a Índia cancela a venda de um carregamento de dois milhões de sua vacina.
O governo fala em problemas técnicos, mas, na verdade, a questão é toda política mesmo. Com um Ministério da Saúde confuso (um general comanda a pasta) e sem planejamento, depois da remessa de seis milhões de vacinas destinadas ao público que está na linha de frente no combate à Covid (muitos caras de pau furaram a fila), não se sabe quando o Brasil terá novas doses.
É uma tragédia anunciada, triste e lamentável que está ocorrendo com o nosso povo, que todos os dias chora pela perda de seus parentes, irmãos e amigos. É um rebanho que está sendo levado ao matadouro todos os dias por um governo negacionista da ciência que preferiu seguir os passos de um maluco dos Estados Unidos que também preferiu adotar a diplomacia da morte.
TANTO ALVOROÇO PARA POUCA COISA E A POPULAÇÃO PAGA PELAS BRAVATAS
OS GENOCIDAS LÁ DO PLANALTO DISCRIMINAM, XINGAM, INSULTAM OS CHINESES E O POVO É QUEM PAGA COM SUAS VIDAS. ATÉ QUANDO VAMOS SUPORTAR CALADOS TANTO SOFRIMENTO?
Muito alvoroço sensacionalista da mídia para pouca coisa, com informações desencontradas e outras que deixaram de ser ditas nas reportagens. Assim foram as coberturas jornalísticas nos primeiros dias de início da vacinação no país, principalmente na Bahia, onde os repórteres se preocuparam mais em entrevistas e dar destaque aos primeiros que receberam as doses contra a Covid-19.
Por falta de planejamento e estratégia do governo federal, que não tem um presidente e um Ministério da Saúde, na população ficou uma sensação de frustração e decepção. Mesmo tendo como público alvo prioritário a área de saúde, as vacinas (uma quantidade mínima de seis milhões) deveriam ser destinadas apenas àqueles que estão na linha de frente dentro dos hospitais.
Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, até porteiro foi vacinado e, em outros lugares, pessoal do setor administrativo. Conquista recebeu apenas quatro mil vacinas, mas bem mais gente que esse número na linha de frente está diretamente ligada ao tratamento dos pacientes. A mídia não divulgou esse quantitativo e nem sei se a Secretaria Municipal de Saúde tem esse dado.
Na pressa jornalística para sair na frente e mostrar as imagens, ora se dizia que a Bahia recebeu 376 mil vacinas, ora aparecia 370 mil. Para o município de São João da Mata, no recôncavo baiano, a TV Bahia anunciou 2.300 unidades, logo depois corrigido para 400, e depois se manteve a primeira informação. Não se sabe quantas vacinas seriam necessárias para cobrir todo Estado nessa primeira etapa prioritária.
Nas primeiras notícias ficou a impressão de que a vacinação passaria pelos postos de saúde, o que foi depois desfeito diante da pequena quantidade. Tudo isso por conta da falta de uma campanha antecipada de esclarecimento à população por parte do Ministério da Saúde. Aliás, o presidente que temos não está nem aí para vacinar o povo brasileiro. Houve mais pressão que interesse.
O POVO É QUEM PAGA
Outra questão crucial e frustrante é que diante do caos existente, não se sabe se esse primeiro público receberá a segunda dose. Pelo quadro confuso que se apresenta, quando vier outra remessa é para continuar vacinando o restante da área de saúde. Vamos torcer que não, mas tudo indica que será outro alvoroço para pouca coisa, sem contar a politização que ocorreu em muitos estados e municípios, como no Rio de Janeiro. É quando será a vez dos idosos com mais de 75 anos e o outro grupo dos 60 aos 75?
As negociações para adquirir insumos da China estão emperradas, e as vacinas que viriam da Índia foram canceladas. A “diplomacia brasileira” isolou o país do resto mundo, e todos sabem os verdadeiros motivos. Com a China, os bolsonaristas discriminaram e insultaram aquela nação, até com imbecilidades de que a vacina era comunista.
O governo chinês ficou irritado e deu um nó nas compras da principal matéria-prima. Pelas bravatas ignorantes de extremistas, o povo está pagando pela falta de vacinas que já deveria estar salvando vidas, enquanto mais de mil morrem por dia no país e mais de 200 mil já se foram. Em Manaus, há dias está ocorrendo uma tragédia anunciada.
A esta altura, quando vários países da América do Sul estão bem adiantados no processo de vacinação, o Brasil inicia com uma insignificante quantidade, apenas com a CoronaVac. Essa luz no túnel e essa esperança de que tanto falam estão mais para um pisca-pisca que, ora se acende e ora se apaga, nos deixando nas trevas.
O povo morre impiedosamente, como na peste bubônica dos tempos medievais, enquanto a tal da Anvisa dá seu show de burocracia e não libera a vacina de outros laboratórios. Na verdade, está havendo um genocídio no Brasil e não se toma uma providência urgente para se dar um basta nessa matança.
CHEGA DE TANTAS MALDADES!
EM VITÓRIA DA CONQUISTA ESTÃO ESCONDENDO A REAL SITUAÇÃO DE LEITOS DISPONÍVEIS PARA COVID-19. UMA SENHORA CONHECIDA NARROU SEU DRAMA AO TER CONTRAÍDO O VÍRUS. PROCUROU OS HOSPITAIS E NÃO ENCONTROU ATENDIMENTO. FOI OBRIGADA A SE TRATAR EM CASA. AINDA BEM QUE SE CUROU!
Na semana passada em um vídeo, um médico da linha de frente no combate ao corona não suportou tanta pressão no trabalho e fez um desabafo emocionante com relação ao presidente-capitão Bolsonaro. Não só a mim, ele deu voz a milhões de brasileiros usando a palavra chega senhor Bolsonaro de falar tanta merda!
Endosso aqui a sua revolta e acrescentaria que chega de tantas maldades contra o nosso povo! Chega de negar a ciência e sair por aí sem máscara estimulando aglomerações! Chega de nos humilhar nos chamando de “maricas”! Chega de dizer que a Covid é uma “gripezinha” quando milhares de pessoas estão morrendo em Manaus por falta de oxigênio! No lugar do oxigênio, o senhor mandou para lá carregamentos de cloroquina!
Chega, senhor Bolsonaro, de espalhar mentiras e incitar os seus monstros seguidores que, se for o caso se suicidam se ele mandar! Chega de dar mau exemplo como presidente e anunciar que não vai se vacinar, inclusive dificultando que ela chegue aos brasileiros! Chega de chamar jornalistas de homossexuais e canalhas! Chega de maltratar a nossa pátria que, cinicamente, o senhor diz ser “Pátria Amada”, quando ela não está cuidando de seus filhos!
Em seu caso, senhor Bolsonaro, o pior presidente na história do Brasil, não se trata aqui de ser de direita, de centro ou de esquerda “comunista”. Desde sua posse, em 2019, a única coisa que o senhor tem feito é destruir o país, com seu ódio e sua intolerância, discriminando negros, gays e outras categorias que não comungam do seu perverso pensamento.
O senhor não veio para construir, mas para destruir, como está ocorrendo com o desmatamento da Amazônia que, no ano passado, atingiu um aumento de 30 por cento em relação a 2019. Praticamente, o senhor acabou com o Ibama e relaxou a fiscalização para que grileiros fazendeiros avançassem mata a dentro derrubando a floresta. Incentivou a mineração para expulsar os índios de suas terras.
Por mau comportamento, o senhor foi expulso do exército, e agora quer acabar com o nosso Brasil, isolando o país do resto do mundo, tratando os chefes de Estado com grosserias. Por sua culpa, nós brasileiros servimos de piada lá fora, como atrasados que adotam práticas medievais. Somos hoje o país do retrocesso, e as desigualdades sociais crescem com milhões vivendo abaixo da linha de pobreza.
Como presidente, o senhor perdeu a oportunidade de ser um estadista nesse momento tão crucial para a nação onde mais de 200 mil pessoas já morreram de Covid. Deveria estar visitando os hospitais em todos os estados, dando apoio e um pouco de conforto às famílias desesperadas nas portas das unidades de saúde.
No lugar do senhor recomendar medicamentos condenados pela ciência e ficar em Brasília falando merda para seu bando de apoiadores extremistas fascistas que saíram do armário porque o senhor resolveu dar voz a eles, deveria estar unido com governadores e prefeitos ajudando no combate a esse maldito vírus.
Chega de nos tratar como imbecis, de subestimar nossa inteligência quando fala em democracia e liberdade, mas tentou fechar o Supremo Tribunal Federal e foi para movimentos de carniceiros pedir intervenção militar no país, o que equivale a uma ditadura, a qual o senhor mesmo nega ter existido. Chega de apoiar torturadores que mataram e desapareceram com presos políticos nos porões do regime militar. Chega de tantas maldades, tanta raiva, tanta crueldade e tanta merda!
A LUXÚRIA DO CORPO E A FRAQUEZA DO ESPÍRITO NO LIMITE DA ESTUPIDEZ HUMANA
O que está acontecendo em Manaus (uma tragédia vergonhosa para o mundo) e em muitas capitais do Brasil é resultado de uma estupidez humana que não tem proporções em nossa história. Tudo isso já era previsível (nem precisa de explicações de infectologistas) com as festas de final de ano, colocadas como prioritárias e inadiáveis no calendário consumista. É a luxúria do corpo e do espírito por uma tragédia anunciada.
Faz parte dessa estupidez, que pode ser chamada de manada suicida de rebanho, ou loucura da cegueira (coisa de animal irracional), um conjunto de fatores que empurraram as pessoas a saírem de seu equilíbrio mental. A mídia com suas chamadas sobre as festas e viagens nos feriadões, mostrando imagens de movimentos de compras de presentes em lojas e shoppings também contribuiu, de certa forma, como atrativo às aglomerações.
UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA
Sem falar dos negacionistas da ciência, que entraram na onda da psicopatia de um capitão-presidente que chama a Covid-19 de “gripezinha” e os brasileiros de “maricas”, o próprio consumismo doentio deixou as pessoas inebriadas por comemorar essas datas como se fosse um grande pecado e uma falha imperdoável deixa-las passar em branco, mesmo que seja uma única vez em suas vidas.
A mídia tem sua parcela de culpa quando nesse momento tão crucial, em se tratando de vidas humanas, só enxerga o seu lado comercial, embora tenha advertido quanto aos perigos das aglomerações. Entendo ser mais sensato não dar ênfase em coberturas jornalísticas dessa natureza, como as lives que os artistas carnavalescos de Salvador estão anunciando para o período dos festejos que foram cancelados.
Outro fator que traduz essa estupidez humana está nos pais dos tempos atuais, os quais perderam por completo o controle em seus filhos. Atualmente, os jovens não obedecem aos seus pais (não confundir liberdade com libertinagem e nem o individual como o coletivo) e caem nas baladas com o papo imbecil de que têm direito de ir e de vir e precisam se divertir.
Não sou nenhum cientista, mas no início das eleições afirmei para muita gente que o pior estava por vir entre final de dezembro e início de janeiro de 2021. Portanto, para mim trata-se de uma tragédia anunciada. A grande maioria se fez de cega, surda e muda, tudo pela ganância de ganhar mais dinheiro e pela luxúria do corpo que sufoca o espírito.
Bem, os tristes e lamentáveis fatos estão aí, e não é nenhum exagero da mídia, como um bando de idiotas abre a boca fedorenta para dizer. É duro, mas as pessoas estão morrendo por falta de oxigênio e leitos de UTIs nos hospitais. O mais revoltante ainda é aturar um governo que nada faz para minorar essa situação dramática que fugiu totalmente do controle.
Fosse outro governo, não importa se de direita, de centro ou de esquerda, comunista ou não, estaria tomando todas as providências urgentes para salvar vidas. Estaria presente 24 horas do dia para prestar assistência. Estaria, há muito tempo, alertando a população para seguir os protocolos e regramentos contra o vírus. Estaria agindo com planos de combate e de socorro imediato. Tenho certeza que pior do que este não existiria, nem vai mais existir, seja quem for, não importa o partido político.
Não, o presidente que temos dá mau exemplo quando sai sem máscara; fala barbaridades; xinga os jornalistas, chamando-os de canalhas e de mau caráter; e provoca aglomerações com seus seguidores extremistas da morte. É um presidente que nos envergonha, nos deixa depressivos e horroriza o mundo com essas cenas de genocídio.
É preciso ser muito insensível e desumano para não se revoltar e se angustiar com o que vem ocorrendo com nossos irmãos. Um dia a história vai culpar a todos nós por essa estupidez. Os monstros ainda encontram espaço para propagar fake news e soltar mentiras para confundir o povo desinformado e inculto. Essa não é uma “Pátria Amada” que deixa seus filhos morrerem à mingua. Onde está esse sentido de Deus, Pátria e Família?
INDIVIDUALISMO E COMODISMO
Um dos males do nosso país é o individualismo, muito parecido com o comodismo, que anda de mãos dadas com o desrespeito aos outros. Ele está visível em todas as partes, principalmente nessa época de pandemia onde ainda tem gente imbecil que berra ser livre para andar sem máscara, e até não tomar a vacina. No trânsito ele anda a mil por hora. Sinceramente, é de dar raiva! Os caras param bem em frente de um sinal proibido e liga o alerta, como se isso estivesse acima da lei de trânsito e anulasse o sinal de que ali não pode parar. Em frente ao Banco do Brasil, na Avenida Olívia Flores, é de estarrece como o ser humano é individualista e comodista. Existe a sinalização horizontal e vertical indicando não estacionar, mas o motorista comodista insiste. Só falta parar o carro dentro do banco. Logo mais na frente tem uma transversal onde existem vagas, mas o indivíduo acha que dá muito trabalho ir até lá e voltar andando até a agência para realizar sua transação bancária. Confesso mesmo que não consigo entender essa gente. Dia desses, presenciei a chegada de agentes do trânsito que ainda tiveram a tolerância de chamar a atenção dos donos dos veículos irregulares de que no local é proibido estacionar, e lá está a sinalização. Será que eles são cegos e dirigem? Por toda a cidade, a desobediência às leis de trânsito estão por todas as partes através de dirigir e falar no celular; não usar o cinto de segurança; dar “roubadinhas”; e estacionar nas avenidas Juracy Magalhães, Luís Eduardo e outras, tomando uma pista. Essas pessoas não deveriam viver em sociedade, pois elas nem estão aí para os outros, e ainda chamam os políticos de safados, ladrões, corruptos e egoístas.
TERRA ARRASADA
Soneto do jornalista Jeremias Macário
A geleira se derrete e o planeta treme e aquece;
O ancião olha o chão rachado e faz a sua prece;
O verde vira inferno nas carvoarias lambuzadas;
Queimadas matam as matas pra entrar manadas.
Furacões e tempestades retorcem vilas e cidades,
No flagelo de povos esmagados nas calamidades,
E o ranger das placas explodem fogo e terremotos;
Numa terra arrasada de pestes e famélicos mortos.
Rios secam poluídos de metais vertendo sangue;
O mar avança no galope dos ventos da noite fria,
E o pintor do mangue risca a paisagem que existia.
Raios e meteoritos deslizam entre a estrela guia,
E Deus recria outra esfera com raiz forte e sadia,
Recompondo os seres para cumprir sua profecia.
DA VIDA À MORTE, AS DESIGUALDADES SOCIAIS SÃO GRITANTES NO BRASIL
,
Por que quando o pobre morre de Covid-19 o caixão sai diretamente do hospital para o cemitério, sem direito a velório e enterro pelos parentes e amigos, enquanto o rico, o político, um famoso ou uma celebridade têm todas as cerimônias funerárias normais e ainda é sepultado um dia depois? Será porque o vírus do rico é diferente e não pega?
Não é necessária muita explicação para entender a gritante desigualdade social no tratamento entre o rico poderoso e o pobre zé ninguém. Essa desigualdade começa no nascer e continua até na morte. Ainda tem gente que diz que na morte todos são iguais. É uma pura mentira. Só não tenho certeza sobre o espírito no pós-morte, no outro além do além.
É muito triste, mas essa é a face suja da nossa sociedade capitalista selvagem, cruel e hipócrita que fala de solidariedade e igualdade. Essa pandemia serviu para escancarar a realidade escondida dentro desse podre sistema, como essa a qual me referi acima, e por ter colocado nas ruas as caras sofridas de mais de 30 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza. As imagens das filas nos bancos não mentem.
Não foi somente o caso da morte por Covid do prefeito de Goiás que teve cortejo fúnebre e velório, mas de tantos outros pelo Brasil a fora. Desde a chegada do coronavírus no início do ano passado até hoje vemos todos os dias na televisão cenas chocantes de pessoas pobres sendo enterradas às presas em valas comuns (caixões amontoados), sem velório e até sem a presença de parentes mais próximos. Como consolo, muitos acompanham pelo celular de forma virtual entre choros, revolta e lágrimas.
Confesso que em nenhum momento vi a nossa mídia questionar esse tratamento tão desigual e desumano, como tantos outros fatos que ela tem deixado passar em branco. Sou jornalista profissional, mas jamais vou me furtar de levantar minhas críticas. Infelizmente, ela hoje só tem feito o factual e, mesmo assim, como uma péssima qualidade nas coberturas. Não se faz mais jornalismo como antigamente.
Além de matar muito mais pobres que são vulneráveis e só têm os hospitais públicos, os quais estão hoje superlotados, o rico e o poderoso vão para o Sírio Libanês e outras unidades particulares, com toda a infraestrutura necessária para salvar o paciente. O que estamos vendo no Brasil é um genocídio, cuja maior culpa é do governo federal que tem debochado da pandemia chamando-a de “gripezinha”, além de se posicionar contra o isolamento.
“O DIA “D” E A HORA “H”
Vários países estão vacinando seus habitantes (Inglaterra já está entrando na segunda dose), inclusive nossos vizinhos nas Américas Central e do Sul, enquanto o Brasil ainda está discutindo se a terra é plana ou redonda, ou qual é a cor da água. A angústia, as incertezas e a aflição tomam conta de um país sem rumo, com os extremistas berrando barbaridades.
O general intendente do Ministério da Saúde disse em público numa entrevista totalitária (sem perguntas dos jornalistas) que o Brasil vai começar a vacinar seu povo no “Dia “D” e na Hora “H”. Na linguagem militar de guerra, deve ser, então, no dia 6 de janeiro de 1944 quando da invasão da Normandia durante o final da Segunda Guerra Mundial. A hora não se sabe, mas pode ser num amanhecer, ou numa calada da noite. Quanto ao ano, vamos ter que voltar ao túnel do tempo.
Bem, a guerra do Dia “D” deverá ser contra a vacina da CoronaVac (a chinesa “comunista”), do governador de São Paulo, João Dórea. Não se tem ideia também do local onde as tropas vão desembarcar. Isso é estratégia logística de general. Trata-se de um segredo de Estado que não pode ser revelado. Se ocorrer vazamentos, com certeza cabeças vão rolar.
A arma do general, em combinação com o capitão-presidente (obediência total às suas ordens) será a vacina AstraZeneca, da Oxford, comprada pela Fiocruz. Tudo está dependendo de um sinal da Anvisa para que aconteça o Dia “D” e a Hora “H”, com fotos, imagens e tudo que o capitão e o general têm direito para sair na frente.
Quem será o primeiro da fila? É uma incógnita, mas não será a “gripezinha”, que não é nenhuma “marica” para se submeter a uma agulhada com seringa. Falam por aí que pode ser até um general. A agulha e a seringa serão usadas para todos, pois não existem outras no estoque. Guerra é guerra e não se fala nisso!
Nesse nosso esbofeteado país tão confuso, onde todos mandam e ninguém manda, meus amigos, só “rindo para não chorar”. Também, não é de hoje que servimos de piada para os estrangeiros lá fora. Deixando a brincadeira de lado (só para descontrair), a coisa é muito séria, pois mais de 200 mil já morreram e atingimos um pico maior que o primeiro do meado do ano 2020.
Sem querer ser pessimista, estamos entrando na segunda quinzena de 2021 e até agora nada mudou para melhor. Continuam no topo o individualismo e o egoísmo das pessoas em geral contra seus semelhantes. A violência, o ódio, a intolerância e o desrespeito só aumentam.
Acabaram-se as doações de Natal; os artistas endinheirados da Axé Music estão preparando suas lives para o carnaval cancelado de fevereiro; os empresários comerciantes atrás do dinheiro; e os pobres morrendo aos montes. É este o quadro! Vamos torcer para que as coisas mudem, e o “Dia “D” e a Hora “H” sejam abreviados, sem guerra e mortes, mas com vida e liberdade para todos brasileiros!
A INSENSATEZ DOS CARNAVALESCOS
Com toda essa pandemia ceifando vidas, com mais de 200 mil mortes no país, com tanta barbárie e desmando do governo federal, com tantas incertezas sobre essa vacina, os artistas do axé music (só tem lixo) se preparam para fazer lives durante os dias previsto do carnaval, o qual foi cancelado na Bahia e no país em geral. Só pensam neles e na vaidade de se manter na mídia.
Esse pessoal está cheio da grana e ricos de tantos carnavais passados, e não necessita disso. Considero uma insensatez, e também da mídia que anuncia a festança com exultação e regozijo. Será que esse pessoal não imagina que essas lives, inclusive em trios elétricos, vão servir de atrativo para aglomerações de seus fãs em bares, espaços de eventos, clubes e até dentro de suas casas com amigos?
Como sempre tenho comentado, a nossa mídia, infelizmente, deixou de ser questionadora e não tem a coragem de contestar contra esses “famosos” que dão audiência para ela. Onde fica a reflexão para dizer que essas lives vão incitar as pessoas a saírem às ruas para festejar o carnaval? Muitos vão aproveitar para colocar telões em espaços proibidos de festas e até cobrar ingressos.
É um grande mau exemplo dessa gente do axé, como Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Olodum, Bel Marques e tantos outros. Deveriam, pelo menos, ter sentimentos e respeitar os mortos. Não é tempo de festejar, mas de clamar por isolamento, e que todos sigam os protocolos de precaução contra esse vírus maldito.
De um lado, fazem pronunciamentos de lamento e de pesar pelas perdas de vidas. Do outro, inventam de fazer lives, comprometendo os regramentos recomendados pela Prefeitura de Salvador, pelo Governo do Estado, dos infectologistas e dos médicos.
Será que eles não estão acompanhando os noticiários dos superlotamentos nos hospitais, inclusive de pessoas morrendo à mingua nos corredores? Mas não! Se esses artistas endinheirados pegarem Covid vão logo para o Sírio Libanês, ou outras unidades de saúde particulares, com toda estrutura. Já os pobres que entram na onda deles, vão morrer nas portas dos SUS.
Para eles, pomposas lives com coreografias e muita curtição (ganham até cachês de patrocinadores e emissoras de televisão), enquanto os músicos que tiram seus sustentos nos bares e algumas casas de shows estão na amargura, comendo o pão que o diabo amassou, agora sem o auxílio emergencial do governo.
É assim que se dizem solidários com os seres humanos e até mandam que todos se cuidem? É o tal do morde e assopra. Considero tais atitudes como hipócritas e incoerentes. Eles deveriam é estar lutando nos meios de comunicação convencionais, nas redes sociais e entre seus fãs para que cobrem do governo federal (não está nem aí para a situação de calamidade) mais pressa para vacinação já.
Da minha parte, sou contra esse comportamento de indiferença desses artistas e da própria mídia que dá cobertura. Não me incomodo com críticas, mesmo porque já estou calejado de ser chamado do contra e de outras coisas mais. Sinceramente, não consigo entender essas loucuras e devaneios do meu país!
Posso estar até errado, mas essa é a minha posição. Infelizmente, estamos num país paradoxal e contraditório, que vive uma psicopatia generalizada onde impera o egoísmo e o individualismo. Nesse caso específico das lives do carnaval, estão colocando o sucesso acima da vida e provocando mais mortes. Está colocando o povo em mais riscos.
IMAGEM, LUZ E A FOTOGRAFIA
Pelas lentes do jornalista Jeremias Macário, as imagens já dizem tudo. No lugar do texto, a imaginação
UMA HOMENAGEM AO DIA DO FOTÓGRAFO
Já disseram que uma boa imagem vale por mil palavras, mas depende muito do fotógrafo ter sensibilidade para captá-la (olá meus amigos Zé Silva, José Carlos D´Almeida, Edna Nolasco, Sabiá, Raimundo Leser, Ney, Cadete que já se foi, dentre muitos outros). A minha homenagem a todos.
Diria que a imagem fotografada, por si só, já é uma poesia nos seus detalhes porque ela nasceu da luz que deu vida e origem ao universo. Portanto, por essência, o fotógrafo é um artista da poesia, hoje tão pouco valorizado por causa da tecnologia do celular que banalizou, em termos, a profissão.
Ontem, foi o Dia do Fotógrafo, infelizmente pouco lembrado pela nossa mídia, mas aqui saúdo a todos que trabalham com a imagem, a luz e a fotografia. Nos meus 50 anos de jornalismo (desde 1971) aprendi que existem determinados textos onde pode ser publicado sem uma foto (no caso da pressa e da falta de espaço), mas em outros seria um pecado divulgar a matéria sem uma foto.
Um dos exemplos, dentre milhares, citaria uma matéria de filas de banco. Como publicar essa reportagem sem o acompanhamento de uma ou mais fotos? Seria uma “prevaricação” jornalística, no bom sentido. O leitor, ou o telespectador, indagaria logo: Cadê a foto, ou a imagem? Aí é onde ela vale por mil palavras.
No jornalismo, o repórter de redação e o fotográfico são como a dupla de Cosme e Damião, sempre andam juntos atrás dos fatos e dos acontecimentos na busca pela melhor história para o seu público. Durante cerca de quinze anos, eu e meu companheiro Zé Silva fizemos isso em nossas andanças pelo sertão do sudoeste, ora entrevistando prefeitos, produtores e empresários, ora cobrindo calamidades, denunciando invasões, corrupções e os estragos provocados pela seca.
Além da fotojornalismo, o fotógrafo também é um artista da pintura quando capta as mais belas paisagens da natureza, um pássaro raro, um pôr-do-sol deslumbrante e poético, ou uma imagem que só é vista pelos olhos e pelas lentes de um grande fotógrafo. Ele vê o que muitos não veem.
Fotografia também é história quando se documenta personalidades, reuniões e eventos familiares, guerras, rebeliões, manifestações de ruas, protestos e até ações de regimes tirânicos e ditatoriais. Ele deixa um legado para a nossa posteridade (olá meu amigo Evandro Teixeira que correu mundo) e nos deixou inéditas imagens dos nossos povos.
O texto pode ser até contestado, dependendo do interesse do acusado ou da interpretação do fato, de acordo com o julgamento e a ideologia de cada um, mas a foto é incontestável. Ela não pode ser desfeita, a não ser pelo tempo. Ela serve como prova criminal em audiências e para tirar dúvidas processuais. Uma foto consegue até levantar um texto fraco.














