Nos últimos tempos, a palavra empoderamento foi e ainda está sendo a mais comentada, principalmente por mulheres e negros, mas também a mais deturpada e banalizada. Nesse carnaval, então, foi um tal de empoderamento pra lá e pra cá, sem sentido e de maneira leviana.

Muitas mulheres acham que rebolar a bunda e mostrar as pernas em trajes praticamente nus é empoderamento. Deixar o cabelo crespo e fazer outros gestos é empoderamento. Qualquer coisa que se faz diferente, lá vem o tal do empoderamento que sai da boca, sem pensar e refletir.

Tenha consciência política, conquiste seus objetivos, seja ponto de liderança, se instrua, aumente seu nível intelectual, seu conhecimento, seu nível econômico e social, participe ativamente da vida política do país e aí pode dizer que está se empoderando. De um modo geral, vejo um povo submisso e oprimido, muito longe do empoderamento, tão banalizado.

Não é cabelo, bunda, pernas e colocar besteiras de sua vida nas redes sociais que lhe faz de empoderado. Aliás, depois da internet e do celular, as pessoas ficaram mais ridículas, fazendo selfies de si em qualquer lugar e passando para todo mundo ver, como forma de necessidade de se aparecer, de descarregar suas frustrações interiores.

Num país de tão profundas desigualdades sociais, de tanta miséria, falta de justiça para os mais pobres, de tanta homofobia, preconceito, misoginia e racismo, o empoderamento passa longe. Temos um presidente com todos esses predicados negativos, mas, mesmo assim, conta com apoio de milhões e recebe votos das mulheres, negros e homossexuais.

Se toda essa gente de que falo se sentisse empoderada e não votasse nele, não teria sido eleito e nem mais pensaria em reeleição. Não é fazendo seu corpo de objeto que vai lhe dar poder. Muito pelo contrário, lhe aniquila como gente. No Brasil dos paradoxos e de tantas contradições, as pessoas saem por aí falando muita coisa sem refletir e colocar seus 10% da cabeça para raciocinar.

Nos apropriamos muito do termo empoderamento, enquanto o governo que aí está manda uma banana para a nação e profere palavras escandalosas de preconceito contra as mulheres, os negros e índios, e a reação é tímida. Estamos sendo engolidos pela besta fera e nem percebemos.

Multidões abarrotam ruas, praças e avenidas dos carnavais de uma semana, e pouco estão ligando para o que está ocorrendo com o povo, com o seu país de milhões de analfabetos e excluídos. Só pensam no seu eu individual, não importando as catástrofes e tragédias que há pouco tempo aconteceram em Belo Horizonte e em São Paulo.

Vamos lutar por mais dignidade e falar mais de política, sem rancor, intolerância e xingamentos. Precisamos nos unir e não se dividir como ocorreu nos últimos anos. Estamos é nos proibindo de falar em política para evitar briga e morte. O empoderamento ainda passa longe. Não seja banal e fútil com as palavras.