Durante o mês de fevereiro o país, que há anos já vem sofrendo uma profunda crise econômica, praticamente paralisa suas atividades para as falias momescas, onde o rico fica mais rico e o pobre mais pobre, aumentando assim a concentração de renda e as desigualdades sociais que estão entre as maiores do mundo.

Os protagonistas da festa – prefeitos, governadores, empresários e a própria mídia – com suas falsas propagandas demagógicas jogam luzes na plateia famélica para extravasar suas emoções e frustações de que a festa oferece milhões de empregos, e que vale a pena investir milhões de reais dos cofres públicos em detrimento da educação e da saúde.

Todos ficam contentes e felizes, e já com o seu escasso pão, se contentam apenas com o circo. A multidão desvairada arrasta chinelo no asfalto, enquanto a elite se deleita do alto de seus camarotes fazendo cálculos de seus pomposos lucros no final da bagaceira.

Os políticos de plantão no poder municipal e estadual, principalmente, disputam seus espaços para ver quem ganha mais voto. Os donos de trios elétricos, de bandas, de agências de viagens, de hotéis, das indústrias de bebidas e dos camarotes fazem a engorda, colhendo a supersafra.

Os pobres ouvem o canto da sereia e eufóricos entram na festa dos ricos, dizendo a si mesmos que é tempo de desabafar suas mágoas e esquecer as durezas da vida escrava. Pulam como pipocas na panela, gastam o pouco que têm e ainda ficam endividados no arrastão das ressacas.

Tem gente que torra até o dinheiro da feira e deixa a família em necessidade, mas não perde o carnaval de mais de uma semana de puro lixo musical e porrada da polícia. Com sacrifício e sofrimento, (dormem nas ruas) muitos montam suas barraquinhas de comidas e bebidas para no final ganhar uns míseros trocados, quando não saem tristes diante do prejuízo.

A classe média mais baixa, que prefere ficar longe do fuzuê maluco, entra na onda dos mais ricos e estouram todo o dinheirinho numa viagem de passeio para as praias ou locais turísticos onde deixam suas parcas economias nas mãos dos hoteleiros. Muitos até ficam sem pagar as mensalidades escolares dos filhos, que nos colégios passam vergonha pelo atraso dos pais.

Nesta época, os movimentos nas estradas se elevam, e os acidentes com feridos e mortes são assustadores, o que resulta em mais gastos para o sistema de saúde que já está em total calamidade. Mesmo assim, num país em crise, com milhões desempregados e vivendo na extrema pobreza, eles tentam incutir e convencer que vale a pena investir milhões, para oferecer umas vaguinhas temporários, utilizando mão-de-obra escrava.

É assim o cenário dessa Roma do circo sem pão onde o ano de atividades só começa mesmo a partir de março. Na volta da ressaca, o pobre está mais pobre, e o rico mais rico, curtindo suas mordomias. Logo depois aparecem os feriadões de final de semana e tudo volta ao mesmo ciclo da decadência. A mídia adora, e também leva seu quinhão à custa dos otários que entram na manada em disparada.