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:: ‘Notícias’

PRINCIPAIS PARTICIPAÇÕES DAS MULHERES NA POLÍTICA BRASILEIRA

Diploma de Vereadora de Nilda Iris Vaz Borges, expedido pela zona eleitoral de Patos de Minas no ano de 1912

Em 1929, Alzira Soriano conquistou 60% dos votos e em 1º de janeiro do ano seguinte foi empossada prefeita de Lajes, no Rio Grande do Norte. Foi à primeira mulher da América Latina a assumir o governo de uma cidade.

A ata geral emitida pela 13ªjunta apuradora do Tribunal Eleitoral de Quixeramobim prova a conquista de Quixeramobim. Aos 12 de outubro de 1958 a 13ª junta apuradora da Justiça Eleitoral da comarca de Quixeramobim declarava encerrada a apuração dos votos para o cargo majoritário no município sertanejo situado a 206 km de Fortaleza. O extrato da ata geral anunciava Aldamira Guedes Fernandes vencedora do pleito para o Poder Executivo local. Com maioria absoluta de votos, exatos 59%, comemorava a conquista, sendo empossada aos 25 de março do ano seguinte. No Brasil, pela primeira vez, uma mulher assumia o cargo por meio do voto livre.

Daquela época, a pioneira no cenário político nacional recorda que não existiam comícios, não se distribuíam bonés e nem blusas dos candidatos; não havia carros de som fazendo propagandas pelas ruas, cartazes e nem outdoors. Ela explica que só existiam duas amplificadoras de som na cidade. Uma delas, a da Paróquia de Santo Antônio e a outra, do radialista Fenelon Câmara. “A gente tinha que conquistar o eleitor era na visita, na conversa, mostrando nossas propostas de trabalho. Era comum a gente pedir o voto às comadres e compadres, assegurando por conta disso, uma boa margem de votos”, diz ela.

Em 1933, Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira deputada federal brasileira por São Paulo.

Em 1935 Maria do Céu Fernandes foi eleita para A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e segundo a página oficial da prefeitura de Lages deu ao estado também o título de eleger a primeira mulher deputada estadual do Brasil.

Em 1979, Eunice Michiles tornou-se a primeira senadora do Brasil.

Entre 24 de agosto de 1982 e 15 de março de 1985, o Brasil teve a primeira mulher ministra de Estado, foi Esther de Figueiredo Ferraz, ocupando a pasta da Educação e Cultura.

Em 1986, Iolanda Fleming se tornou a primeira mulher a governar um estado brasileiro.

Em 1986, Maria Luíza Fontenele tomou posse como à primeira mulher prefeita de uma capital estadual brasileira.

Em 1989, Luíza Erundina tomou posse como à primeira mulher prefeita da maior capital do país.

Em 1989, ocorre a primeira candidatura de uma mulher para a presidência da República. A candidata era Lívia Maria Pio, do PN (Partido Nacional).

Em 1990, Zélia Cardoso de Mello foi empossada como a primeira e única mulher a ocupar o cargo de ministra da Fazenda.

Em 2006, Ellen Gracie, então Presidente da Suprema Corte, foi, interinamente, a primeira mulher presidente do Brasil. Na necessidade do Presidente, do Vice e dos presidentes do senado e câmara baixa irem à Argentina, ela foi à Base Aérea se encontrar com o então presidente Lula para a sucessão do cargo.

Em 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff (PT – Partido dos Trabalhadores) venceu as eleições presidenciais no segundo turno, tornando-se a primeira mulher a ser eleita presidente da República Federativa do Brasil.

Ela é a segunda mulher chefe de estado do Brasil República, e a 5ª Chefe de Estado da História do Brasil, 195 anos depois de D. Maria I.

 

SURGE A IDEIA DO SARAU NA FEIRA

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O Sarau lítero-musical que há mais de cinco anos vem sendo realizado no Espaço Cultural “Aestrada”- rua “G”, 296 – Jardim Guanabara, em apresentações e discussões internas entre companheiros cantores, compositores, professores e literatos está percebendo que está na hora de pegar a estrada e ir até onde o povo está como já disse o poeta músico Milton Nascimento em suas cantorias e andanças.

Esta ideia vem sendo amadurecida e debatida nos encontros e até foi programada uma viagem para Lençóis (proposta do professor Itamar Aguiar) em dezembro no ano passado, mas devido a um pequeno impasse não foi possível ser concretizada. Os debates, as cantorias, as declamações poéticas e as críticas levantadas não podem ficar apenas entre um grupo fechado.

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Novamente a questão foi ventilada no último e primeiro Sarau do ano que tivemos aqui no Espaço no sábado (dia 05/03) quando o cantor e compositor Walter Lages fez a proposta de fazermos “A Poesia ou o Sarau na Feira”, a começar pelo Bairro Brasil, para conversarmos diretamente e cara a cara com o povo.

A intenção também é levarmos este formato de arte, num mistura de música e literatura, para as escolas públicas e outros locais. O conhecimento não pode ficar restrito a um grupo e sabemos muito bem que a população em geral tem sede de cultura neste país e estado onde as tradições foram destroçadas. Conquista é carente de opções culturais, mas isso não pode ficar apenas na crítica da cobrança do poder público.

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Os mais assíduos do nosso Sarau, como Itamar Aguiar, Moacir Mocego, Mano Di Souza, Dorinho, Cleide, Marta Moreno, Walter Lages, Pietro, José Carlos D´Almeida e outros que sempre se fazem presentes em nossos eventos do sábado à noite comungam da mesma ideia, mas o projeto precisa ser colocado logo em prática. Sem concretização, as palavras se vão ao vento.

Sempre temos um artista ou visitante de primeira vez. No último sábado apareceu o compositor e instrumentista do violão Caio Demitri que nos brindou com belas músicas e com suas discussões filosóficas. Essa gente boa e talentosa precisa dividir um pouco do conhecimento e sabedoria para os outros numa ação de doar cultura, sem interesse comercial e financeiro.

Nossos saraus são recheados de músicas boas, inclusive autorais, causos, histórias, estórias, piadas, declamações, apresentações de grandes nomes da literatura e outros debates variados. O professor Itamar, por exemplo, sempre traz assuntos polêmicos. Dessa vez foi uma publicação de um jornal antigo dos anos 80, se não me engano, sobre o guerrilheiro revolucionário Carlos Marighela com seu poema “O País de Uma Nota Só”. Sabemos que ele como estudante de engenharia civil na Ufba respondeu uma prova de física em versos.

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Falei de Fernando Sabino que descreveu o jeito mineiro; os dez mandamentos sobre o político; o papel da mulher com o rosário na mão contra o comunismo em Minas Gerais em apoio ao golpe militar; e a ação do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais – o IPES que empurrou o exército para a intervenção militar em 31 de março ou 1º de abril de 1964.

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O que mais se ouviu foi o som da viola dos violeiros e uma boa conversa num ambiente de cordialidade, mesmo nos momentos mais acirrados das discussões políticas, filosóficas e antropológicas. O papo rola enquanto se toma um vinho, uma gelada, uma cachacinha e se forra o estômago com algum tira-gosto que ninguém é de ferro para varar a noite sem comer.

 

FABRÍCIO PEDE AGILIDADE NA IMPLANTAÇÃO DA UPA

A conclusão das obras da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e o aporte de recursos no Hospital de Base de Vitória da Conquista foram as duas principais reivindicações apresentadas pelo deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB) ao secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, em reunião, nesta segunda-feira (7). Fabrício explicou ao secretário que é urgente entregar a UPA porque a demanda local cresce a cada dia e Conquista ainda atende pessoas de toda a região. As obras da UPA estão na reta final e o secretário garantiu agilizar sua inauguração e destinar mais recursos para o Hospital de Base.

O deputado ainda tratou sobre a campanha de combate ao mosquito da dengue. Vilas-Boas disse que está acontecendo uma ação conjunta entre município e Estado e que mais recursos serão investidos em campanhas de prevenção e conscientização, visando reduzir os casos. Segundo Fabrício, a ação do governo estadual e da prefeitura é importante, mas é fundamental que a população faça a sua parte. “É inadmissível que a gente deixe esse mosquito, que pode estar no nosso quintal ou no nosso vasinho de planta, ameaçar a nossa vida”, ressaltou o deputado e pré-candidato a prefeito de Vitória da Conquista, Fabrício Falcão.–

Luciana Oliveira I (77) 99132-0316 (Tim/Whatsapp)

Assessoria de Comunicação – Dep. Estadual Fabrício (PCdoB)

 

“A CORTE DO CZAR VERMELHO” (PARTE FINAL)

Do livro de Simon Sebag Montefiore

No final de 1940 mandou Molótov, seu ministro do Exterior para Alemanha. Conversou com Hitler que o advertiu de que a Rússia estava muito ambiciosa e reunindo muitas tropas no leste europeu. Desconversou de que era coisa pequena de treinamento.

Como não era nada besta, Hitler baixou a Diretiva número 18 colocando a invasão contra a Rússia no topo da sua agenda. Logo depois veio a Diretiva 21, a chamada “Operação Barbarosa”. Os grandes generais Jdanov e Jukov advertiram que Hitler ia atacar, mas o líder não acreditava.

Com seus exércitos despreparados e uma força aérea onde seus aviões só caiam, Stálin chegou a declarar que a União Soviética só teria condições de enfrentar a Alemanha em 1943, mas Hitler já atraia para seu campo a Bulgária, a Romênia e a Iugoslávia. Do outro lado, o líder russo achava que a Inglaterra estava armando uma cilada contra seu país.

Em meio a tantas desavenças e traições na corte, um oficial da aeronáutica depois de tomar umas e outras vodcas apimentadas disse na cara de Stálin que ele estava obrigando os soldados a voarem em caixões. “Você não deveria ter dito isso”. Não durou muito para ser preso, torturado e fuzilado.

O cerco estava apertando contra a Rússia, quando ainda incrédulo, Stálin lembrou Bismarck em 1870 quando advertiu que a Alemanha jamais deveria enfrentar uma guerra em duas frentes. Foi o maior erro de Hitler não ter ouvido o ditador. Acontece que em 1943 por insistência de um de seus oficiais e contra sua avaliação ele abriu duas frentes contra a Alemanha.

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UMA NAÇÃO DOENTE

Uma mulher grávida chora aos prantos porque tentou várias vezes e não conseguiu fazer uma ultrassonografia do seu bebê por falta de atendimento. Ela teve zika vírus e teme que seu filho nasça com microcefalia. Nos postos de saúde e nos corredores dos hospitais muito lamento e lágrimas por perda de entes queridos que não encontraram um leito para serem socorridos a tempo.

Médicos mais conscientes de suas missões desabafam e bradam que não têm condições de trabalhar porque estão sobrecarregados de serviços; equipamentos estão quebrados; e faltam produtos básicos até para simples tratamentos de curativos de baixa complexidade. O horror continua nas filas para marcar um exame médico e pobres coitados gemem de dores nas portas dos hospitais sucateados.

As propagandas institucionais do governo mentem descaradamente quando recomendam que o cidadão faça exames preventivos do câncer, do diabetes, do coração e outras doenças malignas porque elas tratadas antecipadamente têm maior probabilidade de curas, como se cada brasileiro tivesse um médico particular. A grávida deve fazer seu pré-natal, regularmente. Pura ilusão! É o cúmulo do paradoxo que poucos questionam. Só derramam lágrimas e rezam.

A mídia televisiva, que agora divide seu noticiário entre a epidemia da corrupção no país e as doenças físicas dos brasileiros, faz sua média também “ensinando” a prevenção que não tem atendimento médico. Os excludentes da nação doente acreditam na propaganda e nem se tocam que há muito tempo estão esquecidos e abandonados.

Há um ano espero por um tratamento novo de hepatite C no fígado que pode me dar mais tempo de vida. Dependo do plano SUS, ou do susto como muitos dizem por aí. Há mais de um mês meu médico me pediu um exame de endoscopia. Também aguardo na fila ser chamado. Milhares e milhares morrem antes de realizarem seus exames. Não existe direito constitucional.

A corrupção e a incompetência dos últimos governos que iludem o povo com “políticas sociais” populistas de bolsa família para acalentar a miséria deixaram os mosquitos invadirem o Brasil e agora fazem o marketing com os exércitos nas ruas como se a propaganda fosse exterminar com os insetos que provocam a dengue, a chikungunha e o zika.

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“A CORTE DO CZAR VERMELHO” (PARTE II)

Final dos anos 20 (século XX) e início dos anos 30, milhões de camponeses (kulaks) morreram de fome e fuzilamento pelo Terror decretado por Stálin e seus magnatas, os quais exageravam na dose para bajular seu grande líder, que tudo fazia para alinhar sua gente ao massacre como ter as mordomias da Casa do Cais.

Segundo relato do escritor Simon Sebag Montefiore, em “A Corte do Czar Vermelho”, a Ucrânia foi o povo mais sacrificado pela perseguição totalitária do regime em tomar os grãos na marra para sustentar as cidades famintas. O homem chamado Khruchióv que abriu o dossiê dos crimes de Stálin depois da sua morte, em 1953, foi um dos maiores carrascos dos ucranianos ao lado do chefe da NKVD, o depravado Iejov (depois o Béria).

Somente em 1938 quando Hitler começava suas anexações e invasões na Europa, 106 mil foram presos pelo Terror do czar vermelho que substituiu Lênin em 1924. Antes imperava o Nicolau II que caiu com a Revolução de 1917. Os executores dos camponeses e de todos aqueles suspeitos de contrariar o regime sobreviviam bebendo em suas datchas nas festas intermináveis.

Para punir as loucuras de Iejov que levava até homossexuais para fazer orgias no Kremlin, Stálin teve que importar, contra seu gosto, toda gangue do inconveniente e indesejado Béria que, um dia, por volta de 1943/44 ele o chamou de olhos de serpente. Não confiava no homem, mas tinha que aturá-lo.

Como todo russo é um czar, conforme declarou alguém da corte, nos dias de hoje temos o Putin que herdou a mão de ferro e tenta imitá-lo. Não por menos, seu avô (de Putin) chegou a ser chefe de cozinha em uma das datchas de Stálin e serviu ao perverso Rasputin e Lênin. O esquema sempre foi o de dividir para governar, método ainda aplicado nos dias atuais.

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PRUDENTE:BIRRA DO ANTECESSOR, TRAMA DO VICE E ATÉ ATENTADO

Prudente de Moraes passou quatro anos extenuante na Presidência da Republica. As turbulências começaram antes mesmo da posse em 1894. Saído de Piracicaba (SP), ele não encontrou recepção nenhuma ao desembarcar do trem no Rio. Foi o primeiro sinal de que o presidente Floriano Peixoto não estava feliz por entregar o poder.

As hostilidades continuaram. Floriano não quis recebê-lo para tratar da transição, alegando falta de horário na agenda. No dia da posse, o presidente não enviou carruagem oficial ao hotel onde o sucessor se hospedava. Prudente teve de alugar uma carroça às pressas para chegar ao Palácio Conde dos Arcos, a sede do Senado.

Após o juramento, o novo presidente rumou para o Itamaraty, o palácio presidencial, mas achou o prédio às moscas – aberto, sujo e sem funcionários. Floriano não estava, pois se negara a transmitir-lhe o cargo. – Foi pirraça – Resume o jornalista J. Natale Netto, autor de Floriano, o Marechal Implacável (Novo Século).

O marechal Floriano não viu com bons olhos a chegada dos civis ao poder. Afinal, foram os militares que em 1889 proclamaram a República. Prudente tinha um currículo respeitável. Havia sido governador de São Paulo e, como senador presidido a Assembleia Nacional Constituinte. Na primeira eleição presidencial, indireta em 1891, ficara em segundo lugar – os parlamentares deram vitória ao marechal Deodoro da Fonseca, que meses depois renunciou e seria sucedido por Floriano, seu vice.

Em 1894, o Sul se ensanguentava na Revolução Federalista. Em 1896 explodia a Guerra de Canudos, na Bahia, No primeiro conflito, Prudente costurou o acordo de paz. No segundo, massacrou os revoltosos.

– Prudente não conseguiu grandes feitos econômicos ou sociais. Sua proeza foi pacificar o país. Com ele, encerrou-se a transição da Monarquia para a República e o novo regime se consolidou de vez – explica a historiadora Renata Gava, diretora do Museu Prudente de Moraes, de Piracicaba.

O presidente tinha um inimigo insuspeito. Era Manoel Victorino, seu próprio vice. Em 1896, Prudente teve que se afastar do cargo por causa de uma cirurgia nos rins. Victorino assumiu o poder e foi tomado pela ideia de não devolver o cargo. Trocou ministros e transferiu a Presidência do Itamaraty para o Catete. Ciente da trama, Prudente, que se tratava em Teresópolis (RJ), decidiu voltar de surpresa e Victorino, sem tempo para reagir, não teve opção senão entregar a cadeira presidencial.

Em 1897, Prudente enfrentou a última turbulência. Durante uma cerimônia, um soldado encostou uma pistola em seu peito. O presidente foi rápido e, com a cartola, conseguiu afastar a arma. O soldado, então, sacou uma espada e matou o ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt. Prudente saiu ileso. Victorino foi processado como mandante do atentado. Ante a falta de provas, o vice acabou sendo inocentado.

Copiado do livro ‘O Senado na História do Brasil’, vol. I

Antonio Novais Torres

antorres@terra.com.br

Brumado

 

 

O EX-HIPPIE QUE ELEGEU LULA E DILMA

Albán González – jornalista

Era uma manhã ensolarada do começo de julho de 1980. Salvador estava em ebulição com a chegada do papa João Paulo II, que cumpriria naquele dia na Cidade Baixa uma visita à basílica do Bonfim, inauguração de uma capela nos Alagados e um encontro com a Irmã Dulce, em Roma. Sob forte vigilância das forças de segurança – o país vivia os últimos anos da ditadura militar, sob a presidência do general João Batista Figueiredo –, um grupo de jornalistas aguardava debaixo de um sol escaldante, no pátio do II Distrito Naval, na praça Cairu, a chegada do helicóptero conduzindo o sumo pontífice, que dali iria dar continuidade a sua programação religiosa.

Espremido entre os colegas, no interior de um cercado, com bloco de papel e caneta nas mãos – a tecnologia da comunicação não era nem sonho -, o periodista autor destas linhas fazia a cobertura para o jornal “O Estado de S. Paulo” e para um semanário da Galícia, na Espanha. O helicóptero já estava sobrevoando a praça quando uma figura vestindo um terno espalhafatoso, cujas peças sobravam no seu corpo magro, acabava de atravessar o portão da unidade militar. Todos os olhares se voltaram para aquela miniatura do Falcão (cantor brega, cearense, de dois metros de altura).

– É o Patinhas, reconheceu um dos jornalistas.

Mais tarde voltei a ter notícias do Patinhas, que ainda não era chamado de João Santana, considerado atualmente como um dos 60 homens mais influentes do Brasil, eleitor de seis presidentes e objeto da Operação Acarajé, braço da Lava Jato da Polícia Federal. Antes de ingressar no jornalismo o baiano de Tucano, a 252 kms. de Salvador, onde nasceu em 5 de janeiro de 1953, adotou a filosofia hippie. Cabelo black power, foi membro da guerrilha cultural, participou da Tropicália, ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, criou o grupo musical Bendegó, curtiu Waldick Soriano (“Eu não sou cachorro não”), fumou maconha e adotou como guru espiritual ao professor e inventor de instrumentos musicais, o suíço-baiano Walter Smetak (1927-1990).

Apelido recebido no Colégio Marista, de Salvador, por zelar com rigor pelas finanças do grêmio estudantil, Patinhas, na década de 80, mudou de postura, enveredando pelo jornalismo. Passou pelo “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “IstoÉ” e Veja; em 1992 ganhou o Prêmio Esso, com a reportagem “Eriberto: Testemunha Chave”, uma das peças do processo que derrubou Fernando Collor da Presidência da República. O tio sovina do Pato Donald, personagem de Walt Disney, está proibido hoje de ser mencionado diante do todo poderoso João Santana.

Responsável pelas eleições de Lula, Dilma e dos últimos presidentes de Angola, El Salvador, República Dominicana e Venezuela, Santana encontrou neste século a chave do cofre do seu ex-companheiro Patinhas. Ao lado da jornalista baiana Mônica Moura, sua sétima mulher, adquiriu carros  importados e antigos de luxo, viaja constantemente para Nova Iorque e Paris, suas cidades prediletas, frequenta restaurantes de luxo, tem apartamentos e mansões. Tudo isso, como ele garante, adquirido com dinheiro de campanhas políticas.

 

PONTO DE VISTA “AESTRADA”

NOS MATAGAIS DA CIDADE

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Nos tempos do domínio do aedes aegypti o que mais se vê em Vitória da Conquista, principalmente nos bairros fora do centro, são os matagais nos terrenos vazios e “abandonados”. A Prefeitura Municipal não faz valer a lei do uso do solo (cadê o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano?) para obrigar que os donos cerquem e conservem seus lotes.

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Nos terrenos há de tudo, desde mosquitos, escorpiões, ratos, baratas, cobras, insetos de várias espécies e muita doença, sem contar que servem de esconderijos para marginais. O matagal invade as calçadas e as pessoas têm que passar pelas ruas. O bairro Jardim Guanabara, onde resido, é um típico exemplo e o poder público nada faz para exigir que os especuladores de terrenos limpem sempre as sujeiras.

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Nas praças públicas, o mato também está tomando conta. Se o executivo não dá o exemplo, fica difícil fazer um ordenamento. Se os vereadores, que só estão preocupados com seus “rebanhos” eleitorais, não denunciam, a quem apelar? A impressão que temos é que está tudo cooptado. Precisamos de uma comissão comunitária livre e independente para lutar pela transparência e bem-estar das pessoas.

PRESÍDIOS SUPERLOTADOS

Dizem que a Defensoria Pública está trabalhando em uma força tarefa para minimizar a superlotação nos presídios e cadeias. Em Vitória da Conquista, por exemplo, a situação é caótica e olha que há um ano existe uma unidade pronta com capacidade para 533 homens e 286 mulheres. O complexo, como nas outras cidades baianas, depende do processo licitatório para escolha das empresas que farão a cogestão. É bom lembrar que depois de selecionar, a empresa tem 60 dias para iniciar o trabalho. É a Bahia, gente!

Em Itabuna, o conjunto penal tem capacidade para abrigar 574 pessoas, mas está com 1.400 detentos. O local tem sido palco de rebeliões, fugas e mortes. Enquanto os presídios estão superlotados, o estado está com vários espaços prontos sem serem utilizados, como o de Barreiras com capacidade para 533 presos. O Conjunto Penal de Jequié também está superlotado porque o presídio de Conquista não está funcionando. O atual é uma cadeia medieval com mais de mil pessoas onde só cabe 416. No Brasil são 600 mil amontoados em verdadeiras pocilgas.

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UMA CIDADE FANTASMA

Lixo em pleno centro da cidade ao lado do marITAPARICA 033

Do seu esplendor em 1823 quando reuniu tropas para lutar contra os portugueses, até o final do século 20 quando fervilhava de turistas do Brasil e do mundo, Itaparica, do escritor João Ubaldo Ribeiro, de “Viva o Povo Brasileiro” se tornou numa cidade fantasma com casarões fechados e ruas abandonadas com lixo em vários pontos. Por todo lado, percebe-se sua decadência com poucos visitantes nas praias e alguns bares e restaurantes abertos.

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Na década de 70 e 80 ainda conheci esta Itaparica de muitos barcos e navios chegando na “Marina,”  hoje somente algumas colunas de concreto e armações enferrujadas no mar. Curti com amigos e  a família bons finais de semana naquele outro lado prazeroso da ilha que atraia centenas e milhares de turistas. Depois de mais de 30 anos voltei ao local no último final de semana e confesso que fiquei decepcionado com a situação.

Contada e decantada por João Ubaldo, é até compreensível que o filho ilustre preferisse seu sossego, tanto que estava sempre lá durante suas férias de janeiro e continuasse do Rio de Janeiro citando em suas crônicas dominicais do jornal A Tarde as histórias de seus amigos, como a do Zeca Comunista. No entanto, não se pode negar seu abandono pelo poder público, com o fechamento de residências e casas comerciais.

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Mesmo assim, ainda continua todo imponente e charmoso o Grande Hotel Itaparica, atualmente pertencente ao Sesc, onde foi realizado de 19 a 21 de fevereiro, o encontro de ex-seminaristas, com as presenças do presidente da Fecomércio (Federação do Comércio da Bahia), Carlos Souza Andrade, seu chefe de gabinete José Humberto, bispo João Nilton, José Ribeiro Rosário, Fernando Sandes  e muitos outros ilustres colegas de jornada na década de 60 no Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho, em Amargosa.

Foram dias memoráveis de um bom papo, uma boa conversa e debates sobre a vida em geral. Muita filosofia, causos e testemunhos de cada um comprovaram, mais uma vez, que a formação do seminário deixou marcas positivas de que valeu a pena o tempo de convívio naquele ambiente de estudos e trabalho.

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Foi como entrar no túnel do tempo e recordar o passado cheio de magias numa época de quebra de paradigmas e despertar para uma vida de mais conhecimento rumo à liberdade individual e coletiva. No meu caso, voltar a Itaparica foi também entrar no túnel do tempo, só que não é a mesma cidade entusiástica como era há mais de 30 anos. Aproveitei para dar um dedo de prosa com muitos moradores que concordaram com minha impressão e colocaram a culpa pela decadência no poder público que não tem dado a devida atenção que a cidade merece.

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É uma pena que a histórica Itaparica, da heroína Maria Felipa, tenha se transformado numa cidade fantasma. O que mais vi foram ruas sujas, calçadas quebradas e quase ninguém para passar uma informação. A visão que se tem é de uma cidade que teve seu auge e agora está vivendo seus últimos momentos. Alguns pontos turísticos ainda estão lá como a Fonte da Bica de água jorrando nas torneiras, o Centro Cultural e o Mercado.





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