Do poeta e cordelista José Walter Pires, do seu livro “Crepusculares” – Sonetos

Sinto que, aos poucos, flui uma amizade

Com o meu bem-te-vi, que, confiante,

Desce de uma mangueira, e, saltitante,

Pousa no meu quintal com liberdade.

 

Esvoaça com sua agilidade,

De um lado ao outro, olhando o circunstante,

No seu trilar festivo e cativante,

Sem demonstrar qualquer temeridade.

 

Que volte sempre e pouse sem receio,

Pois não irei fazer-lhe nenhum mal

Com essa relação que tanto anseio.

 

Assim, nessa constância, robustece,

O apego que, de forma natural,

Nasce desse avoar que me embevece.