O INTERIOR FAZ A FESTA!
Carlos González (gonzalezcarlos@oi.com.br)
“É campeão!” Mais de 6 mil vozes, num coro uníssono, anteciparam em uma semana a retomada da liderança do futebol baiano pelo interior do estado. Aos 28 minutos do segundo tempo, após a marcação do terceiro gol do Esporte Clube Primeiro Passos contra o até então favorito Esporte Clube Bahia, os torcedores de Vitória da Conquista tiveram a certeza de que no próximo domingo trarão para sua cidade o título de 2015, juntando-se ao Fluminense de Feira de Santana (campeão em 1963 e 1969), o Colo-Colo de Ilhéus (vencedor em 2006) e o Bahia de Feira, em 2011.
Mesmo se o Bahia vier a contar com a ajuda do Sobrenatural de Almeida (personagem invocado pelo jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues nos momentos difíceis do seu Fluminense), revertendo os 3 a 0 de domingo passado no Estádio Lomanto Júnior, o Vitória da Conquista já alcançou o objetivo a que se propuseram os seus fundadores, entre eles o atual presidente Ederlane Amorim, em janeiro de 2005: colocar o futebol, depois dos insucessos do Humaitá, Serrano e Vitória da Conquista Esporte Clube, no mesmo patamar de outras atividades, responsáveis pelo extraordinário desenvolvimento do município neste século.
Uma das missões do Conquista neste momento, na condição do papel que representa, não apenas no cenário esportivo de sua cidade, mas de todo o Nordeste, é o de valorizar o futebol de nossa região. Com o apoio de sua entusiástica torcida – vale destacar o trabalho dos jovens da Criptonita – e ajuda dos poderes municipais, o ECPP pode mudar uma conjuntura que considero deprimente, comum em todo o Norte-Nordeste: o amor exagerado do torcedor pelos chamados “grandes” clubes do Rio e São Paulo. Estamos, dessa forma, abraçando aqueles que nos discriminam
Acompanhando o futebol brasileiro há mais de quatro décadas, observo hoje com tristeza que o Nordeste tem apenas um representante, o Sport do Recife, na elite nacional, enquanto Santa Catarina tem quatro; o Bahia leva 42 mil pagantes à Fonte Nova, mas a imprensa do Sul só destaca as 38 mil pessoas que foram ao Maracanã num Vasco x Flamengo. Observei, recentemente, dezenas de conquistenses apertados no pequeno salão do aeroporto tentando se aproximar dos jogadores do Palmeiras, que estiveram em Conquista para disputar uma partida pela Copa do Brasil. Esses fanáticos palmeirenses, que apreciam tanto o verde, deveriam estar vestindo o verde da camisa do Primeiro Passo.
Pergunto ao presidente Ederlane: o quê o Vitória da Conquista vai fazer até janeiro de 2016, quando começa o campeonato estadual, juntamente com as Copas do Nordeste e Brasil? Por que não se lançar de imediato nacionalmente, optando em disputar a série D do Campeonato Brasileiro?
Voltando ao futebol, em termos técnicos, o Conquista soube explorar os erros do Bahia, principalmente no setor defensivo, o que especialistas observaram nos 2 a 0 da primeira fase do campeonato. O gramado do Lomantão, motivo de reclamação dos times visitantes, é um fator positivo para o Bode, cujos jogadores, em especial o zagueiro e capitão Sílvio, na equipe desde sua fundação, são bastante conhecedores de suas deformidades. No lado tricolor, o Dia Nacional dos Goleiros, comemorado no domingo, foi de triste memória para o jovem Jean, que não conseguiu se livrar do engasgo provocado pelo “frango” que engoliu na semana passada no jogo contra o Ceará pelo Nordestão. Seu nervosismo contaminou seus companheiros de zaga, que se viram doidos para evitar que o Tatu ajudasse o Bode. Os mil tricolores presentes sofreram com a gozação dos adversários, sob uma tarde cinzenta e fria.
O borderô do jogo distribuído pela FBF mostra que o Conquista arrecadou a soma de R$ 219.400,00. Dos 12.934 ingressos confeccionados foram vendidos 8.369, proporcionando uma renda de R$ 315.925,00. O bloco das despesas levou mais – R$ 223.169,00 – do que um dos protagonistas do espetáculo. O público poderia ter sido maior se o ingresso único não fosse cobrado a R$50,00, com meia para idosos e estudantes; se o comércio informal não majorasse absurdamente os seus produtos. No parágrafo acima convoquei o poder público a colaborar com o Conquista, contratando uma empresa especializada para fazer a mudança do gramado; destinando um espaço para a imprensa escrita; proporcionando mais conforto para os torcedores, cobrindo parte ou totalmente as arquibancadas.











