:: 29/abr/2015 . 0:20
AZUL E CINZA
Blog Refletor TAL-Televisión América
De Orlando Senna
Itamar indica e comenta
Às vezes a gente lê sobre a falta de assunto do cronista ou comentarista diante da página em branco (leia-se da tela do computador em branco). Hoje isso é raro, mas antes era comum encontrar textos sobre esse tema escritos pelos jornalistas que têm por obrigação entregar um artigo diário ou semanal, com hora marcada. Menciono isso porque, aqui e agora, diante da tela em branco com um sinal luminoso intermitente mostrando onde devo começar o texto, minha indecisão viaja na contramão da falta de assunto. Neste momento caótico da civilização, com a velocidade da informação disputando corrida com a luz, é a quantidade e não a falta que paralisa o escriba (por isso quase ninguém mais filosofa sobre páginas em branco).
Os dedos e os neurônios coçam quando olho para um mapa do mundo que acabo de colorir e vejo que o cinza que pintei nas zonas de conflito armado é uma área maior do que o azul que apliquei nas zonas sem conflitos letais. São 12 países com guerras de alta ou média intensidade e 33 países com guerras de baixa intensidade (que significa com menos de mil mortos por ano). Um impulso é escrever, no sentido de tentar entender, sobre as razões que levaram a Colômbia (guerra civil) e o México (guerra do narcotráfico) estar entre os 12 países mais violentos.
Já que entrei pela América Latina, outro impulso é refletir sobre a perigosa confusão política e econômica que assola os países que, por volta do ano 2000, adotaram grandes políticas de inclusão social e combate efetivo à pobreza. E assola também o Chile, que não adotou essas políticas. Talvez deva escrever mesmo é sobre o Brasil, pátria amada idolatrada metida em uma camisa de onze varas, com governo enfraquecido, oposição canhestra, mídia leviana, corrupção a grosso e a granel. Ou quem sabe sair correndo para um aeroporto virtual, pegar um avião ídem e dar uma olhada no Estado Islâmico, no desatino da hiper violência fundamentalista.
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