NO BANCO DA PRAÇA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Ninguém sabe
Qual sua graça
Do moço descalço,
De jeito candango,
Com barriga de rango,
No concreto de aço,
Que arriou e dormiu,
No banco da praça.
Seu nome pode ser fome,
Esguio e longo,
Drogado ou embriagado,
Faroeste Django
Do nosso Nordeste.
No banco da praça,
Tem o casal de namorados,
Com beijos de juras de amor,
Como num buquê de flor;
Tem o velho ancião,
Com seu tempo calendário,
Corroendo seu salário,
O desempregado,
José, Maria e João,
Que bateu de porta em porta,
Cortou avenida e praça,
E só recebeu não;
Tem o morador de rua,
A verdade nua e crua,
O bandido mafioso,
O ocioso,
E o sujeito espião.
No banco da praça,
Tem cronista e poeta,
Matutando enredos,
Desvendando segredos,
O intelectual,
Lendo um livro ou jornal,
O negro, branco e o pardo,
Cada um com seu fardo;
Tem o vazio,
Na madrugada de frio,
A tristeza e a alegria,
A poesia,
O fantasma que passa,
O vírus e a traça,
No banco da praça.











