(Chico Ribeiro Neto)

– Zorra, esse cara é cheio de nove hora pra contar uma história.

– Desembucha de uma vez, meu irmão.

– Porra, esse cara é cheio de trique-trique pra contar um caso.

– Vai contando logo sem porém nem senão, sem tirar nem por.

– Deixa de arrodeio, meu irmão.

– O cara vai contar um caso que aconteceu lá na Ribeira, mas ele começa de Itapuã.

– Ele demora tanto pra contar um caso que seu apelido é Novo Testamento.

– Deixa de “e aí você não sabe o que aconteceu?”

– Deixe as preliminares e vamos logo aos finalmente.

– Nada de quiproquó e lero-lero.

–  Esse cara é cheio de teteretê pra contar uma história.

(Quando era repórter e recebia um discurso impresso – sempre cheio de lenga-lenga – ia logo nas últimas 10 ou 20 linhas. Ali estava o que ele queria dizer de importante.)

– Rumbora, meu irmão, conta logo esse caso, avia.

– Deixe o resto pra contar amanhã.

– Zorra, esse cara tem umas piadas compridas da zorra.

– Esse aí fala mais do que a nêga do leite.

– Eu não sou prolixo, é que eu gosto dos detalhes.

– Até no brega ele demora. “Minha senhora, eu preciso romancear primeiro”.

– Quando ele morrer, a lápide vai ter vários anexos.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)