A DENGUE E O PODER PÚBLICO
Dizem (a mídia está sempre anunciando) que 70% ou 80% dos casos registrados de dengue estão dentro das casas e prédios residenciais, só que não se fala de como esses dados foram apurados. Houve uma pesquisa para constatar esse alarmante índice? O esquema é culpar os moradores como vilões e não se mostra o lado negligente do poder público que deixa ruas sem serviços de drenagem, esgotamento e calçamento (empoçamento das águas das chuvas), sem fiscalizar e punir, conforme determina a lei, os terrenos particulares abandonados cobertos de matos e lixo de todo tipo, oficinas que viraram sucatas de carros (o Disep de Conquista é um exemplo) e até os próprios imóveis da Prefeitura Municipal no mesmo estado. Estive tirando umas fotos da Praça Tancredo Neves e visitei o monumento em homenagem aos presos políticos que tombaram durante a ditadura civil-militar de 1964. Os vidros ou os materias plásticos que protegem as luminárias em torno da escultura, de autoria do grande artista plástico Romeu Ferreira, foram quebrados por vândalos. As partes abertas servem para empoçar água e têm muito lixo em seu interior. Ainda sobre a proliferação da dengue (já comentei essa questão aqui) acho um deboche quando um especialista recomenda ao cidadão procurar o médico logo nos primeiros sintomas. Fico a imaginar que sua linguagem está sendo direcionada aos ricos. Os pobres (grande maioria) são dependentes do SUS, cujos postos da família, hospitais e as UPAS estão superlotados. O paciente passa um dia para ser atendido sofrendo de dores em pé e nos bancos desconfortáveis, sendo que muitos retornam para suas casas sem o atendimento. Existem postos que nem têm médicos na cidade. Até parece que cada brasileiro tem um médico à sua disposição. Isso é um acinte, uma vergonha, falta de respeito e revoltante. É muita cara de pau. Quando o indivíduo consegue um pedido de exame, o resultado do teste num laboratório público só sai depois de 10 a 15 dias. Sem mais comentários.















