O SERTÃO VAI VIRAR DESERTO
Mais um poeminha de autoria do jornalista Jeremias Macário
Do alto tem um vigia,
Que nos espia.
Vagueiam o mistério e a magia,
No meu sertão catingueiro,
Onde a lua prateia nosso terreiro.
Poetas, profetas e cancioneiros!
Entre amores e dores,
Os ventos rasgam os montes;
A seca devora açudes e fontes,
E o nordestino temente penitente,
Em seu oratório,
Sem mais adjutório,
Implora a Nossa Senhora.
O sal engole a terra,
Não mais há mata naquela serra;
Lá se foram os bravos e os fortes;
Nos engaços rondam as mortes,
Nesse tempo tão incerto,
O sertão vai virar deserto.
Não quero ser coveiro,
Meu amigo Conselheiro!
O sertão já foi mar,
E nunca mais será.
Agora o certo:
É o sertão virar deserto.
Não adianta ser esperto,
Criar barragens e canais,
A natureza dá seus sinais,
Que o sertão vai virar deserto.











