SÍMBOLO NORDESTINO
Ah, os cordeias que nos fazem entrar no túnel do tempo desde a época medieval, na voz dos anunciadores dos fatos que aconteciam nos reinos! Eram os repórteres das notícias. Da oralidade para a escrita, ganharam notoriedade. Da Península Ibérica, com os portugueses, vieram bater no Nordeste onde se deram bem e prosperaram em terra árida do agreste, com seus cantadores e repentistas de viola. Eles são símbolos da nossa cultura nordestina, e Ariano Suassuna é um dos grandes representantes desse gênero, tão espirituoso, criativo e mensageiro que, em cima das verdades, crenças e lendas, crescem em outras estórias e nos faz rir e também refletir. O meio acadêmico não tem dado o seu devido valor que merece, por ser uma cultura popular, embora rica em sua linguagem. Os cordéis me fazem lembrar Patativa, Cuíca de Santo Amaro, Bule-Bule, Apolônio Alves, Arievaldo Viana Lima, Antônio Brasileiro Borges, Cego Aderaldo, Elias de Carvalho, Firmino Teixeira, Leandro Gomes de Barros (o maior dos maiores 1865-1918) e tantos outros. Um dos cordéis mais famosos foi A Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara, de Apolônio Alves dos Santos. Tem também Cordel, de Patativa do Assaré e Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, de Firmino Teixeira do Amaral. O cordel veio com os colonizadores, mais precisamente em Salvador. Estudos apontam 1893 como o marco desse gênero literário, quando o paraibano Leandro Gomes teria publicado seus primeiros versos. Erram folhetos amarrados em cordas, vendidos a baixo custo nas feiras e locais públicos. Eles estavam presentes na Feira Literária de Belo Campo, da qual participei e tive a honra de flagrar esses livrinhos tão mágicos. É uma foto que muito representa nossa literatura, a arte do jogo de palavras.













