Como se não bastasse a destruição do meio ambiente, nosso maior patrimônio nacional, desde o início do seu mandato trapalhão e aberrante, o capitão-presidente elegeu a cultura como sua maior inimiga e começou por cortar o Ministério da Cultura. Essa sua obsessão de que cultura é coisa de comunista ficou agora bem clara com o veto à Lei Paulo Gustavo que destina 3,8 bilhões de reais para o setor, beneficiando, principalmente, o audiovisual.

Dessa verba, pouco mais de 2,7 bilhões contemplam o audiovisual e os restantes para promoção de editais, comunidades negras e indígenas dentre outras linguagens artísticas, visando ajudar essas categorias que ficaram paradas sem trabalhar por dois anos por causa da pandemia. Será que o Bozó vetou por discriminação ao nome do artista Paulo Gustavo? Não existem outras razões plausíveis.

O Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista está emitindo uma nota de repúdio pelo veto, ao mesmo tempo em que apela aos deputados e senadores que juntem forças para derrubar esse ato insano e criminoso. Dessa verba, Conquista, um dos grandes celeiros do audiovisual, com quase 400 mil habitantes e terceira maior cidade da Bahia, deve ser contemplada com cerca de 2,5 milhões ou mais.

Os artistas conquistenses estavam contando com esses recursos para desenvolver seus projetos e, mais uma vez, se sentem frustrados e decepcionados, tendo ainda em vista que o poder público municipal tem investido muito pouco em cultura, um setor que vive à mingua com o pires, ou a cuia na mão, para realizar seus trabalhos. Muitos talentos estão sendo engavetados e sepultados.

Em toda minha vida, nunca vi tanta insanidade e perseguição contra a cultura, tida pelo capitão destruidor da pátria como coisa de esquerdista comunista, de vagabundos e maloqueiros vadios. Até quando esse racista, misógino, homofóbico e tantas coisa de ruim vai continuar abusando da nossa paciência?

Ele, junto com o Paulo Guedes, da Economia, e Damares, dos Direitos Humanos e da Mulheres justificam que a lei é inconstitucional por não estar previsto no orçamento, ou coisa assim, mas no Ministério da Educação os pastores evangélicos metem a mão em milhões e quilos de ouro em troca da liberação de recursos.

A cultura, ou a chamada economia criativa nesse país representa, ou já representou, quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB e emprega, ou já empregou, mais de cinco milhões de pessoas. Um veto desse é mais um crime na mão assassina de um capitão que prega o negacionismo, o fanatismo religioso, a não vacinação, a aglomeração, a derrubada das florestas e o aumento de mais armas para matar.

A cultura nunca foi tão vilipendiada, ultrajada e sangrada na história do Brasil, nem nos tempos dos governos dos generais, sem contar que a arte e a liberdade de expressão estão sendo também censuradas e amordaçadas.

Nesses quatro anos, o Brasil ficou mais atrasado que há quarenta anos. Somos campeões de retrocesso no mundo, porque, sem cultura não existe memória e nem povo desenvolvido socialmente. Milhões vivem nas favelas passando fome, sem água e pisando nos esgotos porque nunca lhe deram educação e cultura.

Para os bispos vendilhões dos tempos, que rezam a Deus para agradar  satanás, milhões de reais; para as forças armadas que estão traindo nossa pátria, outros milhões, para seu Centrão no Congresso Nacional, bilhões; para os montadores das fake news mais milhões; e para a cultura, sua maior inimiga, nada através de seus vetos e cortes de verbas.