:: mar/2024
ATÉ QUANDO OS JUDEUS VÃO CONTINUAR SEU GENOCÍDIO CONTRA OS PALESTINOS?
“O QUE MAIS PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS, NEM DOS CORRUPTOS, NEM DOS DESONESTOS, NEM DOS SEM ÉTICAS. O QUE MAIS PREOCUPA É O SILÊNCIO DOS BONS” – MARTIM LUTHER KING.
Por várias vezes já coloquei este assunto da carnificina na Palestina (Alô meu companheiro Carlos Gonzalez) em pauta em nosso blog e acho que o tema tem que ser debatido diariamente, como forma de repúdio e revolta pelo que vem acontecendo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. São cenas de horror que vão ficar marcadas pelo resto da história.
Aquilo é um holocausto mesmo, como bem expressou o antropólogo e estudioso da história da humanidade Ordep Serpa. Segundo ele, holocausto é uma metáfora para o genocídio. É um tipo de sacrifício tendo como vítima um animal.
Na Uganda antiga de 1840 os reis kabakas Sunna e Mutesa praticavam sacríficos humanos, inclusive em suas coroações. O Mutesa deu um surto, entrou em seu harém e matou mais de 20 mulheres e, para cumprir os rituais ancestrais, todas foram queimadas. É só um exemplo para caracterizar um holocausto. Hitler, na Segunda Guerra Mundial, usou outros métodos contra os judeus que agora estão realizando um holocausto contra os palestinos.
A maioria dos gregos e judeus faziam essas oferendas aos deuses ou a um deus e depois o animal era consumido – destaca o antropólogo. No holocausto, como explicou, a vítima é queimada e se torna cinzas. Holo no grego é todo, inteiro, Kaustos queimado, o que equivale consumar o ato de exterminar a vítima.
Não concordo com determinadas opiniões quando afirmam que não existe nenhuma outra correlação do holocausto judeu com genocídios de guerras, como da Bósnia contra os muçulmanos, no início da década de 90, e o que a Turquia fez contra os armênios, sem falar no holocausto contra os índios na América do Sul pelos espanhóis no final do século XV e início do XVI.
Dentro de toda esta carnificina estarrecedora, que os chefes de Estado (Estados Unidos e Europa) preferem se omitir, é bom que se registre a resistência das mulheres palestinas que se recusaram a permanecer caladas enquanto seu território era colonizado.
São lutadoras e heroínas que devem ser lembradas neste 8 de março dedicado às mulheres. É uma luta por solidariedade contra o extermínio cruel desse povo, onde mais de 70% dos assassinatos são de mulheres e crianças.
A pretexto do que fez o Hamas, em outubro, os judeus também podem ser considerados como bárbaros, termo empregado na história antiga greco-romana, que agora leva a nomenclatura de terroristas. Só mudam os nomes, como holocausto e genocídio.
“A VIDA COMO ELA É”
Hoje (ontem – dia 05/03/24) tive um dia corrido e agitado. Até a tecnologia resolveu me sacanear, invalidando uma senha do meu cartão que, na verdade, não estava incorreta. Alguém diria que é coisa da idade e lhe trata como velho. Quando se é jovem não se tem esse preconceito e essa discriminação.
Lembrei do filme “Um Dia de Cão” quando o cara fica engarrafado no trânsito e abandona seu carro na pista. Ele resolve sair agredindo as pessoas que encontra pela frente, num estilo psicopata. Por ser um tanto violento, o sujeito era separado da mulher e só queria chegar na hora do aniversário da sua filha para lhe dar um urso de pelúcia.
Passou também pela minha cabeça “A Vida Como Ela É”, do nosso grande cronista Nelson Rodrigues, tão criticado e até execrado pelos moralistas de plantão. O escritor abre as cortinas das vidas em famílias, muitas aparentemente decentes, unidas e cordiais, mas com pesadas cargas de hipocrisias e sodomias por parte de alguns membros. Ele cita até casos de incestos. Agora está passando uma novela cujo título é “A Família é Tudo”, termo muito usado no dia a dia pelos brasileiros. Nem sempre é assim.
Uma coisa talvez não tenha nada a ver com a outra. Só quis pegar esse “gancho” para confirmar o que retrata Nelson Rodrigues na “Vida como Ela É” onde cada um tem o seu próprio roteiro diário para, como se diz no popular, “matar um leão todo dia, ou de cada vez”. Outro aspecto a refletir é que sobre a vida, cada ser humano tem a sua própria definição sobre ela, seja psicológica, social, filosófica ou política.
A grande maioria, como no filme de Scorsese, se não me engano, afirma que “A Vida é Bela”, mas existe quem discorde disso, e devemos respeitar porque uns vivem a padecer, a sofrer com suas graves doenças, dores, pobrezas e outras mazelas, enquanto outros curtem bonanças, riquezas e prazeres. Tem os que mesmo no sofrimento conseguem ver a vida sobre o ângulo bom e não andam se lamuriando pelos cantos. Tem aqueles que questionam a existência de Deus por existir esses dois lados, o do bem e do mal.
Dizem que a vida é passageira, e por ser curta, deve ser bem aproveitada em todos os seus momentos. Há quem defina as etapas da vida como as diversas paradas de um trem nas estações até chegar ao seu final. Uns descem e outros entram para continuar a jornada.
Cada um segue caminhos diferentes para se encontrar no mesmo lugar, na margem do rio, onde o barqueiro lhe transporta para o outro lado, isto se você estiver com a moeda da passagem. Sobre “A Vida Como Ela É”, meu amigo, você vai encontrar milhares e milhões de interpretações nas linguagens de filósofos, psicólogos, escritores, poetas e artistas os mais diversos, mas você tem a sua.
Por que uns vivem rindo e distribuindo o bem, mesmo nos momentos mais difíceis e cruéis, enquanto outros são carrancudos, amargurados, do tipo coração de pedra. Existem os extremos, o bom, o mau e o feio, como no filme de faroeste de Sérgio Leone.
Parodiando Nelson Rodrigues, eu diria que a vida é como ela é e não adianta querer decifrar o seu mistério. Uns acreditam no destino e que nada acontece por acaso. Tem a sorte e o azar, e a que os astros, os búzios regem a vida.
O cristianismo ensina que a vida não se acaba na morte e que ela pode ir para o inferno, o purgatório ou o céu. Algumas culturas africanas veneram seus ancestrais, cujos espíritos vivem nas florestas e nas montanhas mais altas.
O espírita crer na reencarnação da alma e não na morte. Até no plano sobrenatural e teológico, a vida é como ela é. No mundo perverso de hoje, você sai e não sabe se volta. Não adianta mais falar dos bons tempos de paz, harmonia e solidariedade humana.
UMA EPIDEMIA ANUNCIADA
O povo sempre é o maior culpado e termina levando a pior em tudo. Os governantes, sempre negligentes, sem planos, na base do improviso, são os maiores responsáveis e ainda vão para a mídia com suas medidas demagógicas de que estão empenhados em resolver o problem. Sempre saem de boa, com aparência de preocupados; enganam o povo direitinho. A imprensa não questiona e só noticia os fatos, por linhas tortas.
Estou falando da dengue (mais de um milhão de casos neste ano) que já matou muita gente neste país doente, que agora se vangloria de ser a décima economia do mundo onde a concentração de renda das elites aprofunda ainda mais as desigualdades sociais que fazem aumentar a fome da extrema pobreza. Discutir essas questões degradantes é ser chamado de esquerdista comunista. Ainda estamos nesse nível de mentalidade brucutu.
Quase metade do Brasil não tem saneamento básico e milhões vivem em barracos cheios de vielas de esgotos correndo a céu aberto. Era a Covid-19 que matou mais de 700 mil criaturas e agora é a dengue. Somos um país doente de sarampo, catapora e outras pestes, vírus e bactérias. O sistema de saúde é precário.
Fala-se tanto em prevenção da saúde, mas o governo é o primeiro a não fazer sua parte. No ano passado tivemos altas temperaturas e dizem que foi o El Nino o vilão das mudanças climáticas (o homem sim, é que foi o carrasco da natureza), desmatamentos das florestas, enchentes, catástrofes e tragédias.
Sem obras de drenagens adequadas, nas médias e grandes cidades, principalmente nas periferias, as águas ficaram empoçadas por muito tempo em locais abertos. Os terrenos vazios de propriedades de particulares e até públicas servem de criadouros do mosquito da dengue. Ficam abandonados e não se cumpre a lei de limpá-los e cercá-los sob pena de multas. Vitória da Conquista é um clássico exemplo desse descumprimento.
Tudo isso anunciado e os governos municipal, estadual e federal não tomaram nenhuma providência antecipada para evitar a proliferação desse inseto mortífero. Só agora, com seus longos blablabás, aparecem na televisão, nas rádios e nos jornais com campanhas de combate, vacinas atrasadas e ainda colocando o povo como os maiores propagadores da doença.
Para completar o enredo macabro da história, tem a cara de pau de falar de prevenção, e que a população procure de imediato os médicos nos órgãos de saúde. Quando o doente chega lá, os corredores dos hospitais, das UPAS, dos postos da família dos bairros estão simplesmente superlotados e a pessoa fica horas para ser atendida. Muitas vezes nem é examinada e volta para casa gemendo de dores, febre e outros sintomas agudos no corpo.
Em muitas cidades brasileiras, como aqui em Vitória da Conquista, existem postos sem médicos. Então o pobre desgraçado, que só serve para dar o voto, é largado à própria sorte. Muitas vezes nem consegue o pedido para fazer o teste num laboratório público, que leva 10 e até 15 dias para sair o resultado. Durante este período, ou o paciente fica bom, ou morre.
Não aguento mais esse papo furado de que nos primeiros sintomas, procure o médico, como se cada um neste Brasil sem planejamentos e feio na fita da educação e da saúde, tivesse seu próprio médico. Outra coisa é “não tome medicação sem a recomendação médica”, como se todos tivessem essa assistência na hora. Isso é uma tremenda hipocrisia e estelionato dos governos.
Infelizmente, a nossa mídia não questiona essa situação e não cobra mais ação dos responsáveis que nunca são responsabilizados e punidos. Não se sabe se por preguiça ou incompetência, as grandes empresas de comunicação, principalmente, rezam na mesma cartilha; fazem só o factual; e não mostram o outro lado. Passam o tempo todo condenando o povo, a maioria sem educação, pobres moribundos morando em favelas ao lado dos focos do mosquito.
Vivemos numa pátria que não cuida de seus filhos. Muitos até argumentam que é um exagero e que tem uns, como eu, que são pessimistas e que deturpam e rebaixam a imagem do Brasil. Repudiam a verdade e preferem ficar no limbo da mentira, da enganação e do faz de conta que tudo é uma maravilha.
Que adianta sermos os maiores exportadores de grãos com a fama de depredadores do meio ambiente e de sermos ainda uma nação atrasada? Não temos parques avançados da indústria de química fina e a ampola de um remédio para uma doença grave chega a custar 10 e até mais de 100 mil reais. Pena, mas o nosso nível ainda é de uma colônia provinciana produtora de matérias-primas que imita os países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” II
No capítulo de “Lugares Sagrados”, do livro “A Máscara da África”, o escritor V. S. Naipaul viaja até Lagos, na Nigéria, entre 2008/09, onde narra as tradições do sagrado africano num diálogo com seus guias turísticos e o executivo Adesina, diretor de uma multinacional. Visita babalaôs, fala das religiões estrangeiras do cristianismo e do islamismo. Ouve pessoas sobre as tradições culturais e mitos dos antepassados. As igrejas cristãs não conseguiram se fixar no norte da Nigéria onde predomina o muçulmano.
Naipaul afirma que os nigerianos têm sua própria noção de status. Eles se divertem com coisas que outras pessoas levariam a sério. Um passaporte diplomático, com suas várias imunidades, era um dos brinquedos que tinham chegado com a independência e a criação do Estado. Em sua visita, em Lagos e outras cidades, ele observa de perto a miséria de um povo nos bairros mais pobres, mesmo com a chegada do petróleo.
Destaca que o edifício do aeroporto, conforme observou em sua chegada, era caótico por dentro. Nas ruas, mendigos saiam da escuridão. No hotel havia um aviso de que todo cuidado era pouco antes de entrar num taxi. No saguão do hotel ele se fixou numa escultura atraente e misteriosa africana. Me disseram que era uma figura de baile de máscaras.
O escritor cita passagens do viajante e pesquisador Mungo Park (1771-1806). Na época das guerras napoleônicas, por volta de 1790, Park descreve as crueldades e privações, na maior parte provocadas por mercadores de escravos que conduziam seus cativos acorrentados desde o interior, levando-os semidoentes e mal alimentados ao longo de 800 quilômetros até a costa, para serem vendidos e guardados nos porões dos navios atlânticos.
No livro de Park, aparece a figura do Munbo Jumbo. Na cidade de Kolor, Naipaul viu uma roupa mascarada, pendendo do alto de uma árvore. Disseram pertencer a Mumbo Jumbo, um tipo de bicho-papão, comum a todas aldeias dingas, muito empregado pelos nativos para manter suas mulheres submissas. A África era polígama nessa época.
Diz a tradição que, quando a mulher não obedecia ao marido ou fazia coisas erradas, ele chamava o Mumbo Jumbo que saia da floresta com todo seu disfarce até um ponto da aldeia onde os moradores se reuniam. Muitas vezes era o próprio marido. Canta-se e dança-se até à meia noite. Mumbo declara que a mulher é culpada. Ela é agarrada, suas roupas são arrancadas e, nua, é amarrada a um poste e espancada até o amanhecer por Mumbo e seu cajado. Os aldeões gritam de prazer e não demonstram misericórdia.
A África hoje não é mais polígama, só os muçulmanos. A Nigéria agora é rica por causa do petróleo. Essa Nigéria moderna tem a idade de oito ou dez gerações. Alguns maias dotados carregam esse fardo da juventude do país. O escritor conhece um tal de Edun que nascera em Manchester, na Inglaterra. Era um imigrante que não conhecera a tradição de cem anos atrás. Edun foi poupado do outro lado da mentalidade nigeriana que mergulha bem fundo em antigas crenças e magias, que resiste à racionalidade.
O autor também conversa com um empreiteiro que diz ser cristão iorubá. Ele veio de uma família católica e disse ter visto uma menina possuída pelo Espírito Santo, sendo purificada. Aquilo lhe deixou mais espiritual ao ponto de acreditar que existe um alfa e um ômega que nos vigia. Em sua visão, quando o homem tem educação, ele pode racionalizar melhor.
Sobre as divindades tradicionais, afirmou serem bem conhecidas internacionalmente. Existem sítios sagrados ou santuários e festivais. Edun citou um bosque onde se realiza o festival de Oxum, em Osogbo. Seguidores do orixá se reúnem ali em hordas e rezam pelo que querem com os pais e as mães de santo. Para o festival vem gente do Brasil, de Cuba, dos Estados Unidos e do Haiti e dura uma semana. No último dia, uma virgem com uma grande cabaça sobre a cabeça caminha até o rio (Oxum que também é o nome de um estado da Nigéria, cuja capital é Osogbo).
Naipaul ressalta que são muitos os orixás (deuses e deusas iorubanos) e suas histórias se entrelaçam. O empreiteiro narra muitas histórias da Nigéria, como a de pastores das igrejas que vão discretamente a um pai de santo tradicional num santuário. Havia um rei de Lagos que era chamado de obá. Existem obás (chefes) por toda Nigéria, uns hereditários e outros pagos pelo governo.
A Nigéria, antes de ser britânica, foi portuguesa. Os seus guias de viagem contam que nos velhos tempos, o obá e os chefes sentavam em esteiras e falavam uns com os outros no pátio aberto. Um amigo do norte, de Kano, lhe confidenciou que o nigeriano pode ter uma cultura equina, mas não tem amor pelos animais. Naipaul observou que não haviam cães e gatos comuns perambulando nas ruas.
Em sua viagem, o escritor também conheceu Adesina, um executivo financeiro, com qual trocou experiências e ideias sobre a Nigéria. Com ele conheceu vários santuários. O pai de Adesina, que era católico, se converteu ao islamismo por causa dos árabes comerciantes do norte. Eles traduziram o Corão para o iorubá e pregavam na mesma língua.
Quando Adesina ainda era menino, seus pais perderam todos os bens. A tribo da família foi acusada de usar amuletos para matar um homem poderoso de outra tribo. Pela tradição, ele teve que trabalhar e tomar conta da família. Ele se especializou em cálculos.
Em conversa com o escritor, Adesina revelou que todas as pessoas ricas e os guerreiros da sua tribo consultam seu adivinho ou babalaô antes de irem a qualquer lugar ou fazer qualquer transação. Até mesmo os obás têm seus babalaôs, que ocupam o nível mais alto entre os adivinhos e são chamados de arabas na terra iorubana. Se houver algum problema, o babalaô vai dizer que é preciso consultar o ifá (o rosário-de-ifá e as dezesseis sementes de dendê). No ritual, o babalaô jogo um ou o outro e lê a mensagem do oráculo.










