RIO RIACHO
Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário
O rio cheio no peito cura as mágoas,
Dos tempos em que era só riacho,
E foi casco seco nesse carrasco,
Onde até rasparam as favas do tacho.
O rio cheio no peito cura as mágoas,
Lava o suor e renova a palma de alma,
A lavadeira nele bate roupa e enxagua,
A boiada do boiadeiro cruza as águas,
Na toada avante do berrante do vaqueiro.
E a bela morena se banha sem anáguas.
O rio cheio no peito cura as mágoas,
Do velho cancioneiro poeta solitário,
E o sertão em cor volta a ser relicário,
Dos meninos que do troco do barranco,
Pulam e brincam nus em suas águas.











