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:: 7/ago/2021 . 1:06

“INTELECTUAIS DAS ÁFRICAS”

O livro “Intelectuais das Áfricas”, organizado por Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento, é uma obra elaborada e comentada por várias cabeças intelectuais, inclusive conta com a colaboração do acadêmico e professor Itamar Pereira Aguiar, que nos adiantou já ser um sucesso de leitura, colocado como o 12º mais procurado no Amazon.

Não resta dúvida ser um trabalho inestimável em termos de contribuição para o conhecimento humano sobre o continente africano, e de grande valia para estudantes, professores, cientistas políticos e outros interessados pelo assunto, principalmente em salas de aulas.

Como o próprio título já diz, acadêmicos e estudiosos se debruçam em traduzir o pensamento de grandes intelectuais da África que abriram o desconhecido e construíram pilares culturais mais sólidos rumo a novas mudanças políticas continentais, especialmente no pós-colonialismo europeu.

“Intelectuais das Áfricas” é prefaciado pelo filósofo Renato Nogueira que abre o texto com Anta Diop, citando o professor Leakey na questão do povoamento do mundo onde viviam os primeiros seres na região dos Grandes Lagos. “Isso quer dizer que toda raça humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos pés das montanhas da Lua” –

No quesito civilizações humanas, de acordo com Nogueira, a África é o continente mais antigo do planeta. Em referência aos intelectuais, objeto de abordagem do estudo, o filósofo destaca o senegalês Cheikh Anta Diop que, de uma forma ou de outra, influenciou o mundo acadêmico africano.

Para o prefaciador do livro, Diop foi o primeiro grande intelectual africano do século XX. Foi ele que deu voz em favor do protagonismo investigativo de africanas e africanos para contarem sua própria história, apresentando suas teses sobre os fenômenos filosóficos, sociais, artísticos, científicos e políticos – disse. Diop abriu caminho para todos os outros que vieram depois.

Em seguida, Nogueira aponta Achile Mbembe, Valentim Mudimbe, Paulim Jidneu, Malek Chebel, Fatema Mernissi (marroquina), Osmane Sembene, Fela Kute e o afrobeat Wole Soynka, Uanhenga Xitu, Mia Couto, Chimamanda Adichie (feminista nigeriana), Pepetela, Amílcar Cabral e Frantz Fanon. Todos eles “usam um sotaque africano para expor o que pensam”.

Nogueira fala de Isabelle Christine de Castro que faz um retrato de Fatema como uma das pioneiras no projeto de fazer uma tradução sociológica e jurídica do lugar feminino no mundo do islamismo, com uma crítica do lugar patriarcal.

Outro que fez uma incursão na cultura árabe-islâmica foi o argelino Chebel, ao argumentar que o islã  não se opõe ao ocidente. Nesse capítulo do livro, quem faz a apresentação de Chebel é o acadêmico Murilo Sebe Bon Meihy. Quem traduz o pensamento do filósofo Valentim é Regiane Augusto de Mattos. Na sua visão, Valentim é um intelectual feito no mundo colonial, herdeiro de uma tradição cultural africana, formado pela cultura católica beneditina.

Na obra aparece o professor Itamar Aguiar que descreve o pensamento do costa marfinense Paulim Jidenu. “Aguiar tem a felicidade de fazer uma bela radiografia da trajetória e interesses intelectuais de Jidenu”. Trata-se de “um filósofo influente que abriu várias linhas de investigação, incontornável quando o assunto é história da filosofia africana contemporânea” ´ressalta Nogueira.

Do nigeriano Soynka, o autor do prefácio cita seu livro “O Leão e a Jóia”. Para ele, é um trabalho onde a modernidade e a tradição disputam protagonismo na África do presente. Quem fala da literatura de Soynka é Divanize Carbonieri.

Sobre Antônio Emílio Leite Couto, Mia Couto, muito conhecido no mercado literário de língua portuguesa, Tânia Macedo abre seu texto tecendo comentários sobre uma entrevista dado pelo intelectual moçambicano onde declara que deixou a militância política para continuar fazendo política através da sua escrita.

Quem também passou a fazer militância política através da literatura foi o angolano Uanhenga Xitu. Quem se debruça sobre ele no livro é Washington Nascimento. Xitu esteve ligado às missões cristãs, inicialmente ligadas à Igreja Católica, e depois acolhido por grupos protestantes. O intelectual chegou a ser membro do Movimento Popular de Libertação de Angola.

O historiador Silvio de Almeida Carvalho Filho escreveu sobre o escritor angolano Artur Carlos Maurício dos Santos, conhecido como Pepetela. O capítulo escrito por Amilton Azevedo apresenta Fela Kuti, um dos grandes nomes da cena musical mundial, “uma reinvenção da África imersa no contexto daquilo que passou a ser chamado de renascimento africano”

Amílcar Cabral, de Guiné-Bissau, foi uma figura marcante no processo político de descolonização africana. Fábio Baqueiro deixa explícito que Cabral, apesar de ter vivido pouco (assassinado aos 48 anos), foi um ativista e líder político que influenciou todo o continente.

Muryatan Barbosa escreve sobre Frantz Fanon, que viveu apenas 36 anos, mas que foi um divisor de águas para os estudos pós-coloniais, segundo Renato Nogueira. Fanon foi um pensador muito lido pelo Movimento Negro no Brasil, nos anos 70.

E, finalmente, José Rivair Mecedo, apresenta o camaronês Achile Mbembe, um dos maiores intelectuais públicos do mundo contemporâneo. “Este livro cumpre o papel de provocar com a devida qualidade, mobilizando leitoras e leitores para descolonizar a África, abandonar ficções míticas sobre o continente, injetando em nossos corações e mentes, doses largas de elementos críticos para releitura da realidade” – finaliza Nogueira.

 

 





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