:: ago/2020
DE PAI PRA FILHO
Autoria do jornalista Jeremias Macário
Oh, Supremo Pai Eterno!
Agradeço sua passagem,
De viagem pra voltar à terra,
Onde fui chicoteado e crucificado;
Pedi pra afastar de mim esse cálice,
Quando me cuspiram na face,
Me julgaram ser rei dos romanos,
E duelei com o diabo no inferno.
Os terráqueos querem ser o Senhor,
Mandar foguetes para o espaço,
Pra desvendar o mistério universal,
Mas não passam de primatas do aço,
Adoradores das orgias e das armas,
Que criam ódio, intolerância e dor,
E nem cuidam da miséria de sua casa,
Onde espalhou a fome, o deus capital.
Querem criar a vida, algozes da natureza,
Que plantam germes e outras doenças;
Semeiam guerras como arte e beleza;
Atiram nas araras e derrubam as matas;
Pregam em seu Nome fanáticas crenças,
Sem caráter, mentem e fingem ser feliz;
E dizem que tudo foi Deus que assim quis.
Oh, Pai, essa humanidade não se une!
Nem no mortal coronavírus vendaval,
Onde os poderosos para ter imunidade,
Viram piratas de aparelhos respiratórios;
Injetam vírus nos chips dos computadores,
Para extrair pesquisas dos laboratórios,
E deixar os pobres sem a vacina da cura.
Oh, Pai, não me mande mais pra terra,
Onde a humanidade faz apologia do mal:
Tudo é comunista e vão me assassinar,
Como naquele Brasil da louca psicopatia,
De corruptos da matança pelo metal vil,
Que roubam a comida, a água e só dão sal,
Ainda deixam o povo analfabeto irracional.
Filho, meu, Você é a única salvação,
Para separar o honesto do ladrão,
Renovar o cálice com um novo vinho;
Fazer uma outra pregação da montanha;
Banir com a palavra os radicais extremistas;
Chicotear a pele desses imbecis racistas.
De couraça selvagem como porco-espinho.
Pai, seu mandamento foi-se ao vento!
E se perdeu na orgia bacanal do tempo;
Todos sempre estão a mudar de amor,
Que murcha mais rápido que a flor;
Não vou mais carregar essa pesada cruz,
Onde não existe no homem mais luz.
Veja lá, meu Pai, aquele tal Brasil,
Onde a empatia ao irmão dele sumiu,
E a multidão como boiada em manada,
Não mais sabe distinguir o errado do certo;
Seu ensino voa pelas areias do deserto,
E até sua Igreja mente pra seu rebanho,
Mais preocupada com o dízimo do ganho.
Meu Filho, pelo menos dê a cara por lá
Naquela pátria de malandragem a roubar,
Nem que seja pra clarear fundamentalista,
Que não acredita no saber do cientista;
Mistura religião com ganância capitalista,
E troca o emocional pela linha da razão.
Perdoe, meu Pai! Eles fingem que sou amado,
Preferem a intolerância e viver de armas na mão,
Se lá Eu for, serei como um intruso devorado;
Em defesa da justiça e da sua Santa Trindade,
Fui uma vez crucificado na terra de Salomão.
A ELITE OSTENTA SEU LUXO NUM PAÍS ALIENADO E SEM CULTURA
Longe do aquecimento presencial dos palcos musicais, dos teatros, do cinema, dos livros e dos eventos culturais que estão nos roubando, bem antes da pandemia, a elite aproveita o espaço vazio para ostentar seu luxo em seus carros “drive-thru” e “drive-in” (é tudo inglesado mesmo), para assistir a um filme, do qual nem aprecia, comprar presentes e a participar de casamentos pomposos, indiferente às mais de 110 mil mortes do coronavírus, que extermina mais a nossa pobreza.
Preferimos usar termos em inglês do que o nosso português, tão maltratado, e olha que nesses tempos do corona temos uma chuva torrencial deles. Todos acham bonito e chic, e até entortam a boca para pronunciar a língua do Tio Sam, menosprezando a nossa. A grande maioria da nossa gente nem sabe o que significa, mas tenta também seguir a onda e termina aportuguesando mesmo, sendo corrigido pelos “sabichões”. Oh quanta ironia!
Afronta à miséria
A mídia burguesa entra em cena para fazer seu show, cujas imagens aprecem como uma afronta à miséria e às desigualdades sociais de uma maioria pobre, desamparada e inculta que aglomerada padece todos os dias nas filas dos bancos, na ansiedade de pegar um auxílio emergencial que vem dando popularidade a um governo que está aniquilando nossa alma através da destruição do meio ambiente e do nosso patrimônio cultural. É outra ironia, pois o homem nega a ciência; faz pouco da doença dela aproveita para fazer seu populismo.
Não se enganem nem um pouco com essa emergência financeira burocrática destinada aos profissionais da cultura que lidam com a música, com o teatro, com a dança, com as artes plásticas, ou outras linguagens artísticas, porque o estrago já vem sendo praticado desde o início desse governo neoliberal e fascista que acabou com o Ministério da Cultura e agora está implodindo nossa cinemateca e vislumbrando criar um imposto à produção de livros. Sua intenção é não mais prestar apoio técnico e nem financiar a educação básica, se eximindo de sua responsabilidade.
Em cima dessa Covid-19 que já ceifou milhares de brasileiros e contaminou quase três milhões e meio de pessoas, o capitão-presidente propagandista da cloroquina, negacionista da ciência, e o Congresso Nacional conservador desacreditado estão querendo fazer suas médias, enquanto levam nossa alma, priorizando mais verbas para armamentos das forças armadas do que para a educação, além de deixar nua a nossa cultura. Sem ela, não há vida e não existe espírito ativo para contestar e protestar. Só o silêncio ensurdecedor de uma nação sem futuro.
Beneficiar o capitalismo
Na verdade, nem estão aí para o social e para o fortalecimento cultural. Estão mais preocupados em privatizar as estatais para dar dinheiro para o capitalismo e beneficiar os mais abastados. São vários os exemplos, e um deles está nos pequenos negócios criativos, de serviços e comerciais que não puderam ter acesso aos recursos prometidos porque não têm as garantias burocráticas devidas exigidas pelo sistema financeiro.
A cultura não quer viver de esmolas emergenciais populistas, mas de uma política merecida de incentivos, com recursos públicos para criar e manter seus projetos, de modo que possa caminhar com suas próprias pernas, e não ficar mendigando.
Esse é um dever primordial de todo governo, porque sem educação e cultura, não existe nação desenvolvida, nem povo consciente dos seus deveres e direitos, para reivindicar e não se deixar enganar com esmolas. Os músicos, os artistas em geral, os escritores, literatos, poetas, cineastas, artesãos e outros que lidam no ramo neste país já vivem em penúria há muitos e muitos anos. A estratégia é criar um Brasil de alienados imbecis e não de cabeças pensantes, e isso já está ocorrendo.
A POLITIZAÇÃO DA SAÚDE EM CONQUISTA
Carlos Albán González – jornalista
O julgamento político e administrativo de Herzem Gusmão Pereira está marcado para 15 de novembro. O foro, evidente, não será o Tribunal Penal Internacional, em Haia, nos Países Baixos, que deve avaliar as denúncias de crime contra a humanidade, feitas por quatro entidades brasileiras ao presidente Jair Bolsonaro, o mais recente mentor político e ideológico – os primeiros foram os irmãos Vieira Lima, condenados por enriquecimento ilícito – do prefeito de Vitória da Conquista, que, há poucos dias, negou três vezes – o cristão certamente conhece o episódio bíblico “O Arrependimento de Pedro” – ser partidário do bolsonarismo. O corpo de jurados será formado pelos eleitores do município.
Os jurados/eleitores vão levar em consideração os acertos e erros cometidos por Herzem nesses quatro anos, na áreas da saúde, educação, mobilidade urbana, urbanismo, cultural, no acatamento à Lei de Responsabilidade Civil, na preservação do meio ambiente, nos esportes e entretenimento, nas ações sociais e, acreditem, na sua conduta religiosa, procurando, aparentemente, manter-se distante da Igreja Católica, cujos fieis viram com perplexidade o seu prefeito se ausentar, no dia 14 de dezembro passado, da recepção ao representante do papa Francisco na região, o arcebispo dom Josafá Menezes.
Com nove mil servidores nos seus quadros, a prefeitura de Vitória da Conquista foi buscar lá fora empresas de consultoria, que até o momento não justificaram as remunerações recebidas. Ao mesmo tempo, assessores dos primeiros e segundo escalões vivem apreensivos com as frequentes demissões.
A gestão de Herzem Gusmão foi marcada pelo favorecimento à classe rica e aos líderes neopentecostalistas – por uma questão de justiça vamos excluir batistas, metodistas e presbiterianos -, que foram os grandes fomentadores de sua candidatura. Não precisa ser analista político para se concluir que a maioria dos conquistenses colocou nas urnas o voto anti PT, como se deu em várias partes do país, e, dois anos depois, em nível nacional, com a eleição de Bolsonaro. Foi a maneira de se punir a cúpula do Partido dos Trabalhadores, acusada de peculato.
Como Herzem retribuiu os votos recebidos da classe “A” e dos evangélicos? A resposta foi dada através de decretos, devolvendo aos lojistas as vagas de estacionamento no Centro, prejudicando a maioria dos proprietários de veículos; com a reabertura açodada do Comércio e dos templos religiosos, acelerando o avanço da Covid-19, contrariando uma ordem do Ministério Público; deixando ao abandono os bairros da periferia e a zona rural, que hoje convivem com a lama, a sujeira e os buracos.
A partir de junho de 1997, com a promulgação pelo Senado da emenda constitucional, permitindo a reeleição do presidente, governadores e prefeitos, revitalizou em todo o país o sonho dos políticos de se manterem nos cargos, estimulando a corrompível compra de votos. Permanecer por mais tempo na prefeitura esteve sempre na imaginação de Herzem, devaneio que acompanha Bolsonaro .
Voltados para o inoportuno projeto da reeleição e pressionados pelos “defensores” da economia, os dois sonhadores ignoraram as orientações das autoridades sanitárias, permitindo o avanço da Covid-19, trazendo o luto e o sofrimento a 110 mil famílias – 88 de conquistenses – de brasileiros. “E daí?”, perguntam as pessoas que ironizam o distanciamento social, promovendo aglomerações nas ruas, no transporte urbano, bares e festas; que não impedem a entrada de ônibus clandestinos; que se mostram insensíveis às filas nas portas dos bancos; que percorrem as áreas mais carentes da cidade, na condição de candidatos a vereador, burlando a legislação eleitoral, distribuindo “santinhos” e fazendo promessas, que não serão cumpridas; e que se revelaram incompetentes na prevenção e combate à pandemia.
Ao se dirigir à população conquistense, no dia da posse, Hérzem Gusmão prometeu priorizar as iniciativas na prevenção, promoção e recuperação da saúde. Colocando Deus em suas falas, jurou fazer um governo de paz. Contudo, declarou guerra ao governo do estado, na tentativa de politizar a saúde. A primeira rusga teve como motivo a Policlínica – Hérzem queria indicar o gestor -, que hoje atende a 31 municípios do Sudoeste. Acusou o governador Rui Costa de transferir para os hospitais daqui os infectados pelo vírus, quando, na verdade, há décadas, dezenas de ambulâncias e vans, procedentes de cidades da região, do São Francisco e do Sul do estado, trazem pacientes para se tratar ou se internar nas unidades de saúde de Conquista. Os enfermos são encaminhados pelos colegas de Herzem, que não aplicam ou desviam os recursos destinados à saúde pública.
Na esteira da politização, o alcaide não menciona e, muito menos agradece, as ambulâncias destinadas a Conquista pelos deputados Zé Raimundo e Waldenor Pereira, ambos do PT, e Fabrício Queiroz (PCdoB). Birrento, como é qualificado pelos próprios correligionários, Herzem afrontou – sobrou até para um dos seus ídolos, o prefeito de Salvador, ACM Neto – o governador porque não obteve a liberação oficial da cloroquina e seus derivados, medicamentos “receitados” por Bolsonaro aos contaminados pelo novo coronavírus, contrariando as autoridades sanitárias.
Herzem pegou um avião e foi a Brasília, onde tentou ser atendido pelo general Eduardo Pazuello (substituto de dois médicos no Ministério da Saúde). Seu interlocutor foi um funcionário de nome Cascavel, que não injetou veneno na comitiva da Bahia. Ao contrário, prometeu enviar milhares de caixas dos “milagrosos” remédios, ministrados até para as emas do Palácio Alvorada.
Se no julgamento de 15 de novembro Herzem Gusmão for absolvido pelos eleitores permanecerá por mais quatro anos na chefia do município. Se for considerado culpado, volta para casa, veste o pijama e espera por mais dois anos para pleitear uma vaga na Assembleia Legislativa, utilizando nesse período o que mais gosta: os microfones das rádios de Conquista.
OS GERMES SÃO MAIS INTELIGENTES QUE HUMANOS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA
AS CARACTERÍSTICAS COMUNS DE TRANSMISSÃO DAS DOENÇAS
“A escrita caminhou junto com as armas, os micróbios e a organização política centralizada como um agente moderno de conquista… Relatos escritos de expedições motivaram outras posteriores, pela descrição das terras férteis que esperavam os conquistadores”. Essa revelação é contada pelo biólogo Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.
Em sua exposição científica, cita que a escrita nasceu primeiro, de forma independente, no Crescente Fértil com os sumérios por volta de 3000 a.C. e na Mesoamérica, sul do México, antes de 600 a.C. Por difusão de ideias, no Egito (os hieróglifos), 3000 a.C., na China por volta de 1.300 a.C. no vale do Indo, na Grécia e em Creta que podem ter sido também de modo independente. A escrita cuneiforme suméria é o sistema mais antigo da história.
Interessante é que a escrita maia é organizada de acordo com os princípios semelhantes aos dos sumérios e de outras escritas eurasianas nas quais os sumérios se inspiraram. Muitas outras sociedades desenvolveram suas escritas como na Índia, Grécia micênica, Creta minoica e na Etiópia.
O alfabeto cirílico (ainda usado na Rússia) decorre de uma adaptação de letras gregas e hebraicas feita por São Cirilo. Outro idioma, como o germânico, teve seu alfabeto gótico criado pelo bispo Ulfilas. As centenas de alfabetos históricos e atuais derivam do alfabeto semítico ancestral (da Síria ao Sinai) no segundo milênio a.C. No início, o conhecimento da escrita era restrita aos escribas a serviço dos reis e dos sacerdotes.
No entanto, a escrita alfabética grega se expandiu para além dos escribas e foi um veículo de poesia e humor para serem lidos nos lares. Por sua vez, a produção de alimentos foi essencial para a evolução da escrita como para o surgimento dos micróbios causadores das epidemias humanas.
POPULAÇÕES EXPOSTAS EM POUCO TEMPO
As doenças infecciosas têm várias características comuns, como de transmissão rápida e eficaz da pessoa contaminada para a saudável que está próxima, e com isso a população inteira fica exposta em pouco tempo. Outra característica são as doenças agudas num curto período onde as pessoas morrem, ou se recuperam rapidamente. Outra diz respeito aos felizardos que se recuperam e desenvolvem anticorpos que os deixam imunes por muito tempo a uma repetição da doença, possivelmente para o resto de suas vidas.
Segundo Diamond, a disseminação dos micróbios e a passagem rápida dos sintomas significam que todo mundo, em determinada população humana, é rapidamente contaminado e logo depois está morto, ou recuperado e imune. Como o micróbio só pode sobreviver nos corpos de pessoas vivas, a doença desaparece até uma nova leva de bebês atingir a idade suscetível até que uma pessoa infectada chegue do exterior para desencadear uma nova epidemia.
Ele cita, como exemplo, como essas doenças se transformaram em epidemias na história do sarampo nas ilhas do Atlântico chamadas Feroé, em 1781, e depois desapareceu, deixando os locais livres do sarampo até a chegada de um carpinteiro contaminado vindo da Dinamarca de navio, em 1846. Em três meses, quase toda população de Feroé (7.782) havia contraído a doença e morrido, ou se recuperado.
Estudos mostram que o sarampo tende a desaparecer em qualquer população inferior a meio milhão de pessoas. Só em populações maiores, a doença pode passar de um local para outro, persistindo assim até que um número suficiente de bebês tenha nascido na área originalmente infectada para que o sarampo possa voltar.
As doenças de multidão
Conforme seus estudos, as doenças de multidão não conseguiram se manter em pequenos grupos de caçadores-coletores e lavradores primitivos. No inverno de 1902, uma epidemia de disenteria levada por um marinheiro matou 51 dos 56 esquimós sadlermiuts, na região ática do Canadá. “Sarampo e outras doenças infantis têm maior probabilidade de matar adultos infectados do que crianças”.
A VELOCIDADE E OS RADARES
Muitas avenidas de Vitória da Conquista já estavam a necessitar de radares e passagens eletrônicas, contanto que se retire metade desses infernais e absurdos quebra-molas da cidade, os quais irritam os motoristas e provocam prejuízos aos veículos, sem falar no gasto extra de combustível.
Sou a favor do emprego dessa tecnologia nas médias e grandes cidades, não dos escondidos radares nas estradas federais, sem nenhum sentido de redução de acidentes, mas com intuito de arrecadação fácil. Aqui em nossa Conquista, só discordo do limite de velocidade imposto de 50 quilômetros na Avenida Luis Eduardo Magalhães.
Nem sempre é a velocidade que provoca acidentes. Existem outros fatores que não vou aqui listá-los. Não sou especialista em trânsito, mas na Luis Eduardo poderia ser de 60 quilômetros, e não 50 com o carro praticamente na terceira para não exceder o limite. Na verdade, vamos rodar com 40 numa pista sem movimento de pedestres e ainda com descidas e subidas.
Nessas condições dos 50 quilômetros, vai existir aquela apreensão maior com o ponteiro quando estiver um pouco acima dos 40. Muitos vão ter que segurar o carro na terceira e ai vai acontecer uma lentidão exagerada no trânsito, com início de engarrafamentos em momentos de pico. Tem ainda a questão do consumo de combustível, tão caro nesses tempos atuais.
O mesmo vai acontecer na Avenida Perimetral, ou J. Pedral, com subidas e descidas acentuadas. Nas outras avenidas, como a Brumado, a Frei Benjamim e a Juracy Magalhães, já existe um certo limite de velocidade dos motoristas por conta do movimento de pedestres e bicicletas. Elas são mais planas, comportando o teto máximo de 40 ou 50 quilômetros.
Na Juracy Magalhães, por exemplo, a fiscalização precisa ser mais rigorosa com os motoristas que estacionam seus veículos numa faixa da pista, e ainda ligam o sinal de alerta como se desse o direito de não serem multados por infração. Essa prática tem sido uma constante ao longo da avenida, prejudicando em muito o fluxo no trânsito e ainda levando a riscos de acidentes.
Já que a Prefeitura Municipal vai utilizar a tecnologia correta recomendada pelo Conselho Nacional do Trânsito, seria o momento oportuno de demolir, pelo menos, metade dos quebra-molas, como nas avenidas Pará e Maranhão onde existem sinalizações horizontais e verticais. É necessário que Conquista deixe de ser a capital dos quebra-molas que, como o próprio nome já diz, só servem para quebrar carros e atormentar os motoristas.
O SARAU E A COVID-19
Há quase seis meses (o último foi no início de fevereiro – dia 7) que o nosso Sarau Cultural A Estrada deixou de ser realizado, de reunir nosso grupo, e nem é preciso explicar os motivos. Não posso falar por todos, mas acredito que os frequentadores estão com saudades dos nossos encontros bimensais todos os sábados, com aquela alegria fraternal, com aqueles abraços, descontração e, principalmente, dos temas abordados, das declamações de poemas e causos (Jhesus, Dorinho, Itamar e tantos outros), das piadas e das violadas cancioneiras da música popular brasileira com Mano Di Souza, Baducha, Moacyr Mocego, Walter Lages, Gabiru e outros tantos músicos e artistas visitantes. Tentamos recomeçar em agosto, mas houve posições contrárias, pois o tal coronavírus ainda não nos deu uma trégua. Diante dessa situação, não temos condições de fazer um sarau presencial, mas José Carlos deu a ideia de realizarmos um evento virtual para matarmos a saudade, talvez no próximo sábado à noite, dia 22, para quem estiver interessado num papo descontraído. No início do ano estávamos traçando um plano para comemorarmos os dez anos do nosso Sarau, completados em julho. Pena que tudo foi desfeito, e não sabemos se ainda vamos festejar esta data neste ano de 2020, tão importante para a nossa iniciativa cultural que começou em 2010 num encontro de amigos com o nome de “Vinho Vinil”, onde só entrava o vinho e só se ouvia os velhos e saudosistas vinis (bolachões) com aquelas lindas capas de boas músicas de grandes e eternos compositores e cantores. Da minha parte, sempre aos sábados, sinto um grande vazio no “Espaço Cultural A Estrada” quando decido, com a anfitriã da casa e minha esposa Vandilza, tomar um vinho e ouvir um som. Imagino todos reunidos naquele barulho e sempre pedindo silêncio para a fala, ou apresentação do artista. Lembro todos chegando com suas colaborações de bebidas e comidas, para incrementar nossos eventos que, de tão bons, varavam a madrugada.
DECASSÍLABO
Autor : Evandro Gomes Brito
Homenagem a Jeremias Macário de Oliveira, cujo nome é um verso de dez sílabas com acento na sexta e na décima silabas, no seu livro “TERRA RASGADA”.
“ O casal finge que casou,
A prostituta que gozou…
A Igreja finge que não pecou
E que a Inquisição já passou…
O caminhão é o cavalo de aço do asfalto”
Jeremias Macário de Oliveira,
No seu livro voraz, “Terra Rasgada”,
No Centro de Cultura, vez primeira,
Já nos veio trazer grande alvorada.
E deixando de lado o preconceito,
Usa língua do nosso bravo povo:
…”Prostituta”…”Gozou” eu já aceito
Em tudo fingimento, agora louvo.
“A Igreja”… vem dizer “que não pecou”.
Feroz Inquisição se foi embora:
E vem pregar com fé o grande amor,
Dizendo que os famintos ela chora.
Jeremias Macário de Oliveira,
Nossa vida é assim grande floresta,
Mas rugir do vulcão, lava certeira,
Na palavra candente que nos resta.
Com imagens tão lindas, coerentes,
Canta a vida, o sertão de nossos pais,
Falando das boiadas, dessas gentes,
Tempos idos, costumes nunca mais!
Do asfalto, caminhão, cavalo de aço,
Corre veloz com medo dum assalto,
Homenagem prestar, eu hoje faço,
Os seus versos vivazes já ressalto.
AGRADECIMENTO DO HOMENAGEADO:
Meu companheiro e grande amigo Evandro,
Não mereço tanta louvação desse seu celeiro.
Só escrevo para libertar a mente,
Enxugar meu pranto e continuar lavrando,
Misturando as letras no suor dessa gente.
ESTUDANTES E A JUVENTUDE NA POLÍTICA
O PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Vitória da Conquista fez uma live (tudo neste país é em inglês) para debater e homenagear o Dia do Estudante (11 de agosto) e aí fiquei aqui em meu canto a pensar nos movimentos passados mais recentes da nossa juventude, desde o início da ditadura civil-militar de 1964, e agora nos tempos atuais onde não mais se ver a estudantada nas ruas para combater esse fascismo aterrorizante.
Para ser verdadeiro e não ficar naquele “blábláblá” e “lengalenga” de tentar cobrir o sol com a peneira, e cada um querendo “puxar sua sardinha” para mostrar suas virtudes, vamos à dura realidade de alienação a que chegamos, em decorrência da pobreza educacional, da miséria no âmbito cultura e do encolhimento das forças progressistas, quase silenciosas.
DECEPCIONADOS
Por sua vez, estas “forças” deixaram milhões de jovens decepcionados pelo país a fora porque não fizeram o dever de casa e se comportaram mal como meninos travessos, com suas malandragens políticas, pilantragens, malfeitos, atos de corrupção e conluios com a elite e a burguesia safada que, mais cedo ou mais tarde, iriam passar a rasteira na esquerda que derrapou e capotou na curva da história.
Por esse pecado capital, ou político mesmo das ditas esquerdas que prometeram ética e moralidade e deram vergonha e desesperança, apareceu o dragão de fogo do retrocesso, do fascismo, do moralismo familiar e patriótico, do ódio, do racismo e dos negacionistas da ciência (seguidores da morte), para arrebanhar nossa juventude com ideias medievais, ao ponto de defender uma intervenção militar (a volta da ditadura) para nosso país.
A invés de ficarmos rememorando a história e arrotando conhecimento e sabedoria, deveríamos fazer um mea culpa pelos erros cometidos, e tentar consertar os tropeços do passado, com mais ações e exemplos, do que falatórios bonitos, rebuscados e barrocos. Devemos falar menos daquilo que fizemos e falarmos mais daquilo que deixamos de fazer e sermos humildes para pedirmos desculpas por termos prometido uma coisa e feito outra.
Confesso que fico muito triste quando vejo nossos estudantes e a juventude nas praças e ruas desfilando bandeiras retrógradas e de intolerância, de um governo que não veio para construir, mas para destruir nossos princípios, nossa evolução, nossas crenças na igualdade, na inclusão social para todos, na pluralidade de pensamento e, principalmente, na liberdade de expressão.
A RECONQUISTA DOS JOVENS
Mesmo diante dessa “catástrofe de retrocessos”, a maioria continua com o pensamento carreirista na política, na base da máxima nefasta de que os meios justificam os fins para se chegar ao poder e alimentar interesses particulares de terceiros. Se insistirmos nessa linha, não vamos reconquistar nossos estudantes e a juventude para a luta de reconstruir o nosso Brasil que, infelizmente, está despedaçado.
Minha mensagem não é de parabéns ao Dia do Estudante, dentro daqueles jargões e chavões de sempre, de que os jovens são o futuro do Brasil, sem antes fazer uma reflexão realista, porque esse futuro tão desejado não se constrói apenas com palavras. Claro que os jovens são o futuro do Brasil, mas não pregando propostas antidemocráticas e de revanchismos.
Os nossos jovens sempre foram o carro-chefe que arrastavam multidões nas ruas, atraindo a adesão de operários e outras categorias, inclusive professores, artistas e intelectuais na briga por uma escola pública de qualidade, por mais justiça social, por melhorias na distribuição de renda, contra o autoritarismo e a corrupção, e até para derrubar governos. Cadê esses estudantes que, mesmo sendo massacrados, sempre foram porta-vozes das nossas esperanças por dias melhores?
Os partidos políticos de linha progressista, que não estão aí comungando com esse governo destruidor do meio ambiente e de nossos ideais de liberdade e igualdade para todos, têm a obrigação de se redimir e fazer com que os estudantes e os jovens em geral voltem a acreditar que ainda é possível recomeçar e retomar o caminho da reconstrução.
A PANDEMIA, A ÉTICA E AS ELEIÇÕES
Tem muito pré-candidato às eleições municipais que já está fazendo campanhas nas zonas rurais e urbanas, provocando aglomerações em plena pandemia do coronavírus, ainda em alta no Brasil, colocando em risco o próprio pretendente e a outras pessoas em seu entorno. Estão acontecendo casos de ajuntamentos através de reuniões com comunidades.
Ainda como pré-candidato a vereador pelo PSB a uma cadeira para a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista considero uma atitude antiética, mesmo antes de ser eleito. Quem acredita que, acima de tudo está a vida, o pré-candidato que assim procede, não resta dúvida, que está sendo contraditório consigo mesmo e não leal com o eleitor.
Em minha opinião particular, como simples cidadão, sou a favor de que estas eleições deveriam ser prorrogadas para o próximo ano, elevando os mandatos dos atuais políticos em exercícios por mais um ano, tendo em vista que se trata de um caso excepcional onde a vida deve estar acima de tudo.
Sei que muitos não concordam com esta medida, mas sempre procurei me pautar pela ética, sensatez e honestidade, e não é agora que vou violar meus princípios, começando a disputar um cargo na Câmara adotando uma prática na qual avalio como errada. Não vou me expor diante da atual situação de gravidade, e entendo que o eleitor consciente deve ficar de olho em quem não está respeitando e preservando a vida.
Como não existem sinais de que o pleito deste ano seja adiando para o próximo ano, em outras ocasiões, comentei aqui que estas eleições serão bem diferenciadas em termos de campanha, concentrando-se basicamente através das redes sociais, televisão, carros de som, cartazes, folhetos e pouco contato com as pessoas. Ainda coloco aqui a questão financeira da escassez de recursos que vão marcar estas eleições, mais ainda que a passada.
Talvez esteja sendo radical, mas, em minha visão, 2020 é um ano praticamente perdido para o Brasil, e devemos encarar esta realidade porque não temos nenhuma certeza que esta pandemia vá logo passar, pelo menos a custo prazo até dezembro, visto que já estamos no meado de agosto e o número de mortes e infectados continua entre a estabilidade e alta, salvo alguns estados que oscilam de um dia para o outro.
A esta altura, nem é mais necessário falar que, por diversos fatores de precariedades nas áreas da saúde, da educação, do saneamento e das desigualdades sociais (muita pobreza), o nosso país vai ainda demorar um pouco para controlar e reduzir de vez a contaminação por esse vírus tão mortal.
Por essas e outras é que não acho nada prudente a volta às aulas nessa época do ano, o início do campeonato brasileiro de futebol (muitos atletas estão testando positivo) e a realização das eleições municipais. Não se trata de pessimismo, embora alguns possam assim me julgar. A minha posição é mais de eleitor e cidadão, do que de um pré-candidato a vereador.
OS GERMES SÃO BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA (II)
A IMPORTÂNCIA DOS MICRÓBIOS NA CONQUISTA DO NOVO MUNDO
O autor do livro “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, assinala que “a importância dos micróbios na história humana é bem ilustrada pelas conquistas europeias e o despovoamento do Novo Mundo”. De acordo com a conclusão do cientista, muito mais ameríndios morreram abatidos pelos germes eurasianos do que pelas armas e espadas europeias nos campos de batalha.
Cita, como exemplo, que em 1519, Cortez desembarcou na costa do México com 600 espanhóis a fim de conquistar o império com uma população de milhões. Cortez atacou a capital Tenochtitlán e depois recuou por ter perdido dois terços da sua gente na luta.
A VARÍOLA
No retorno violento, os astecas não eram mais ingênuos e guerrearam com tenacidade. O que deu aos espanhóis uma vantagem foi a varíola, que chegou ao México em 1520, através de um escravo contaminado procedente de Cuba. A epidemia matou quase metade dos astecas, incluindo o imperador Cuitláhuac. A doença exterminava os astecas e poupava os espanhóis.
Narra o biólogo Diamond, que Pizarro foi também ajudado por um acaso quando desembarcou na costa do Peru, em 1531, com 168 homens para ocupar o Império Inca formado por milhões de habitantes. A varíola havia chegado por terra em 1526 e dizimado grande parte da população inca, incluindo o imperador Huayna Cápac e seu sucessor. Por um tempo, o trono ficou desocupado por causa da guerra civil provocada pelos dois filhos de Huayna. Pizarro explorou esses pontos para conquistar o império dividido.
Quando Colombo chegou, em 1492, a América do Norte abrigava aldeias indígenas populosas no vale do Mississippi, um dos melhores terrenos para a agricultura. Ali, os conquistadores não contribuíram diretamente para a destruição da sociedade, mas os germes eurasianos que se disseminaram antes na região. Hernando Soto, o primeiro a chegar ao sudeste dos Estados Unidos, em 1540, encontrou em sua marcha aldeias indígenas abandonadas porque a população havia morrido em epidemias, propagadas pelos índios do litoral infectados pelos espanhóis. Quando os colonos franceses chegaram no trecho do Mississippi, no final do século XVII, quase todos os indígenas já haviam desaparecido.
OS PRINCIPAIS ASSASSINOS
Na América do Norte ensinavam nas escolas que o território era ocupado por cerca de um milhão de índios, mas, na verdade, existiam 20 milhões. “Para o Novo Mundo, estima-se que o declínio da população indígena nos dois primeiros séculos posteriores à chegada de Colombo tenha sido de 95%. Os primeiros assassinos do Novo Mundo foram os germes aos quais os índios foram expostos e não tinham resistência imunológica. “Varíola, gripe, sarampo e tifo disputavam o primeiro lugar entre os assassinos”. Como se não bastassem, vieram ainda a difteria, malária, caxumba, coqueluche, peste, tuberculose e a febre amarela.
Tenochtitlán era uma das capitais mais populosas do mundo, e por que não tinha germes esperando pelos espanhóis? – indaga o cientista. Uma das respostas é que os três centros americanos mais densamente povoados, o Andes, a Mesoámerica e o vale do Mississipi nunca se interligaram por um comércio regular que os transformassem em terreno propício para a proliferação de micróbios. como aconteceu na Europa, norte da África, Índia e China no período romano.
“Vimos que as doenças de multidão eurasianas se desenvolveram a partir das doenças dos rebanhos domesticados. Enquanto muitos deles existiam na Eurásia, apenas cinco foram domesticados nas Américas, como o peru no México e no sudeste dos Estados Unidos, a lhama/alpaca e o porquinho-da- índia nos Andes, o pato-do-mato na América do Sul e o cachorro em todo continente”.
Essa escassez extrema de animais domesticados no Novo Mundo reflete a falta de material selvagem inicial. Cerca de 80% dos grandes mamíferos selvagens das Américas foram extintos no final da última Era Glacial, por volta de 13 mil anos atrás.
Os germes, segundo o estudioso, desempenharam um papel-chave no extermínio dos povos nativos em muitas outras partes do mundo, incluindo os habitantes das ilhas do Pacífico, os aborígenes australianos e os coissãs da África Meridional.
Um dos exemplos é que a população indígena da ilha Hispaniola (Grandes Antilhas) caiu de cerca de oito milhões na chegada de Colombo para zero por volta de 1535. O sarampo chegou a Fiji com a volta de um chefe fijiano depois de uma visita à Austrália, em 1875.
O PAPEL DOS GERMES
A sífilis, gonorreia, tuberculose e a gripe, que chegaram juntos com o navegador James Cook, em 1779, seguida de uma grande epidemia de febre tifoide, em 1804, e outras epidemias secundárias, reduziram a população do Havaí de meio milhão de habitantes para 84 mil, em 1853, ano em que chegou a varíola e acabou matando cerca de dez mil sobreviventes. “Embora o Novo Mundo e a Austrália não tivessem doenças epidêmicas nativas à espera dos europeus, a Ásia tropical, a África, a Indonésia e a Nova Guiné tinham. A malária no Velho Mundo, o cólera no sudeste da Ásia e a febre amarela na África eram e ainda são os assassinos tropicais mais notórios. Tudo explica porque a divisão colonial europeia da Nova Guiné e de grandes partes da África só foi feita 400 anos depois do começo da divisão europeia do Novo Mundo.
Não há dúvida de que os europeus tinham uma grande vantagem em termos de armas, tecnologia e organização política sobre a maioria dos povos não-europeus que conquistaram, mas os germes desenvolveram papel importante no domínio a partir da prolongada convivência com os animais domésticos. As armas, por si só, não explicam as conquistas.
Para quase todas as doenças, algumas pessoas são geneticamente mais resistentes que outras. “Numa epidemia, as pessoas com genes resistentes àquele micróbio em particular têm mais probabilidade de sobreviver do que aquelas que não têm esses genes”. O cientista destaca como exemplos dessas defesas genéticas, as proteções que os genes da anemia falciforme e da fibrose cística podem dar a negros africanos, judeus asquenazes (origem europeia central ou oriental) e europeus do norte contra a malária, a tubérculos e as diarreias bacterianas, respectivamente.
Descreve o biólogo que as epidemias de cólera ocorreram a intervalos mais longos, e a epidemia peruana de 1991 foi a primeira a atingir o Novo Mundo no século XX. A grande epidemia da história da humanidade foi a gripe espanhola, que matou 21 milhões de pessoas no fim da Primeira Guerra Mundial. A peste negra (bubônica) matou um quarto da população da Europa entre 1346 a 1352, com o número de mortes chegando a 70% em algumas cidades.













