:: 25/ago/2020 . 23:53
OS POLÍTICOS, O POVO E OS “BUNDÕES”
Quem é mesmo o “bundão” que chama os jornalistas de “bundões” e de quebra envolve os mais de 115 mil mortos pelo coronavírus no país? Claro que só pode ser o próprio presidente sem compostura, que envergonha toda nação e no exterior, com seus rompantes descontrolados, que age como se fosse um psicopata.
É muito triste e doe muito ver isso sair da boca de um presidente que foi eleito pelo voto popular de uma democracia ainda cambaleante. Se fosse de um ditador, num regime de golpe sem o sacramento de uma eleição, até que seria compreensível e não causaria tanto estarrecimento. A pergunta que fica é que democracia é essa em que vivemos?
Encher a boca de soco
Como se não bastasse, esse mesmo capitão-presidente que, compulsivamente, insiste em dizer que é um atleta e continua a fazer propaganda da cloroquina, indo de encontro à ciência, ameaça encher a boca de um jornalista de soco e porrada, tão somente porque fez uma pergunta que não foi do seu agrado.
Sua atitude é de um ditador, de um autoritário e grosso sem nenhum preparo para ser um presidente da República, mesmo que ela seja chamada de banana. Na verdade, o soco que ele disse que queria dar bateu de cheio na boca da democracia. Se fosse um democrata, simplesmente ficaria calado e não responderia (seu direito), ou daria explicações ao povo que lhe elegeu.
Por falar em povo, boa parte, infelizmente, esculhamba com os políticos xingando-os de sujos, corruptos, ladrões, manipuladores, safados, mentirosos e outras coisas horríveis, mas é só se aproximar a temporada das eleições para cair dentro da campanha, como moscas em visgos. São oportunistas, com comportamentos de mau caráter, bem pior que os políticos com desvios de conduta. Essa banda é farinha do mesmo saco.
As imagens dos pré-candidatos fazendo aglomerações de campanhas antecipadas pelo interior, em plena pandemia, não negam que boa parte dessa população é podre e hipócrita, e só quer se aproveitar, não importando a preservação da vida nesses tempos de vírus mortal.
Os que estão ali compactuando com o político antiético, antes mesmo de ser eleito, são interesseiros que vivem às custas do dinheiro público da prefeitura, ou têm familiares em funções desnecessárias, mamando nas tetas do contribuinte. Muitos são até “funcionários” fantasmas, ou recebem favores e benesses do prefeito à reeleição, ou do vereador.
É lamentável ter que dizer isso, mas o mesmo povo que se enoja da política brasileira, como ela é praticada, sem seriedade e respeito às normas e leis, é o mesmo que se aglomera nas praças e ruas para defender o político transgressor quando chegam as eleições, e ainda sai na porrada e na violência contra adversários. Verdadeiramente, poucos têm consciência política e moral para criticar os políticos como estes que estão fazendo campanha aberta em plena pandemia e ainda fora de época.
Diante dos fatos e imagens que presenciamos, como do presidente “bundão” e das aglomerações do povo na torcida pelo candidato inescrupuloso, como ter esperança e acreditar num Brasil melhor, num futuro promissor de igualdade, honestidade e caráter? Como se orgulhar do seu país? Quem faz o bom, ou o mau político é o próprio povo que vende sua alma para o diabo.
AS INVENÇÕES E SUAS NECESSIDADES
Em “Armas, Germes e Aço – os destinos das sociedades humanas”, o cientista e autor do livro, Jared Diamond, no capítulo “A Mãe da Necessidade”, fala das grandes invenções, principalmente no século XIX, e explica que o invento é mais a mãe da necessidade do que o contrário. A grande maioria dos inventores toma emprestado a tecnologia de outros para concretizar suas ideias.
A difusão, segundo ele, depende muito das condições geográficas e ecológicas entre as sociedades, bem como das dimensões populacionais entre os continentes. Ele cita o “Disco de Festos”, na ilha de Creta, por volta de 1700 a. C , como primeiro documento silabário impresso mais antigo do mundo. Os sinais do disco foram gravados na argila temperada por carimbos que tinham um sinal em baixo relevo, mas não foi propagado como a impressão de Gutemberg em razão de diversos fatores desfavoráveis.
A CONQUISTA ATRAVÉS DA TECNOLOGIA
Sobre a tecnologia, destaca o autor da obra, que na forma de armas e transporte, ela proporciona os meios diretos pelos quais certos povos ampliaram seus reinos e conquistaram outros povos. Quem fica para trás e rejeita as invenções termina sendo subjugado por outras sociedades inovadoras.
Para ele, os avanços tecnológicos parecem vir, de modo desproporcional, de alguns gênios especiais, como Johannes Gutemberg, James Watt, Thomas Edison e os irmãos Wright. Eles eram europeus ou descentes de emigrantes na América. Existem os casos de Arquimedes e outros gênios raros dos tempos antigos, mas não é somente o intelecto que conta na criação.
Muitas sociedades, principalmente as mais conservadoras, demoram para assimilar e aceitar as invenções. A sua pergunta é do porquê a tecnologia se desenvolveu em ritmos diferentes nos vários continentes. Existe a ideia comum de que a necessidade é a mãe da invenção, mas o cientista também entra pela vertente da premissa contrária.
No entanto, muitas invenções, de acordo com o biólogo e fisiologista, encaixam nessa visão da necessidade como a mãe. Como exemplo, cita o Projeto Manhattan, do governo norte-americano, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. O objetivo foi o de construir uma bomba atômica antes que a Alemanha nazista fizesse. Em três anos foi concluído a um custo de dois bilhões de dólares (hoje mais de 20 bilhões).
Outros exemplos dessa necessidade foi o descaroçador de algodão, inventado por Eli Whitney, em 1794, para substituir o trabalho demorado e cansativo de limpeza do produto. Outro caso foi a máquina a vapor, concebida por James Watt, em 1769, para solucionar o problema de bombear a água para fora das minas de carvão britânicas. Assim, em sua opinião, a invenção é quase sempre a mãe da necessidade.
Um exemplo claro é a história do fonógrafo de Thomas Edison, “a criação mais original do maior inventor dos tempos modernos”. Quando ele fez o fonógrafo, em 1877, publicou um artigo sugerindo dez utilizações possíveis, entre elas preservar as últimas palavras de pessoas no leito de morte e gravar livros para deficientes visuais. A gravação de música não estava entre suas prioridades.
Anos depois, Edison passou a vender fonógrafos, para serem usados como máquinas para ditar textos nos escritórios. No entanto, os empresários criaram as vitrolas automáticas. Só depois de 20 anos, o inventor admitiu, com relutância, que a principal utilidade de seu fonógrafo era gravar e tocar música.
Por outro lado, o veículo motorizado não foi inventado para atender a uma demanda. Quando Nikolaus Otto construiu a primeira máquina a gás, em 1866, os cavalos já supriam as necessidades do transporte terrestre há quase seis mil anos. Por ser pesada, com mais de dois metros de altura, a máquina não era mais aceitável que os cavalos. Só depois de 1885, os motores foram aperfeiçoados, levando Gottfried Daimler a instalar um motor na bicicleta, surgindo, então, a motocicleta a gasolina.
O povo continuou satisfeito com os cavalos e as ferrovias até a Primeira Guerra Mundial, quando o exército concluiu que precisava de caminhões. O intenso lobby pós-guerra convenceu o público da necessidade dos caminhões no lugar das carroças puxadas a cavalo.
“As primeiras máquinas fotográficas, de escrever e os aparelhos de televisão eram tão terríveis quanto a medonha máquina a gás de dois metros de Otto. Embora Watt tivesse projetado a máquina a vapor para bombear água para fora das minas, tempos depois a invenção estava fornecendo energia para as fábricas de algodão e impulsionando locomotivas e barcos.
O APERFEIÇOAMENTO DE OUTROS
A famosa invenção da lâmpada incandescente de Edison, em 21 de outubro de 1879, era um aperfeiçoamento de muitas outras lâmpadas patenteado por outros inventores entre 1841 e 1878. Do mesmo modo, o avião tripulado dos irmãos Wright foi precedido pelos planadores de Otto Lilienthal e a máquina voadora de Samuel Lasngley. O telégrafo de Samuel Morse foi precedido pelos de Joseph Henry, William Cooke e Charles Wheatstone. O descaroçador de Eli Whitney foi aperfeiçoamento de outras máquinas
Para Diamond, a tecnologia evolui de modo cumulativo, não em atos heroicos, e que a descoberta da maioria das utilidades de uma invenção ´é feita depois, e não sempre antes para satisfazer uma necessidade prevista.
- 1










