:: 17/ago/2020 . 22:43
OS GERMES SÃO MAIS INTELIGENTES QUE HUMANOS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA
AS CARACTERÍSTICAS COMUNS DE TRANSMISSÃO DAS DOENÇAS
“A escrita caminhou junto com as armas, os micróbios e a organização política centralizada como um agente moderno de conquista… Relatos escritos de expedições motivaram outras posteriores, pela descrição das terras férteis que esperavam os conquistadores”. Essa revelação é contada pelo biólogo Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.
Em sua exposição científica, cita que a escrita nasceu primeiro, de forma independente, no Crescente Fértil com os sumérios por volta de 3000 a.C. e na Mesoamérica, sul do México, antes de 600 a.C. Por difusão de ideias, no Egito (os hieróglifos), 3000 a.C., na China por volta de 1.300 a.C. no vale do Indo, na Grécia e em Creta que podem ter sido também de modo independente. A escrita cuneiforme suméria é o sistema mais antigo da história.
Interessante é que a escrita maia é organizada de acordo com os princípios semelhantes aos dos sumérios e de outras escritas eurasianas nas quais os sumérios se inspiraram. Muitas outras sociedades desenvolveram suas escritas como na Índia, Grécia micênica, Creta minoica e na Etiópia.
O alfabeto cirílico (ainda usado na Rússia) decorre de uma adaptação de letras gregas e hebraicas feita por São Cirilo. Outro idioma, como o germânico, teve seu alfabeto gótico criado pelo bispo Ulfilas. As centenas de alfabetos históricos e atuais derivam do alfabeto semítico ancestral (da Síria ao Sinai) no segundo milênio a.C. No início, o conhecimento da escrita era restrita aos escribas a serviço dos reis e dos sacerdotes.
No entanto, a escrita alfabética grega se expandiu para além dos escribas e foi um veículo de poesia e humor para serem lidos nos lares. Por sua vez, a produção de alimentos foi essencial para a evolução da escrita como para o surgimento dos micróbios causadores das epidemias humanas.
POPULAÇÕES EXPOSTAS EM POUCO TEMPO
As doenças infecciosas têm várias características comuns, como de transmissão rápida e eficaz da pessoa contaminada para a saudável que está próxima, e com isso a população inteira fica exposta em pouco tempo. Outra característica são as doenças agudas num curto período onde as pessoas morrem, ou se recuperam rapidamente. Outra diz respeito aos felizardos que se recuperam e desenvolvem anticorpos que os deixam imunes por muito tempo a uma repetição da doença, possivelmente para o resto de suas vidas.
Segundo Diamond, a disseminação dos micróbios e a passagem rápida dos sintomas significam que todo mundo, em determinada população humana, é rapidamente contaminado e logo depois está morto, ou recuperado e imune. Como o micróbio só pode sobreviver nos corpos de pessoas vivas, a doença desaparece até uma nova leva de bebês atingir a idade suscetível até que uma pessoa infectada chegue do exterior para desencadear uma nova epidemia.
Ele cita, como exemplo, como essas doenças se transformaram em epidemias na história do sarampo nas ilhas do Atlântico chamadas Feroé, em 1781, e depois desapareceu, deixando os locais livres do sarampo até a chegada de um carpinteiro contaminado vindo da Dinamarca de navio, em 1846. Em três meses, quase toda população de Feroé (7.782) havia contraído a doença e morrido, ou se recuperado.
Estudos mostram que o sarampo tende a desaparecer em qualquer população inferior a meio milhão de pessoas. Só em populações maiores, a doença pode passar de um local para outro, persistindo assim até que um número suficiente de bebês tenha nascido na área originalmente infectada para que o sarampo possa voltar.
As doenças de multidão
Conforme seus estudos, as doenças de multidão não conseguiram se manter em pequenos grupos de caçadores-coletores e lavradores primitivos. No inverno de 1902, uma epidemia de disenteria levada por um marinheiro matou 51 dos 56 esquimós sadlermiuts, na região ática do Canadá. “Sarampo e outras doenças infantis têm maior probabilidade de matar adultos infectados do que crianças”.
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