:: 9/set/2014 . 23:24
ITAMAR INDICA LEITURA DO ARTIGO DE ORLANDO SENNA
ESCURIDÃO E ESPLENDOR
No filme alemão Jesus me ama (Jesus Liebt Mich), uma comédia alegórica e absurdista de Florian David Fitz sobre a eterna luta entre o Bem e o Mal, os jovens Jesus e o Diabo tentam resolver suas diferenças na mão, na porrada, em um confronto de socos, pontapés e pauladas. Enquanto Deus, o velho, lava as mãos e diz que essa briga é um problema da humanidade e não dele. Um dos eixos da alegoria é o egoismo do amor. Sabemos que a incorrigível humanidade chegou a profundidades radicais de estupidez e violência em vários períodos da sua história, gerando crises universais e, consequentemente, saídas para essas crises. Saídas dolorosas, desgarradoras, mas saídas — se assim não fosse o apocalipse já teria acontecido (no século passado o grande exemplo é a Segunda Guerra Mundial e seu rabicho Guerra Fria, com mísseis nucleares apontados para todas as direções).
LENÇÓIS REALIZA I FLICH
Escritores, poetas, músicos, cineastas, críticos literários, estudantes, professores, contadores de estórias e causos se encontraram em Lençóis e Seabra, no período de 3 a 7 de setembro, na I Festa Literária Internacional da Chapada Diamantina (I FLICH). Foi praticamente uma semana de discussões as mais variadas, com oficinas, projeções de filmes, palestras e lançamentos de livros onde todos beberam da mesma fonte do conhecimento numa paisagem de verde e casarios históricos.
Numa ação conjunta da Prefeitura de Lençóis, Associação EcoViva, Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e empresas locais, a programação foi aberta no auditório da instituição pública, em Seabra, com apresentação da banda de pífanos da cidade, seguida da
Professor Itamar Aguiar apresenta o cineasta Orlando Senna
conferência “Poesia Negra, Contemporaneidade e Novas Mídias” proferida pelo escritor José Carlos Limeira.
Nos dois primeiros dias, as oficinas, as palestras e os debates literários com temas diversificados aconteceram na cidade de Seabra, unindo turismo e cultura, ecologia e Patrimônio Arquitetônico Colonial. Ainda no dia 4, às 20 horas, o evento foi aberto em Lençóis no Mercado Cultural. Os trabalhos prosseguiram nos dias 5,6 e 7 na cidade histórica onde quem chega entra no túnel do tempo das larvas diamantinas e dos coronéis e jagunços.
Além do escritor João Ubaldo Ribeiro e do compositor e poeta Dorival Caymmi, o cineasta lençoense que participou do encontro, Orlando Senna, foi também um dos homenageados que falou de literatura e cinema. Seu prestigiado filme Diamante Bruto, com o ator protagonista José Wilck, foi exibido no auditório do Centro Cultura da EcoViva com posterior debate do próprio diretor que respondeu, pacientemente, a todas indagações feitas pela atenta plateia.
Recital de poesias e lançamentos de livros na EcoViva
Palestra sobre Literatura e Cinema com João Jardim e Orlando Senna
Cineastas João Jardim, Orlando Senna e a professora Solange Lima no debate sobre Literatura e Cinema, no Canto das Águas
No Mercado Cultural, o conquistense e escritor Alberto Marlon (de boné) participa da Feira de Livros
Joabson Figueredo, os professores Itamar Aguiar e Ronaldo Senna falam sobre Chapada Diamantina: Literatura e Memória Cultural, tendo como mediadora do tema a professora Cristina Sales
FUTEBOL BRASILEIRO EM CRISE Carlos Gonzalez -jornalista
“Amigo, em fui da época em que o Bahia bateu o Santos de Pelé e foi campeão brasileiro de 1959. Hoje, os clubes do Nordeste já iniciam o Brasileirão brigando para não cair”. Ademir da Guia, 72 anos, o maior ídolo do Palmeiras, usou esse exemplo para mostrar que o futebol brasileiro passa por uma crise técnica, onde os times dos grandes centros, como Rio e São Paulo, se nivelam aos nordestinos – há poucos dias, ABC e América, ambos de Natal, eliminaram, respectivamente, Vasco e Fluminense da Copa Brasil.
O “Divino”, como era apelidado nas décadas de 70 e 80, se limitou a falar sobre o panorama técnico do futebol brasileiro, deixando de mencionar o lado financeiro. A imprensa tem noticiado, quase que diariamente, a situação pré-falimentar de alguns dos grandes clubes que participam das quatro séries do Campeonato Brasileiro, revelando que, três ou quatro deles, anunciaram que abandonariam a competição, porque não conseguem levar seus torcedores aos estádios, mas só não o fizeram porque a CBF, a “mãe rica”, os ameaçou com pesadas multas e exclusão por dois anos de jogos oficiais.
Talvez tenha passado pela cabeça dos dirigentes do Vitória da Conquista, logo depois das terceira rodada do torneio da série “D”, com apenas um ponto ganho e sem chances de se classificar para a segunda fase, perder seus demais jogos por WO. O time conquistense, por falta de divulgação das suas partidas e de apoio dos desportistas e empresários da cidade, tem prejuízo financeiro toda vez que entra em campo. Os números podem ser consultados nos boletins publicados no site da CBF.
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