abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

QUER PASSAR RAIVA?

ANAGÉ 011

Pois é, você sai de sua casa num domingo ou feriado para se divertir, descontrair e relaxar, mas termina passando raiva por causa de um monte de imbecis que carregam nos porta-malas de seus carros verdadeiros trios elétricos com uma barulheira infernal que dão o nome de som.

É isso mesmo que acontece na Barragem de Anagé, distante 60 quilômetros de Vitória da Conquista, numa área de barracas com comidas e bebidas, bastante frequentadas por famílias e moradores das redondezas, sem contar visitantes de fora que estão ali a passeio.

ANAGÉ 019

Os caras chegam e vão abrindo seus “sons de carros” com caixas e mais caixas na maior altura como se fosse uma disputa para ver quem mais reproduz música da pior qualidade, na maioria axé, pagode, arrocha e outros estilos de letras apelativas, sem sentido e conteúdo.

A zoeira é tamanha que não dá para separar uma banda da outra, nem distinguir qual o pior som e o mais potente em porcaria. Tudo isso ocorre a solta sem nenhuma proibição e controle. É uma tremenda falta de respeito com as pessoas que vão ali à procura de tranquilidade.

Em decorrência das batucadas infernais, você não pode nem curtir um papo com os amigos, a não ser que grite como um desesperado como se estivesse brigando numa mesa de bar. O individuo não pergunta se você quer ou não ouvir a merda dele.

ANAGÉ 021

Estive lá no feriado de 7 de Setembro e fiquei mais estressado, mas eles sempre têm razão. Os incomodados que se retirem. A única saída é não demorar por muito tempo, a não ser que esteja disposto a detonar o tímpano do seu ouvido.

Além dos “carros de som” – os próprios barraqueiros costumam também colocar música alta – os riquinhos exibidores de jet-skis que têm chalés do outro lado da margem da barragem passam a toda velocidade, bem próximos aos banhistas, com risco de acidente. Ninguém respeita o espaço dos outros e não existe nenhuma fiscalização por parte do poder público, se é que existe. Só quando acontecer uma tragédia.

Nem é preciso lembrar aqui que pelo projeto original da barragem construída pelo DNOCS, na década de 1980, a intenção era lotear a área para famílias agrícolas, ou seja, ali deveria ser um assentamento irrigado.

ANAGÉ 038

Como o governo não deu o suporte necessário para a concretização do programa de irrigação para pequenos produtores, os endinheirados entraram e fizeram suas chácaras e casas de veraneio de final de semana com barcos e jet-skis de luxo. Por isso que muita gente apelidou o local de “Côte D´Azur”, numa referência ao balneário de burgueses existente na costa da França.

ANAGÉ 047

PONTOS DE REFLEXÃO

Nesse caos político e econômico em que vivemos, é hora de refletirmos sobre certos pontos que nos afligem. Na maioria das vezes somos levados pela onda do patrulhamento ideológico, paternalista e assistencialista. Existem muitas mentiras, inclusive embutidas nas propagandas dos governantes que vão se tornando verdades. Cuidado!

Veja esta do neurocientista norte-americano, professor da Universidade de Columbia, Carl Hart, ao falar das políticas sobre drogas: “Eu realmente não ouço políticos, porque eles não são as pessoas que devem ser ouvidas nesse assunto. Devemos ouvir as pessoas que têm publicações nessa área, que têm evidências, informação. Políticos geralmente são idiotas. Por isso, nem penso neles”.

Indagado numa entrevista à imprensa, em Salvador, a respeito da sua defesa a favor da legalização ou descriminalização das drogas nos EUA, se o mesmo pode ser aplicado no Brasil, disse que até descobrirmos como sermos mais inclusivos, sempre teremos problemas com o tráfico.

Quanto às diferenças entre as políticas antidrogas em seu país e no Brasil, declarou: “O que está sendo feito no Brasil nos dias de hoje é basicamente a mesma coisa que adotamos nos anos 1980”.

Há alguma similaridade entre a comunidade pobre de Miami com nossas favelas? Respondeu que as favelas daqui, em termos de arquitetura, são as piores que já viu. “Estive em lugares como África do Sul, mas as estruturas das casas no Brasil são realmente ruins. Há uma pobreza séria correndo aqui”. Acrescentaria que esse papo do governo de que tirou 30 milhões de brasileiros da pobreza é uma balela.

:: LEIA MAIS »

GABRIEL JESUS, UMA ESPERANÇA!

Carlos González.

“Só Jesus salva!”, diriam os seguidores da Igreja Universal do Reino de Deus, se destinassem algumas horas do seu dia para o lazer, acompanhando, por exemplo, o futebol, em vez de transferir suas economias para a manutenção da seita. Batizado e registrado em cartório com os nomes do anjo mensageiro das boas notícias, associado ao do Filho de Deus, Gabriel Jesus, paulista de 17 anos, atacante do Palmeiras, em 48 horas foi o escolhido pela imprensa esportiva para realizar o milagre que o torcedor espera de joelhos: salvar o futebol brasileiro, evitando um fracasso nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

O Arcanjo da Esperança, aquele que levou à Virgem Maria a notícia do nascimento de Jesus, precisará muito mais do poder da sua divindade para trazer de volta o espírito otimista do torcedor. Nos últimos anos o futebol nacional tem ocupado as páginas policiais dos jornais e da televisão, alvo de escândalos financeiros, dividindo o espaço com políticos, empresários, doleiros e delatores da operação Lava Jato.

João Havelange, Ricardo Teixeira, José Hawilla, José Maria Marin, preso na Suíça desde 27 de maio, e Marco Polo del Nero, além de presidentes de federações estaduais, são as principais figuras desse mar de lama, cujos reflexos são sentidos na má qualidade técnica dos clubes que estão participando dos campeonatos brasileiros, nas quatro séries, e na seleção, levando o público a se ausentar dos estádios, construídos e comprovadamente superfaturados, para a Copa do Mundo de 2014.

Por iniciativa do senador Romário de Souza Faria (PSB-RJ) uma CPI foi instalada no Senado com a finalidade de levar ao público a estrutura viciada do futebol brasileiro e não deixar impune os maus dirigentes que fizeram fortuna com o dinheiro do torcedor. Jornalistas sérios, sem vínculos com a CBF, como Juca Kfouri, da ESPN, e o britânico Andrew Jennings, autor de vários livros sobre a corrupção na FIFA e colaborador do FBI nas investigações que levaram à prisão de Marin e de outros seis dirigentes da entidade internacional. :: LEIA MAIS »

“FORMAÇÃO DO IMPÉRIO AMERICANO” (FINAL)

A CIA foi criada pelo presidente Harry Truman, em 1947, com a função de se dedicar à inteligência, mas não foi isso que ela fez ao longo dos anos. Ao contrário, desenvolveu técnicas de subversão; aprimorou operações de guerra na busca de aliados na oposição interna e no meio militar, principalmente durante a Guerra Fria; patrocinou golpes militares (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Nicarágua, Paquistão, Indonésia, Filipinas, El Salvador, dentre outros países); e praticou assassinatos, sabotagens e diversas atividades terroristas.

Com a invasão do Afeganistão em 1979 pela União Soviética, a CIA encorajou fundamentalistas e mercenários do Oriente Médio e África para sabotar e combater os russos. Por intermédio de representantes do Paquistão e Arábia Saudita, a agência estreitou vínculos com Usamah bin Ladin e financiou os mujahidin.

Bin Ladin começou a pensar no ataque às torres WTC quando a opressão e a tirania das forças coligadas dos EUA/Israel se tornaram insuportáveis contra Palestinos e o Líbano. O massacre de 1982 perpetrado por Israel com cobertura de tropas americanas aos acampamentos palestinos de Sabra e Chatila deixou marcas de revolta entre os islâmicos.

Como disse Muniz Bandeira, a CIA virou um monstro. Os presidentes Eisenhower e Kennedy utilizaram a agência de investigação como instrumento de intervenção contra a soberania de outras nações pelo mundo. Foi a partir daí que o complexo industrial militar convertera-se em poder de força na Guerra Fria, enquanto a União Soviética, submetida às leis do capitalismo de mercado, entrava em colapso, conforme previram Marx e Engels.

:: LEIA MAIS »

O CHÃO E A NOÇÃO

Blog Refletor    TAL-Televisión América Latina

Itamar indica Orlando Senna

Na natureza material, a corrupção é o processo de destruição de uma coisa ou de um animal. A palavra latina corruption significa decomposição, putrefação. Aristóteles definiu filosoficamente o processo como uma transformação que vai do ser ao não ser. A filosofia também trata, é lógico, da corrupção da alma das pessoas, do processo de apodrecimento da consciência. É a corrupção ética, a insensibilidade com relação aos semelhantes, aos valores da convivência, às leis e a qualquer obstáculo que possa impedir o corrupto de alcançar seu objetivo, de materializar sua ambição invariavelmente relacionada ao poder econômico ou a frustrações psicológicas.

Os estudiosos apontam duas características dessa disfunção humana: as influências culturais e a insaciabilidade. A primeira não tem a ver exatamente com o velho princípio de que ninguém nasce criminoso, inclusive porque há sérias dúvidas sobre isso depois da constatação da sociopatia, uma psicopatologia que gera comportamentos antissocias, os criminosos de nascença. Tem a ver com os estímulos recebidos do meio circundante, da sociedade onde se vive, que pode gerar ou não o comportamento criminoso (e também pode alimentar ou não sociopatias se aceitamos o criminoso de nascença).

Corruptocracia                                      

A outra característica é a falta de limites, nunca estar satisfeito com o resultado dos crimes já realizados, querer sempre mais, acumular riqueza ou poder simplesmente pelo prazer de ter. É uma escala onde o corrupto se torna irracional, incluindo nessa irracionalidade a certeza da impunidade, o sentimento de que está acima do bem e do mal, ver-se como um herói, em um patamar superior aos bocós e otários que formam o resto da humanidade. A corrupção administrativa, nos órgãos públicos, é a modalidade mais comum dos corruptos que objetivam acúmulo de poder e dinheiro, principalmente se estiver associada à corrupção corporativa, ou seja, ao mercado, aos empresários, à indústria e comércio.

:: LEIA MAIS »

PONTO DE VISTA

QUEM É O FASCISTA?

É irônico e hilário demais!  Não sei de dá para chorar ou rir! O senador Fernando Collor de Mello, entre tantas afrontas e desrespeito, chamou o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de fascista, de agir com retrocesso e ser o vazador de denúncias, sem contar o xingamento de “filha da puta”. Quem é mesmo o fascista?

Poderíamos dizer que o maior culpado disso tudo que está acontecendo em nosso país foi quem votou nele e em outros tipos do quilate de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, mas, se formos ao fundo do baú da história vamos ver que os verdadeiros responsáveis por essa hecatombe nacional são os governantes do passado que sempre procuraram deixar o povo ignorante para que o voto fosse sempre comprado.

O Brasil não merece tanta sujeira, tantos desmandos, ladroagens, tanta incompetência e tanta falta de planejamento e gestão juntos. É triste ver uma nação dividida com gentes nas ruas misturando coerências e incoerências. Não compactuou com posições contraditórias dos dois lados. Não se sabe hoje qual a pior crise que vivemos, se a política, econômica ou a moral.

ROTA DA MORTE

Tanta gente morrendo como bichos sufocados em porões de navios e em caminhões frigoríficos, tentando furar o cerco das fronteiras na rota da morte! Tanta desesperança, tantos sofrimentos nas guerras e nos massacres fanáticos em nome de etnias, tribos e religiões, enquanto as nações ricas e os organismos internacionais só dão depoimentos de pesar lamento!

Estou falando dos imigrantes da África, da Síria, do Iraque, da  Ásia e de outros continentes que estão morrendo nas fronteiras cercadas de muros e arames, enquanto entidades ambientais estão preocupadas em salvar as baleias e as tartarugas. Bilhões são gastos em armamentos e foguetes ao espaço para descobrir outros planetas, enquanto o próprio ser humano está em via acelerada de extinção. Como salvar os animais, se não salvamos a nós mesmos? Oh, quanta desumanidade!

PARQUÍMETROS SEM FISCAIS

PARQUÍMETROS 003

Muito bom mesmo delimitar as áreas de estacionamentos de veículos com parquímetros para que todos usem os equipamentos dentro das normas estabelecidas. Acontece que, com a precária fiscalização, muitos nem estão mais aí com horários de permanência, quanto mais em pagar. Isso está ocorrendo com os parquímetros que ficam aos arredores do centro, como na rua Otávio Santos, praça do Fórum, praça da feira (Teatro Jeová de Carvalho) e imediações. Como quase não se vê fiscais nessas áreas, motoristas nem estão aí para os solitários parquímetros que servem mais como decoração das ruas. Em outro mundo mais civilizado culturalmente, todos respeitam, mas aqui entre nós, infelizmente, as leis e as regras só funcionam na base do policiamento e da fiscalização.

PARQUÍMETROS 004

:: LEIA MAIS »

“FORMAÇÃO DO IMPÉRIO AMERICANO” (II)

Após comprar da França a Lousiania, em 1819, os UA forçaram a Espanha a ceder-lhe a Florida depois de ocupá-la militarmente. O 17º presidente Andrew Jackson (1829/37) anexou o território sem solicitar aprovação do Congresso, como fez McKinley em 1900 ao enviar cinco mil soldados para reprimir uma rebelião na China. Assim, foram sempre fabricando pretextos através do movimento conhecido como “Manifest Desting”.

Durante o século XX, desde 1900, os Estados Unidos promoveram ou se envolveram em mais de 200 intervenções militares, sempre com objetivos de defender interesses econômicos e estratégicos e não de construir uma democracia, conforme concluíram cientistas políticos.

Nos últimos 50 anos, fracassaram quase todas as guerras, com exceção de Granada e Panamá, por se tratarem de territórios pequenos sem forças para reagir e resistir. Só para citar, perderam contra Cuba na invasão da Baia dos Porcos, em 1961, quando a CIA mandou pra lá mercenários e exilados cubanos. O bloqueio econômico não conseguiu derrubar Fidel Castro. No Vietnã, em 1975, os soldados tiveram de fugir às carreiras.

Voltando à analise anterior reportada pelo escritor baiano Luiz Alberto Muniz Bandeira, em “Formação do Império Americano”, a usurpação do México, em 1849, levou os norte-americanos a criarem olho grande sobre a nossa Amazônia. O diplomata brasileiro Sérgio Teixeira de Macedo advertiu que a abertura da Amazonas à navegação pretendida pelos EUA iria escancarar a porta à formação de empreendimentos e à imigração deles. Estava em seus planos a conquista da ilha de Marajó e outras áreas.

:: LEIA MAIS »

“FORMAÇÃO DO IMPÉRIO AMERICANO”

Por mais que intelectuais e estudiosos torçam a cara considerando o termo ultrapassado, os Estados Unidos, pelo que já fez desde o século XIX até os tempos atuais para estender seu domínio político e econômico sobre outros povos, continuam sendo um país imperialista e arrogante, tudo com o fim de impor sua doutrina de democracia exemplar única que deve ser seguida como padrão por todos.

Seus governantes e seguidores do conservadorismo não têm moral para cobrar democracia, liberdade e humanismo. O livro “Formação do Império Americano – da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque”, do baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira, que já foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura, no ano passado, com a obra “O Feudo”, deve ser lido e compreendido como os Estados Unidos saíram pelo planeta subjugando nações, cometendo atrocidades, massacres e crimes de guerra.

Mesmo assim, os responsáveis nunca sentaram como réus num Tribunal Internacional para serem julgados pelos seus atos de tortura, matanças e terrorismo de Estado, inclusive contra milhares de civis inocentes. O trabalho aprofundado de Moniz Bandeira que está adoentado e mora na Alemanha, foi traduzido para o chinês e começa citando o filósofo Friedrich Engels.

Ao descrever suas origens, em comparação com a Rússia, de caráter comunista primitivo, Engels assinalou que os Estados Unidos foram, desde sua formação, “um país moderno, burguês, fundado por pequenos burgueses e camponeses, que haviam fugido do feudalismo europeu, para criar uma sociedade puramente burguesa”.

A guerra pela independência das treze colônias desdobrou na América a Revolução Inglesa de 1648, conforme relata o autor do livro. Para os Estados Unidos foram os elementos mais radicais do exército de Oliver Cromwell, os puritanos, quacres da Inglaterra, menonitas da Alemanha, calvinistas holandeses e protestantes refugiados de quase todos os países da Europa onde ocorriam as lutas religiosas que acabaram com o feudalismo.

:: LEIA MAIS »

OH, QUANTA DESFAÇATEZ!

O radicalismo e a insensatez imperam nas manifestações. Escravos falam pela voz dos patrões. O ato pró-Dilma do PT, da CUT, do MST e da UNE, (que saudades daquela União Nacional dos Estudantes!), grita fora Cunha e critica o Judiciário. Cala-se diante do Renan e do Fernando Collor. Oh, quanta desfaçatez!

Em Salvador, o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli condena as ações investigativas da Operação Lava Jato, mas silencia quando é interpelado por um repórter sobre denúncia do Ministério Público contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tratado como inimigo número um da presidente.

Ladrões e corruptos são poupados, desde que estejam ao lado do governo tramando um acordão. Na outra manifestação do dia 15 (domingo passado), o Cunha era o aliado e Renan o inimigo. Pouco se falou da atuação do juiz Sérgio Moro. Prevalecem as contradições e o ódio cego de uma nação que esqueceu os princípios básicos de combater a qualquer custo a desonestidade.

Sindicalistas dizem que os protestos contra Dilma são feitos pela “elite branca”, pelos bonitinhos e os “bem nutridos”. Lá estavam o ex-deputado federal e ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima e a deputado federal, Alice Portugal. Quer dizer que eles são desnutridos e não fazem parte de ume elite?

É bom lembrar que os empresários e os banqueiros do sistema financeiro que mais lucraram nos últimos anos e ainda são os que mais ganham dinheiro neste país em recessão e desemprego, principalmente os bancos, passam batidos nos protestos porque servem aos dois lados.

Estes segmentos não prezam a democracia, mas os seus bolsos. Foram eles que mais deram sustentação à ditadura militar. Para eles, não importa o sistema ou o regime, desde que continuem explorando e aumentando cada vez mais o faturamento de seus negócios. O capitalismo desenfreado é o deus e está acima de qualquer ideologia.

Já os intelectuais e artistas artífices da nossa cultura se recolheram aos seus aposentos com seus pijamas. De longe dá para se escutar o silêncio dos bons. A Igreja Católica não se manifesta, enquanto pastores evangélicos e a bancada da bala fazem coro ao conservadorismo de um Congresso desmoralizado que não representa mais o povo.

MÁXIMAS E MÍNIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ

Coletânea organizada por Afonso Félix de Sousa, com apresentação do escritor baiano Jorge Amado (4ª edição – Editora Record), “Máximas e Mínimas do Barão de Itararé”, é uma leitura que descontrai, principalmente nesses tempos tão sisudos em que atravessamos, recheados de notícias pesadas de corrupção e golpes. É bom entrar no túnel do tempo.

Em uma dessas espiadas no meu Acervo Cultural, lá encontrei esta pérola sobre o Barão de Itararé, ou Apparício Torelly, “o gaúcho que desaguou na cidade do Rio de Janeiro na maré cheia da Revolução de 30” – como bem relata seu amigo de toda vida, Jorge Amado. O moço boêmio abandonou o curso de medicina para exercer o jornalismo, com pseudônimo de Apporelly, fazendo, com seu estilo humorístico, o país rir.

Como diretor, redigiu sozinho o semanário “A Manha”. Na década de 40, como disse Jorge Amado, não houve no Brasil escritor mais lido e admirado do que o humorista cujo riso, ao mesmo tempo bonachão e ferino, fazia crítica aguda e mordaz da sociedade brasileira e lutava pelas causas populares. Era uma espécie de Dom Quixote nacional, malandro e gozador contra as mazelas e os malfeitos.

A batalha de Itararé, tão falada nos jornais, como escreveu o poeta Murilo Mendes, nunca houve, mas dela emergiu a figura do Barão de Itararé. Dele, conforme ressalta o escritor baiano, nasceram os atuais humoristas brasileiros, os que desenham, os que escrevem e desenham. “Dele nasceram Stanislaw Ponte Preta e o Analista de Bagé” Após sua morte, em 1971, os generais da ditadura se encarregaram de silenciar a figura do Barão de Itararé.

Do livro extrai este paralelo sobre seu pensamento: Espírito positivo, como pensador, o Barão de Itararé revela-se superior a Augusto Comte, o chefe do positivismo.

Senão vejamos algumas tiradas do filósofo de Montpelier e os conceitos de Itararé sobre o mesmo tema: “Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos” – dizia Comte. Itararé não se conforma e responde: “Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mais vivos”.

“Viver para Outrem”, aconselha o fundador da Religião da Humanidade. “Viver para o trem” – é o que recomenda Itararé, numa mensagem dirigida aos ferroviários. O Marquês de Maricá afirmava que “mais vale um pássaro na mão que dois voando”. Itararé já pensa que “mais valem dois galos no terreiro que um na testa”.

O Barão, entre outras peripécias, descobriu que o limão não é limão, mas uma laranja que sofre do estômago. São seus prolongados sofrimentos que o deixam amarelo. O limão é, portanto, uma laranja com azia.

Outras tiradas dele: Cada Jânio com sua mania. De onde menos se espera, daí é que não sai nada. Quanto mais conheço os homens, mais gosto das mulheres. Deus dá peneira a quem não tem farinha. Deus dá pente a quem não tem cabelo. Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes. Quem empresta, adeus. Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

São muitas sobre pobres, conselho médico, os raios X, a profecia da feiticeira e tantas para relaxar. Essa é do “Milagre Não Vale”! Levi morre. Levi chega ao céu e se apresenta diante de São Pedro.

-Eu quero entrar! – exclama.

-Impossível, Levi. Tua folha corrida acusa um vício feio: “jogador”.

-É certo, Pedro. Mas tu és misericordioso. Vamos jogar o meu lugar na Glória, na carta maior. Se eu ganhar, entro. Se perder, vou para o inferno.

– Está bem, disse Pedro, rindo.

Um anjo leva-lhes um baralho de matéria plástica. Um baralha, o outro corta. Pedro vai agarrar as cartas, mas Levi o detém, advertindo-o:

– Pode dar… mas milagre não vale, hein, velhinho!





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia