O MAIOR CULPADO É O HOMEM
Não me venha colocar a culpa nas tempestades da natureza que saiu arrastando tudo na cidade de Petrópolis (Rio de Janeiro) e vem provocando enchentes gigantes em várias partes do Brasil, deixando um rastro de destruição! A mídia costuma anunciar que os temporais inesperados causaram danos materiais incalculáveis e milhares de mortes.
Deveria dizer que a estupidez do homem é a maior culpada de tudo isso que vemos nas tristes imagens. Dizer sim, que são tragédias anunciadas, porque há anos, ou séculos, o ser humano vem destruindo o meio ambiente. A natureza apenas reage às provocações, e as catástrofes não passam de consequências das perversidades humanas. Só os brutos não enxergam isso.
Todos nós somos culpados porque elegemos governantes safados que nem estão aí para proteger as áreas degradadas que já sofreram estragos no passado. Todas as vezes que acontecem as tragédias, logo em seguida aparecem nas telas os “milhões de reais que serão liberados para reparar os danos, mas os recursos somem nas próprias enxurradas.
Os especialistas e ambientalistas sabem muito bem (qualquer leigo também) que há anos as construções foram feitas em locais inadequados, as chamadas áreas de alto risco, que vão ceder. A questão é apenas de tempo.
Além do poder público e o setor imobiliário fazerem vistas grossas para essas habitações em morros e encostas perigosas, visando lucros, nunca realizaram obras de proteção. Nada de investimentos em infraestrutura e saneamento.
Agora, depois do leite derramado, não adianta ficar rezando e enxugando as lágrimas, ou rogando a Deus pedindo ajuda. Não foi Ele quem mandou esse sofrimento, e nem matou uns e deixou outros tantos vivos. Não me venham com essa de que foi Deus que assim quis. É até uma burrice assim pensar. É uma maneira de querer apagar a nossa culpa. Enganar a si mesmo.
Como sempre, logo aparecem por todo país as campanhas de solidariedades para os desalojados sobreviventes, como forma de alento, por pouco tempo, mas não se cobra a punição contra os verdadeiros responsáveis criminosos. Em pouco tempo tudo é esquecido. Fazem alguns serviços de limpeza; dão alguns tostões de ajuda; embolsam a maior parte do dinheiro nas burocracias; e as vítimas ficam a ver navios.
As doações não passam de paliativos, e até mesmo esmolas, porque não resolvem o problema daqueles que perderam tudo, principalmente familiares, parentes e amigos. Esses ficam penando nas valas dos esquecidos. Não demora muito e outros temporais acontecem, numa repetição como nos filmes já vistos por várias vezes.
Com o aquecimento global, a ganância do consumismo e a falta de preservação do meio ambiente, a tendência é só piorar. Cada tragédia tende a superar a outra e, mais uma vez, colocam a culpa na imprevisibilidade da natureza, porque nem os serviços atrasados de meteorologia dos homens conseguem fazer mais previsões. A mão estúpida do homem foi tão pesada que as reações do tempo deixaram de ser previsíveis.











