Difícil você encontrar uma pessoa que não goste de viajar, visitar lugares e outras culturas, se bem que conheço uns avarentos idiotas e imbecis que passam a vida correndo atrás do dinheiro e por ele brigando com familiares, como se nunca fossem morrer ou levar os bens no caixão! São criaturas vivas-mortas, almas penadas!
Não vale a pena perder tempo falando dessa gente. Sinto pena por não usarem nem 0,1% dos neurônios. Gostoso mesmo, meu camarada, é viajar, que seja a negócio ou outro compromisso. Só não vale se for por morte porque ai, lá se vai o prazer de curtir!
Quando se resolve pegar estrada, sempre se faz planos, mas aparecem os imprevistos e sem eles não se tem histórias, estórias ou causos para se contar. Viagem sem imprevistos não tem muita graça e cada um tem um acontecido ou vários para narrar aos amigos.
Por descuido ou desleixo da minha parte – os preconceituosos logo dizem que é a idade – fui almoçar com a família numa churrascaria por livre e espontânea pressão (não gosto de churrascaria) e na saída ocorreu um imprevisto desagradável.
Coloquei meu celular no bolso da bermuda e quando fui entrar no Uber (ainda prefiro um taxi) o aparelho escapuliu e foi ao chão. Sem ver, o motorista passou por cima e esmagou o falante fofoqueiro e boateiro.
Só fui perceber sua falta quando cheguei em casa (aliás na casa da minha ex) e aí a mente começou a arder. Entrei em contato imediatamente com meu filho que deu uma boa nova de ter encontrado um celular no chão de areia e ter deixado no restaurante.
Imediatamente fui à praça e pequei um moto taxista. Não podia perder tempo. Lá estava o “sujeito” das redes sociais, mas com o visor todo quebrado e sujo de terra. Sorte de um lado e contrariedade do outro. “Este não presta mais” – julguei.
O motoqueiro procurou me acalmar e foi logo indicando um tal de seu Neuton (lembrei do físico) que é “cobrar” para esse tipo de serviço. Não podia perder tempo e para lá me dirigir. Era tudo ou nada.
– É veizinho, esse aqui está difícil de ser recuperado, mas vou ver o que posso fazer – assim me atendeu o técnico, um senhor de meia idade, com uma risadinha insolente de sacarmos. “Passe aqui no final da tarde e vamos ver o que podemos fazer”.
Como estava desesperado e necessitado da sua ajuda, não poderia dizer umas “boas” para o nordestino abusado gozador da miséria dos outros. – Não tenho cara de sulista para ele me receber assim.
Pensei cá comigo: O cara nem me conhece e vem logo me chamando de “Veizinho”. Dei vontade de responder que tinha nome e “Veizinho” era o avô ou o pai dele.
– Fica quieto, Jeremias, você precisa do homem e vá lá que ele se reta e manda eu procurar outro lugar, ou até jogar o celular todo esbagaçado em minha cara. Raciocinei rápido e achei por bem engolir o “Veizinho”, e ainda rogar delicadamente pelo seu serviço, que caprichasse na obra.
Sai agoniado e pouco confiante, mas com raiva do seu Neuton. Deveria ter lhe respondido à altura. No momento só pensava na perda do aparelho e dos meus arquivos. Passei a tarde avexado contando os minutos para voltar à loja e saber do assucedido.
Cheguei triste e acabrunhado. O moço percebeu da minha angústia e me tripudiou com seu olhar. Para me deixar ainda mais apreensivo, apenas falou que estava vendo. Me deixou esperando por quase uma hora. Confesso que não estava mais aguentando aquela “tortura” psicológica.
– Esse cretino está me tirando do sério! Tem o prazer de ser sádico? Em minha cabeça passou um monte de coisas sobre o comportamento humano. Batia uns 40 graus e numa poltrona estava a me refrescar num ventilador.
Dizem que quando se está com problema lhe atormentando, o urubu debaixo caga no de cima. Naquilo chegou um gordo forte, de uns trinta ou quarenta anos (devia ser sócio ou parente dele) e, sem ao menos pedir licença, arrastou com os pés o ventilado e botou em sua frente, em outra cadeira.
Na vida, você encontra todo tipo de gente, do gentil e educado ao ignorante e bruto casca grossa como um cavalo. Aliás, retiro a comparação porque o cavalo é bem mais dócil. “Animal “fela da puta”! Nem me respeitou como idoso! ”
Finalmente, veio de lá o técnico e pelo menos fez um gesto de positivo e bondade: “Você deu sorte e seu celular está pronto para outra porrada. Voltou a funcionar, e o chips não foi atingido”.
O custo foi salgado, dei uma pechinchada e até que concedeu um desconto. Matutei comigo mesmo que o “bicho” não era tão ruim assim. Esqueci da forma como me tratou no início. Fui embora contente pelo feliz resultado.
No entanto, olhei para o gordo do ventilado e fiquei pensando em sua atitude de desrespeito, egoísmo e outras coisas mais, de nem, pelo menos, dividir um pouco do vento comigo, mesmo vendo aquele meu sofrimento. O ser humano é a pior espécie animal! O Criador deve ter se arrependido no que fez!