Em pleno sertão nordestino, entre os mandacarus, os berros dos bodes, as espinheiras e a paisagem cinzenta do agreste nordestino, eis que surge o contraste do verde das videiras que brotam seus frutos durante todo ano do sol escaldante de 40 graus.
Alguém até poderia dizer que é o milagre que jamais ninguém poderia falar que um dia iria acontecer, mas isso foi possível graças as águas do Rio São Francisco, o nosso cansado “Velho Chico”, ou “Opará”, e a tecnologia de manejo aplicada pelo homem.
Por aquelas bandas da Bahia, no município de Casa Nova, e Pernambuco, em Lagoa Grande, por onde um dia cruzou Lampião em seu bando, lá está o espetáculo das vinícolas produzindo safras e vinhos de qualidade para todo Brasil e alguns países do mundo.
Estive lá e testemunhei este cenário “milagroso”, degustando as uvas dos seus exuberantes cachos, os espumantes e o vinho, com destaque para a vinícola “Rio Sol”, um nome bem sugestivo quando homenageia o rio e o sol quente da caatinga nordestina.
São cerca de 80 quilômetros distante de Petrolina, na BR em direção a Recife, mas a fazenda de um investidor português, em Lagoa Grande, fica encostada a dois quilômetros do “Velho Chico” que irriga aquelas terras estorricadas.
A água coteja diariamente e dali faz nascer o contraste das videiras e das mangueiras com o chão pedregulhento do sertão nordestino, misturado com os bodes que atravessam a pista.
Infelizmente, ainda pela secular injustiça social, ali convivem a riqueza e a pobreza de muitos que pouco têm e poucos vivendo em prosperidade. Os canais das águas do nosso São Francisco, genuinamente nacional, não chegam para todos, mesmo com a propalada transposição.
Tanto as vinícolas da Casa Nova, da Miolo, na Bahia, como a Rio Sol português, produzem a grande maioria das variedades europeias, como o Cabernet Sauvignon, (Adega do Vale), o Syrah, o Merlot, o Malbec, tanto o vinho fino seco como o suave de mesa.
De acordo com informações de uma especialista representante da empresa Rio Sol, 95% de toda produção são comercializados aqui mesmo no Brasil, sendo que a maior parte é consumida no Nordeste. Os vinhos são armazenados por cerca de cinco anos em barris de carvalho.
Praticamente durante todos os dias da semana (mais entre sábados e domingos), as vinícolas recebem visitantes turistas da região nordestina e de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que ficam encantados com as videiras e a estrutura das fazendas.