Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Depois das incelências,

Dos contritos benditos,

No ofício dos defuntos:

“Oh, Mãe Amorosa!

Do filho morto,

Da vida saudosa,

Ao Senhor que está na cruz”!

Que a todos nos conduz,

O corpo desceu pela rede,

Na tosca rasa cova,

De quatro velas em cada canto,

E da carne seca,

A terra dura prova.

 

Quando o dia gerou luz,

No alto da caatinga,

Ergueu-se uma cruz,

Nela enlaçou uma tarja,

De um luto oculto,

E a Mãe-da-Lua,

No cruzeiro pousou,

No manto da noite de breu,

Com seu canto suplicante

Que todo sertão gemeu.

 

Aquela apavorante melancolia,

Uivante plangente

Da nativa canora Mãe-da-Lua

Durou até o clarear do dia:

Era a morte com seu frio beijo,

Zombando do sofrer sertanejo.