Em todas as eleições e até fora delas, o Nordeste é vítima de discriminação e atos xenófobos por um bando de imbecis sulistas que se dizem patriotas, defensores da família, da democracia e da liberdade. São mentes doentias que vomitam merdas pelas bocas fedorentas e escrotas.
Esses indivíduos racistas criminosos, piores que ratos e baratas de esgotos, desconhecem que o Brasil tem uma grande dívida para com o Nordeste e todos os nordestinos. Como vampiros, desde a colonização, sugaram e sugam o sangue das nossas veias com seus instintos escravocratas.
Por cerca de quatro séculos, o Nordeste viveu isolado e submetido à chibata dos coronéis, dos grandes latifundiários, dos chefes políticos, castigado pelas secas que dizimaram milhares de almas e das injustiças sociais que empurraram os sertanejos para a violência e às barbaridades do cangaceirismo.
Perdoai, oh Senhor – se é que merecem algum tipo de perdão – porque eles não sabem o que falam! São elementos meliantes que deveriam ir diretos para a cadeia. Apesar de todos os sofrimentos do passado tenebroso exploratório, como disse Euclides da Cunha, o sertanejo nordestino é antes de tudo um forte e continua sendo trincheira da resistência.
Nem é preciso falar que o nordestino, mesmo varado de fome e sendo escravo em terras estranhas, foi o braço forte na construção de São Paulo e outras cidades sulistas. Por onde passou deixou seu legado e exemplo de honradez, de caráter, de trabalho e de cultura na música, na literatura, no cinema e outras linguagens artísticas.
Por falar nisso, o Nordeste é a região mais rica culturalmente do país, com um enorme potencial no cenário nacional e internacional onde dela brotaram os maiores escritores (José Lins do Rego, José de Alencar, Jorge Amado, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos e tantos outros), os mais renomados juristas, como Ruy Barbosa, cineastas do quilate de Glauber Rocha, economistas planejadores do desenvolvimento brasileiro, a exemplo do paraibano Celso Furtado, folcloristas da extirpe de Câmara Cascudo, ativistas políticos que deram suas vidas e lutaram até a morte contra as ditaduras, sem falar nos grandes compositores, músicos e intelectuais que levaram o Brasil para outras partes do mundo.
O Nordeste possui uma enorme diversidade de culturas populares, como as festas juninas com seus ritmos peculiares do forró, do baião (Luiz Gonzaga), do xaxado; os Ternos de Reis; o Maracatu; o Frevo; o Bumba meu Boi e outras expressões que ainda conservam suas tradições.
A lista de grandeza é extensa e aqui não estou assinalando as belezas naturais do seu litoral, da Chapada Diamantina, na Bahia, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, com suas pinturas rupestres das antigas civilizações pesquisadas pela arqueóloga brasileira Niède Guidon, os lençóis maranhenses e tantas outras riquezas que encantam o mundo.
A grande maioria do seu povo tem muito mais patriotismo e não é daqueles que canta o Hino Nacional batendo continência para a bandeira dos Estados Unidos; preza a soberania do seu país e não é entreguista; tem histórias revolucionárias pela libertação da sua gente do cativeiro dos exploradores; não coaduna com manifestos em favor de uma intervenção militar; e respeita muito mais a ideologia e a fé dos outros do que esses xenofobistas neonazistas.