Depois de sepultar o defunto, os comentaristas da Rede Globo e demais analistas do futebol apontam os criminosos, no caso a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que há anos se tornou uma entidade de disputas entre o poder, foco de denúncias de corrupção e malfeitos, sem contar as trapalhadas.

   As críticas só apareceram quando o juiz norte-americano, que ainda deu uma ajuda ao Brasil ao marcar aquele último pênalti (não existiu) e esticou o tempo, apitou a peleja, dominada totalmente pela Noruega, que não é lá esse bicho papão. Passou pelo Japão no sufoco, como aconteceu no empate contra o Marrocos.

  Todos esses escândalos da CBF tendem a refletir no campo, como as influências políticas e econômicas das contratações que não deveriam acontecer.

   Algumas indicações tiveram o dedo oculto do dinheiro sobre aquele jogador que dá maior faturamento através do marketing, caso específico do Neymar, que no final da partida teve que exibir seu papel de moleque ao bater boca com o goleiro, como se estivesse num baba de várzea, fato este antiprofissional.

  Poderia repetir tudo aqui o que já foi dito por milhões de brasileiros que acreditavam, sem acreditar, quando entraram na onda, ou na pilha, dos chamados “influenciadores” em ficar “secando” os prováveis adversários mais fortes para perder, inclusive torcendo contra Argentina e outros países. Quem assim age, demonstra que não confia em seu time.

  Para mim, que venho acompanhando a Copa e a participação do Brasil desde 1962, esta foi a maior derrota anunciada de toda sua história. O futebol do Brasil começou sua fase de decadência a partir da leva de jogadores que por grana foram para Europa e outros países, deixando para trás a nossa escola do gingado, da “malandragem” no bom sentido e a cultura do nosso futebol arte.

  Ouvi muito papo de que os nossos atletas não tiveram garra, não suaram a camisa, não lutaram em campo como deveriam, ou coisa parecida, mas tudo isso não conta e nem adianta quando temos uma seleção mediana, isto é, sem altos craques como antigamente. O jogador um pouco acima da média é o Vinícius Júnior.

  Outros ainda comentaram sobre as contusões de Paquetá, Rafinha e até do Militão, mas nenhum desses comprometeu com o “desempenho” da seleção porque não são craques e peças que decidem uma partida. Todos são praticamente do mesmo nível. Qualquer substituição equivalia a trocar seis por meia dúzia.

   O desfalque seria preocupante se ali estivesse um Pelé, um Garricha, um Rivelino, Tostão, Romário, o Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldo Fenômeno ou outro semelhante, do mesmo patamar.

  Mesmo assim, naquele tempo das nossas saudosas seleções, quando um craque era lesionado, entrava outro, como ocorreu em 1962 com Pelé, na Copa do Chile.

   Continua a mania de trazer muitos jogadores de fora que atuam em outros países (não são lá esses craques), quando poderia incluir no elenco mais atletas dos nossos campeonatos. Muitos que mereciam ser indicados, terminaram ficando de fora.

  Após a derrota anunciada, a fala dos jogadores, no sentido de “erguer a cabeça”, corrigir os erros e trabalhar mais forte deu a impressão que a gente estava num Campeonato Brasileiro e tinham mais jogos pela frente para recuperar o fracasso.

   Acho que eles não entenderam que o jogo foi de “mata a mata” e quem perdia tinha que arrumar as malas e vir para casa. Será que  o técnico Ancelotti, que chegou num momento conturbado, não alertou sobre isso no vestiário?

Com essa seleção, o melhor treinador do mundo não chegaria à final da Copa. No futebol, não se fabrica craques. O máximo que se pode fazer é melhorar o nível técnico, seu posicionamento em campo, o acerto de passes e o domínio da bola. Por falar nisso, essa seleção machucou e maltratou a deusa bola. Coitada dela, sofreu bastante!