Nasceu do latim vulgar a última Flor do Lácio, ao norte da Itália, introduzido pelos soldados romanos no noroeste da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.. Misturou-se e sofreu influencias com as línguas locais e depois com idiomas germânicos (século V) e árabes (século VIII).
Nos séculos IX e XIV, com a expansão dos árabes, se evolui para o galego-português, falado na Galiza e norte de Portugal. Veio a se consolidar mesmo a partir dos séculos XII e XIII (1200 e 1300), sendo oficializado pelo rei Dom Dinis (1290) como a língua da corte.
Como se vê, foi um longo processo, tendo como partida o latim vulgar, para se ter o português arcaico. Como sempre acontece, passou despercebido da mídia e por muitos, o Dia Mundial da Língua Portuguesa, a Flor do Lácio, no último dia 5 de maio, criado pela Unesco, em 2019, para valorizar a cultura dos povos que falam esse idioma.
É bom lembrar que em 5 de novembro se comemora o Dia Nacional da Língua Portuguesa (lei 11.310 – 2026), em homenagem ao nascimento (1849 em Salvador-Bahia) do grande escritor, jurista e político Rui Barbosa. É mais um célebre nordestino conhecido mundialmente pelo seu discurso em Haia.
Atualmente são cerca de 280 milhões de habitantes que falam o português (a maioria no Brasil – 200 milhões) em nove países, incluindo Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Timor Leste (Ásia Oceania) e ainda Macau (China), que utiliza o português.
O português é considerado a língua mais recente das línguas neolatinas (latim vulgar) da região do Lácio, na Itália. Essa metáfora, “a flor exalta a beleza da língua inculta e bela” foi popularizada pelo nosso grande poeta Olavo Bilac em seu soneto “Língua Portuguesa”:
“Ultima flor do Lácio, inculta e bela,/És, a um tempo, esplendor e sepultura:/Ouro nativo, que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura./ Tuba do alto clangor, lira singela,/Que tens o trom e o silvo da procela,/E o arroio da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma/De virgens selvas e de oceano largo!/Amo-te, ó rude e doloroso idioma.
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,/ E em que Camões chorou, no exílio amargo,/ O gênio sem ventura e o amor sem brilho!”
Do Lácio, do latim vulgar, derivou o espanhol, o francês, o italiano, o romeno, o galego-português no sul da França, o sardo, na Itália, romenche, na Suíça, ladino e friulano (Itália), mirandês e aragonês (Portugal). Existe uma imensa variedade originada da evolução latina.
A nossa, não tão conhecida e grande língua, hoje maltratada pelos brasileiros, com suas abreviações, erros ortográficos e gramaticais, com seus neologismos e estrangeirismo, possui quatro pilares, quais sejam, linguagem e sociedade, leitura e expressão escrita, funcionamento da língua e produção e compreensão oral.
Como é rica e bela, conta ainda com dez classes de palavras, tais como adjetivo, advérbio, artigo, conjunção, interjeição, numeral, pronome, preposição, substantivo e verbo.
É verdade que ela é muito complicada e diversificada em suas palavras, como exemplo, manga que tem vários sentidos, de fruta, manga de pasto, do verbo mangar, manga de camisa e assim por diante.
Tem as homófonas, mesmo som, mas com grafias e significados diferentes, caso de sessão que vem de tempo, reunião (sessão de cinema, de terapia); seção/secção, de repartição, departamento; seção de livros; e ainda cessão, de doar, transferir algo para alguém.
A nossa língua também é intrincada e muitos batem a cabeça com os porquês. Temos o por que quando se quer fazer uma indagação no início de uma frase, substituível por qual razão; porque de resposta; por quê em fim de frase antes da pontuação; e o porquê, antecedido de artigo, significando o motivo.
Como todas as línguas, a nossa Flor do Lácio também está sujeita às reformas. Ela sofre mudanças, como a última ortográfica, em 1990, com uso obrigatório a partir de janeiro de 2016.
Entre muitas novidades podemos destacar o fim do trema; inclusão das letras K, W, e Y em nosso alfabeto (26 letras); novas regras de acentuação (paroxítonas de ditongos abertas), como adaptómetro para adaptômetro, abiogénese para abiogênese, abjecção para abjeção; acento diferencial (voo, enjoo); uso do hífen (micro-ondas, antissocial, paraquedas), dentre outras regras.
No entanto, o que mais nos deixa afrontado é a infestação de neologismos, anglicismos e estrangeirismos em nosso belo português nos dias atuais. Nos “shoppings”, por exemplo, temos a impressão de que estamos em Nova Iorque.
Correntemente utilizamos as palavras shoppar, linkar, selfies, o próprio shopping, delivery, feedback, mouse, show, freelancer, hot dog, home office, design, brainstorming, pitch, outdoor (ar livre, mas placa no Brasil), fitness, pet shop, download, scaner, crush, notebook, spoiler, print screen, smoting (fumar), open mind (mente aberta), love store, one place (um lugar), true way (caminho verdadeiro), bright spot (ponto brilhante), pure spul (alma pura, infinity store e por ai vai.
Como bem observamos, temos uma avalanche ou uma enxurrada de estrangeirismo invadindo o nosso português e muita gente acha chique citar com galhardia, e ai de quem não pronunciar corretamente a expressão inglesada. Assim, nossa língua vai ficando desprestigiada e mal falada, principalmente pelos nossos jovens que mais deveriam preservá-la das invasões estrangeiras.