OS 30 ANOS DA CHAPADA
Em sua edição 151 de outubro, ano 26, o jornal “Correio da Chapada” lembra e faz uma homenagem aos 30 anos da criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, um território de 152,2 mil hectares de pura beleza, cujo decreto foi assinado pelo governo federal em 17 de setembro de 1985.
Com o fim dos garimpos de diamantes, os municípios, como Lençóis, Mucugê, Andaraí, Iraquara, Palmeiras, Seabra e outros do entorno entraram em situação de pobreza. O turismo foi a saída para recuperar sua economia, cita o jornal editado e impresso em Seabra, um sobrevivente da internet. Hoje, o turismo é a principal fonte de renda da população.
O biólogo norte-americano Roy Richard Funch, como conta o impresso, que tem como diretor João Carlos Gomes, foi um dos responsáveis pela criação do Parque. Roy confessa que o turismo salvou a região da extrema pobreza, mas hoje se diz preocupado com o desenvolvimento desenfreado da atividade que acarreta outros problemas.
O jornal, que tem como jornalista responsável Bruno Cirillo e Iago Aquino como colaborador, recorda que em 1910, enquanto os garimpeiros ainda exploravam as serras, os cartões postais já indicavam o potencial turístico, mas tudo começou mesmo em 1970 com a chegada do norte-americano Steve Hornan a Lençóis, uma cidade, naquela época, de pouco mais de mil habitantes.
Como publicitário, Steve veio ao Brasil como voluntário do Corpo da Paz. Junto com o amigo lençoense Heraldo Barbosa, o norte-americano idealizou o tombamento da cidade como patrimônio histórico, o que ocorreu em 1973. Logo após, em 1979, o governo baiano inaugurou a Pousada de Lençóis, hoje Hotel de Lençóis com 150 leitos. Foi a primeira pousada a dar o ponta pé inicial ao desenvolvimento do turismo.
Steve e Heraldo reconhecem que a alavancada da região se deu com o biólogo Roy Funch, que chegou a Lençóis em 1978 e promoveu a criação do Parque Nacional da Chapada em 1985. Hoje, com uma boa estrutura hoteleira, a cidade é a porta de entrada para o turismo da Chapada e acaba de ser classificada na categoria B do Ministério do Turismo.
Com o dólar alto e muita gente preferindo ficar no Brasil, a Chapada Diamantina tem sido uma das opções mais requisitadas pelos turistas brasileiros e é o que as agências de turismo de São Paulo estão registrando em seus balcões de negócios.
De acordo com o IBGE, a população da Chapada cresce num ritmo superior a de Salvador. De 1992 para cá, o número de habitantes de Lençóis, Palmeiras, Mucugê, Andaraí, Itaetê e Ibicoara aumentou 61,4%, enquanto a capital baiana teve um índice de 34,8%, Além da tendência nacional de migração para o interior, existe a procura por melhor qualidade de vida e isto se encontra na Chapada.
Lençóis e Ibicoara lideram o aumento populacional, mas Vale do Capão (Palmeiras) e Mucugê são os locais que mais se expandiram nos últimos anos em abertura de hospedagens, agências e restaurantes. Só no vilarejo de Capão existem hoje 80 estabelecimentos turísticos e 700 leitos.
“Anseios, dissonâncias, enfrentamentos; o lugar e a trajetória da preservação em Lençóis” é a tese defendida pela pesquisadora paulistana Liziane Mangili, da Universidade de São Paulo, onde comprova que as trilhas e as paisagens são obras dos garimpeiros e, por isso, eles merecem reconhecimento por tudo.
Estive recentemente visitando a Chapada e, mais uma vez, fiquei encantado com as grutas de Iraquara, o Vale do Capão (Palmeiras), o Serrano, em Lençóis, o Poço do Diabo, o Morro do Pai Inácio, Maribus, Igatu do Xique-Xique, Lagoa Azul e tantos outros locais deslumbrantes.
Conheci a primeira, mas estou sabendo pelo jornal Correio da Chapada que a segunda caverna da Lapa Doce vai ser inaugurada no ano que vem, conforme garantiu uma das proprietárias do complexo subterrâneo Cláudia Mattedi. Com 43 quilômetros mapeados, a Lapa Doce II deve oferecer aos turistas passeios de cinco quilômetros com oito horas de duração
Entre os dias 17 e 24 deste mês, a Chapada será invadida por 500 atletas brasileiros e estrangeiros que farão a principal maratona da Mountain Bike da América. Serão percorridas 18 cidades baianas, mas Mucugê e Rio de Contas serão sedes bases do evento da Brasil Ride.
Se você não sabia, a lei diz que as terras dos parques nacionais devem ser propriedades públicas, sob controle do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, mas esta é ainda uma realidade distante da Chapada. Dos 152,2 mil hectares, apenas 8% das terras pertencem ao Instituto e 30% continuam nas mãos de privados. O mais curioso é que 61% da área são “terras de ninguém”, isto é, são da União, mas não estão registradas em nome dela.














