Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quem é essa tirana,

Que tanto nos engana,

Reina entre os deuses,

Toda eterna soberana?

 

A gente sabe que ela existe,

Dona do seu próprio tempo,

Sopra, geme como o vento;

Evitamos dela lembrar;

Nasce no elo da vida,

Cheia de encantos para amar,

E vem a danada tirana,

Como cruel espartana,

Com sua espada nos levar.

 

Oh tirana, tirana, tirana!

Quantos disfarces tu terás?

Às vezes és tão repentina,

Noutras nos fazes sofrer devagar;

Tens o poder de nos consolar,

Até acalmas nossas almas,

Quando vês o ente querido penar,

Mas nosso coração acelera,

Na dor doída de rasgar,

Quando fechas tua esfera.

 

Oh tirana, tirana, tirana!

Tu és fogo, terra, água e ar,

Catingueira e mateira,

Flecha que nos faz sangrar;

Teu nome é tirana,

Fera sorrateira da savana.