:: 17/fev/2026 . 23:20
O PAVOR DE SE FALAR O QUE PENSA
Nos tempos atuais, mais do que nunca, de um modo geral as pessoas estão receosas de falar o que pensam. Temem ser excluídas, canceladas e execradas pela sociedade. Ultimamente tenho visto e acompanhado muitos comentários presenciais e virtuais sobre esta questão.
Com a expansão da Inteligência Artificial, isto tem ficado mais pavoroso. A impressão é que estamos sendo vigiados vinte e quatro horas por dia, como se estivéssemos numa ditadura do pensamento. Temos que seguir normas e regras padronizadas por conceitos sociais, como se fossem verdades.
Não se pode discordar de determinadas posições feministas; ideias preconcebidas de movimentos negros, muitas das quais historicamente distorcidas por falta de conhecimento; sobre políticas públicas; e outros assuntos de ordem religiosa ou cultural que logo a pessoa é interpretada como machista, racista ou retrógrada.
Não estou aqui, de forma alguma, me referindo a discursos de ódio e intolerância contra gêneros, raça, religião (não sigo nenhuma) ou de aspecto comportamental de cada indivíduo porque estes são abomináveis e nem merecem crédito.
Parece existir uma ordem de proibição onde não se pode ultrapassar aquela linha e usar a sua massa crítica para apontar conceitos entre os quais você não concorda. Se você é de esquerda ou progressista tem que estar totalmente alinhado a tudo quanto o governo de esquerda vem praticando na política, e assim por diante.
Quando se emite uma opinião contrária, a pessoa já é vista de forma atravessada e até excluída do grupo uniforme de pensar. Essa é uma cultura do represamento que cheira a censura. A própria religião nos prende nessa redoma.
Este é apenas um exemplo que cito sobre o pavor de se falar o que se pensa, mas são inúmeros os patrulhamentos ideológicos que têm suas origens no sistema a que fomos moldados desde a nossa formação. Na maioria das vezes, temos medo de expressar o nosso ponto de vista e ficamos calados, consentindo e aprovando coisas erradas.
As pessoas mais idosas, como eu, se libertaram dessa opressão porque já se acostumaram tanto com as críticas que uma porrada a mais não faz diferença. Além do mais, ficaram imunizadas pela vacina da liberdade de falar o que pensa. Acho até que deveria ter uma lei onde ao idoso é facultado falar o que bem quiser porque ele já recebeu em vida todas as cargas de críticas.
Nesta semana estava falando com uma amiga sobre o problema do assédio sexual (mais um exemplo) do homem contra a mulher, mas acha-se engraçado quando ocorre o inverso. Sem nenhum consentimento, ela me contava que uma mulher num bar se levantou repentinamente e tascou um beijo no cara.
Isso não configura crime de assédio sexual? Quer dizer que a mulher pode, mas o homem, não. Se o cara for à delegacia dar uma queixa, o delegado vai debochar dele. Numa novela, uma atriz chamou o ator de frouxo porque ela a beijou e ele a rejeitou.
Existem muitos outros temas controversos, contraditórios e paradoxais onde as pessoas evitam colocar suas críticas e discordar. Uns preferem ficar calados e outros terminam concordando para não serem constrangidos. Nem tudo que se pensa deve ser dito, mas deveria, só que a sociedade é opressora.
Não vale, no entanto, inventar mentiras e falar asneiras e besteiras para confundir a opinião pública, como um vídeo (não sei quem produziu) sobre Vitória da Conquista onde o “influenciador” (virou sinônimo de picaretagem) diz que aqui é a cidade mais fria do Nordeste, daí ser conhecida como “Suíça Baiana”. Aí é demais, meu camarada! Não consigo engolir esse termo influenciador. De quê e de quem?
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