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:: 8/ago/2024 . 23:47

PSIQUIATRIA: A CURA PELO CANDOMBLÉ (Final)

A posologia do espírito

(Chico Ribeiro Neto)

Para o médium espírita Divaldo Franco, “é essencial estabelecer uma diferença entre enfermidades e obsessões”. Já o psiquiatra e professor Álvaro Rubim de Pinho observa que “na concepção do candomblé, a doença é considerada sobretudo como uma manifestação de infelicidade”. Publico hoje a terceira e última parte da matéria “Psiquiatria: a cura pelo candomblé”, que fiz para a revista “Manchete”, publicada no número 1.250, em 7 de março de 1976. Antigas matérias que continuam atuais.

Segue o texto:“O médium espírita Divaldo Franco, conhecido no Brasil e no exterior, diz que atende a cerca de 15 casos de doenças mentais por semana, no Centro Espírita Caminho da Redenção, situado no bairro da Calçada, em Salvador. Divaldo, segundo os especialistas, possui dons mediúnicos especiais e tem vários livros psicografados. Ele afirma que a média de curas de doenças mentais obtidas em seu centro oscila entre 80 a 85 por cento.

– É essencial – afirma Divaldo – estabelecer uma diferença entre enfermidades e obsessões, porque o que chamamos de obsessões são na realidade interferências de espíritos desencarnados. Os tipos de alienados portadores de obsessões quase nunca encontram cura junto ao psiquiatra. Há distúrbios nervosos que têm origem num problema espiritual. Nestes casos, o médium pode atingir a causa enquanto os médicos ficam apenas ao nível dos efeitos.

Divaldo Franco observa que jamais procura diminuir o respeito que o médico merece e, em geral, os pacientes que são encaminhados ao centro espírita já passaram antes pelo consultório do psiquiatra.

O psiquiatra Álvaro Rubim de Pinho não é por princípio hostil à simultaneidade do tratamento em certos casos de desequilíbrio. Ele observa que em quase todas as comunidades, o atendimento ao rito das religiões tradicionais pode ser um elemento de equilíbrio tanto na vida individual quanto na social. E recorda a eficácia de certas promessas, no catolicismo tradicional, para justificar a influência da crença em certos padrões de saúde mental.

– Existe uma medicina oficial – diz ele – que não exclui as formas da medicina popular cujos processos de tratamento podem muito bem revelar uma certa eficácia incontestável. A adoção das duas medicinas proporciona provavelmente maior segurança ao doente que, em muitos casos, é sobretudo uma pessoa que acredita piamente na orientação dos iniciados nos dois processos.

 

Rubim de Pinho esclarece ainda que, na concepção do candomblé, a doença é considerada sobretudo como uma manifestação de infelicidade. Para afastar essa infelicidade, é essencial obedecer aos tabus, cumprir as obrigações, comportar-se de acordo com os imperativos da moral da seita. Nada indica que a submissão a este tipo de crença seja incompatível com um bom tratamento médico.

E ele tem uma conclusão bastante interessante: “Pessoalmente, entendo que o psiquiatra jamais deverá abdicar do tratamento daqueles casos de doenças realmente bem caracterizadas. No que se refere às reações anormais, aos desvios de comportamento e mesmo a certas neuroses, não tomo a iniciativa de indicar o tratamento religioso, mas entendo-o e respeito, admitindo que, muitas vezes, pode ser útil”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

SARAU 14 ANOS

TEMOS SARAU NO PRÓXIMO DIA 24/08

Tudo começou como uma brincadeira em 2010 entre uns comes e bebes com os amigos Manno Di Souza e José Carlos D´Almeida e disso nasceu a ideia de fazermos um grupo chamado de “Vinho Vinil”, com o propósito de ouvirmos vinis e bebermos só vinho. O fato é que artistas, intelectuais, professores, estudantes, jovens e convidados foram se somando ao entretenimento de finais de semana, até que tudo virou no atual “Sarau A Estrada” que agora está completando 14 anos de vida cultural, com debates de temas importantes em várias áreas, cantorias de viola, contação de causos e declamação de poemas. Tudo é realizado no “Espaço Cultural A Estrada” no formato bimensal, sempre num sábado à noite. São 14 anos de história onde já nos apresentamos em público no Teatro Carlos Jheovah (fechado há três anos pela administração atual da prefeitura), divulgamos um CD de músicas e poemas autorais e dois vídeos de textos poéticos. Agora estamos com um projeto de fazermos um documentário audiovisual sobre a trajetória do Sarau 14 anos. Durante este tempo muitas coisas ocorreram. Uns se foram e outros chegaram para contribuir, mas, como acontece em outros grupos que permanecem unidos e vivos, sempre temos aquelas caras antigas, ou como os próprios membros dizem, familiar. Aliás, o nosso Sarau tornou-se uma família que tem suas brigas, mas sempre estão juntos nos momentos mais difíceis. São noites memoráveis de discussões e aprendizagens na troca de ideias e pensamentos. Alguém aí pode até dizer que ainda é um adolescente de 14 anos, mas por se tratar de grupo cultural, já é longevo. O nosso próximo, com o tema “Que Brasil é Esse, Tão rico e Tão Desigual?, já está marcado para o dia 24 de agosto, a partir das 20 horas, no mesmo local, e temos certeza que será mais um sucesso e gostoso de se ver todos se abraçando e se confraternizando.

ALMA PENITENTE

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Lá fora, a lua prateada,

Dança com o vento a farfalhar

Nos vales e montes,

Com orvalho na relva,

Sereno fino nas fontes,

A anuncia outro dia

De mais um viver,

De vitória e agonia,

E eu aqui nesta cidade,

Em minha loucura solitário,

Bate a tempestade

Do vazio existencial,

Em minha alma penitente,

Vagante indigente

No embate entre o bem e o mal.

 

Afaste para longe de mim

Essa gente egoísta indiferente

Da minha alma penitente.

 

Do meu porto parto,

Em minha velha barca,

Levando minha arca,

De dores passadas,

Vidas atadas,

Pelos mares incertos,

De nevoeiros cobertos,

Numa aventura

À procura de ventura,

Oh, minha alma penitente!

Que mente com a mente,

Que ela não tema o medo

Na busca da razão,

Para curar seu coração.

 

 

 





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