Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Uma injeta a cura da doença,

Como o gênio das vacinas o Pasteur,

E a outra se apega em sua crença.

 

Brigam a ciência e a fé,

Roubaram a Arca da Aliança os filisteus,

E em seus corpos nasceram tumores,

Como castigo disseram de Deus.

 

Brigam a ciência e a fé,

Galileu foi pela Igreja emparedado,

E Jordano Bruno na Inquisição queimado.

 

Brigam a ciência e a fé,

Na China nasceu a tecnologia,

A Índia floresceu na religião,

E cada uma expandiu sua magia.

 

Brigam a ciência e a fé,

Nas espadas dos brutos medievais,

Até hoje se matam cristão, judeu e Maomé.

 

Brigam a ciência e a fé,

Na nau capitania do linho e da lã,

Na rota da seda dos remos das galeras,

Entre pulgas da Peste Negra de todas eras.

 

Brigam a ciência e a fé,

No mortal flagelo da procissão da bactéria,

E ao redor das catedrais penava a miséria.

 

Brigam a ciência e a fé,

Os médicos com suas tochas a cauterizar,

Os ricos à Igreja seus bens a doar,

E o clero a tombar na Santa Sé.

 

Brigam a ciência e a fé

Nas cruzadas de uma Guerra Santa,

Para sangrar mouros em seu altar.

 

Brigam a ciência e a fé,

Entre os milagres do mar que se abriu,

De coisa que procura explicar a outra,

Como aquele câncer que sumiu.

 

Brigam a ciência e a fé,

Osvaldo Cruz venceu rebelião,

Com a vacina e a seringa na mão.

 

Brigam a ciência e a fé,

Para derrubar a gripe espanhola,

Depois tudo virou samba canção,

No pandeiro e na batida da viola.

 

Brigam a ciência e a fé,

Dos negacionistas terraplanistas,

Que deixam a Covid nos matar.

 

Brigam a ciência e a fé,

Como Lampião e os coronéis,

Na ponta do punhal e do parabelo,

E ninguém quer entregar seus anéis.