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:: 29/jan/2019 . 23:26

NO PAÍS DAS TRAGÉDIAS ANUNCIADAS, O HUMANO E A NATUREZA NADA VALEM

É sempre assim, a mídia faz seu espetáculo no foco das desgraças dos desesperados que choram pelas suas vítimas, os governos e os famosos emitem suas condolências e pareceres críticos, os camisas amarelas coxinhas e os mortadelas vermelhos trocam farpas, arrotando cada um seu besteirol, os técnicos dão vastas explicações, muitos rezam e uns poucos se revoltam indignados com o descaso. No embalo, fiscais intensificam as vistorias e depois relaxam o trabalho.

Em pouco tempo, os mortos são esquecidos, os parentes que ficam penam desamparados nos seus vales de lágrimas das burocracias, a Justiça se arrasta como lesma, a natureza falece e os culpados não são punidos porque vivemos numa terra de ninguém, aliás, só dos fortes, onde nada é levado a sério. Os iludidos acham que as coisas vão mudar, e ai outras catástrofes batem em nossas portas e levam mais um monte de gente. Tudo se repete com o mesmo blábláblá de sempre e assim vivemos de tragédias acompanhadas das impunidades. Os responsáveis têm o poder de se tornarem invisíveis perante a “lei”, também opaca.

Claro que, no momento, estou me referindo a Brumadinho, mas esquecemos das tragédias que o povo brasileiro convive no seu dia a dia, como as dos corredores das mortes nos hospitais, as tragédias das filas da saúde e do INSS de idosos doentes, as da educação deficitária, as tragédias das injustiças praticadas contra os pobres, as da usurpação dos direitos civis, especialmente contra as minorias, as tragédias das matanças contra mulheres, as da violência bruta e cruel dos bandidos, as tragédias do trânsito que matam mais de 60 mil por ano, as dos homicídios (o mesmo número), as tragédias da profunda desigualdade social, as da fome, das crianças desnutridas, dos casebres em favelas subumanas, as tragédias da extrema pobreza e de tantas outras.

AS TRAGÉDIAS SEM REPARAÇÃO

A folha corrida das tragédias no Brasil daria para ir do Oiapoque ao Chuí, e em nenhuma delas houve uma reparação justa das perdas. Tudo começa com o jeitinho safado brasileiro de fazer armengues, de superfaturar obras que viram fonte de propinas e corrupção, de se fazer vistas grosas para o mal feito e mais barato, sem contar a incompetência de indicados políticos que nada entendem do cargo que exercem. Claro que entram também o por fora e as relações promíscuas com o poder econômico e político.

Há séculos aqui chegaram as multinacionais neste paraíso perdido onde tudo é permitido, para explorar com facilidades fiscais e outras benesses, as nossas riquezas naturais, deixando um rombo passivo de desastres ao meio ambiente, sem falar de vidas humanas, com o papo de trazer o progresso e mais empregos. Sempre se portaram como deuses da salvação, dando aos pobres algumas migalhas sociais como espécie de cala boca.

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