Na entrada da vinícola Rio Sol, em meio às videiras e encravada no agreste seco do sertão nordestino pernambucano, no município de Lagoa Grande, a capelinha portuguesa nos faz lembrar a época da colonização na região quando o El Rei de Portugal dividiu o Nordeste em sesmarias e massacrou as tribos indígenas. Pela sua simplicidade e como símbolo da fé católica, sempre digo que sou mais as capelas que as catedrais. A cultura das capelas nas grandes fazendas, na Casa Grande dos Engenhos, em contraste com as senzalas dos escravos negros vindos da África, foi e ainda é uma tradição mantida pelos senhores, inclusive os coronéis. Nos tempos da colonização, era na capela onde as famílias se reuniam para professar sua fé, realizar os batizados e, vez ou outro, assistir a missão do capelão. Quando lá estive na semana passada, na fazenda Rio Sol, foi a primeira construção a me chamar a atenção e o primeiro flagrante registrado pelas minhas lentes. A capelinha portuguesa representa a nossa história secular que permanece até hoje, inclusive nos distritos e povoados, principalmente no Nordeste.