A prefeita Sheila Lemos agora resolveu mudar os nomes de diversas secretarias e ainda criar 74 cargos comissionados, com impacto de mais de três milhões de reais por ano nos gastos, como se isso fosse melhorar a gestão e levar mais benefícios para a população.

Enquanto isso, Vitória da Conquista está carente de projetos estruturantes no âmbito da infraestrutura urbana, incluindo os distritos. Por que será que a maior parte da mídia não abre esta questão para ouvir o povo e a oposição? Os veículos de comunicação apenas registram o fato. Isso não é jornalismo.

   Nem sempre mudanças significa melhorias, quanto mais de nomes. Mudar só por mudar! Tudo permanece como dantes na casa de Abrantes. Outro prefeito que vier decide fazer outra reorganização e monta outra estrutura administrativa, com o mesmo papo furado de que a vida vai melhorar para o povo.

   Além de mudar nomes de secretarias, cria mais cargos, com mais despesas, quando a Prefeitura Municipal já está endividada de empréstimos. O último foi de 400 milhões de reais. Isso é não pensar no futuro, no sentido de deixar as contas em dia para que outro ou outra possa fazer uma boa administração em prol do desenvolvimento do município.

   Nomes diferentes de secretarias não dizem nada e, em sua grande maioria, não acrescentam benefícios aos usuários. Qual diferença faz ter uma Secretaria de Transportes ou de Mobilidade Urbana, se tudo permanece no mesmo, com serviços deficitários e sem recursos para implantar novos projetos?

  Nos últimos tempos criou-se a mania de mudar nomes, conceitos de gêneros, raças (negro ou preto), modalidades de deficiências físicas e mentais, mas tudo permanece no mesmo lugar de sempre.

 Num certo ponto de vista é até compreensível, mas as pessoas passaram a ser mais vigiadas e patrulhadas, sendo obrigadas a seguir as novas denominações, as novas nomenclaturas e, se descordar de algo, são vistas com discriminação, como parias da sociedade.

   Fugi um pouco do assunto, mas o mesmo ocorre no campo político dos governantes com esse negócio de criar novos nomes de ministérios, de secretarias, novos órgãos e cargos, pastas esquisitas de cores diferentes, e o pior, gerando mais custos com o dinheiro do contribuinte. Essa parafernália é feita para preencher indicações de aliados, na base daquela máxima do “toma lá, dá cá”.

   Quanto a Conquista, nos últimos anos a cidade cresceu muito (a terceira maior da Bahia), mas não conseguiu acompanhar as demandas prioritárias de seus habitantes em diversos setores.

  A nossa cultura, por exemplo, carece de atenção e este é o clamor dos artistas em geral. Não vejo a prefeita falar de projetos de revitalização da nossa cultura, a não ser desse São João privatizado que não passa de shows de sofrência, carimbós, sertanejos, axés, lambadas e arrochas.

   Acho até que a prefeita detesta pronunciar a palavra cultura porque fez questão de deixar nossos equipamentos culturais fechados há anos (Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha), os quais estão sendo corroídos pelos cupins.  

  É uma vergonha para uma cidade de 400 mil habitantes. Não temos nem um museu municipal, e a biblioteca pública fica encostada num canto distante, de difícil acesso, como se fosse de propósito para ninguém a frequentar. Ainda tem gente que fala de “Suíça Baiana”. Isso só pode ser uma piada, ou deboche.

  Agora estão falando aí que vão criar um Plano Municipal de Cultura e até realizaram uma Conferência, aliás foi a VI. Anunciaram que foi aprovado pelo Conselho Municipal de Cultura. Confesso que só acredito quando o gabinete da prefeita receber e encaminhar o projeto para apreciação da Câmara de Vereadores e depois de aprovado ser sancionado pelo poder executivo.