UM BRASIL QUE ESTÁ SEM AR

Conseguimos o feito mais triste de primeiro país do mundo com mais casos registrados de Covid-19, ultrapassando os Estados Unidos com uma população bem maior. O Brasil está sem ar nas macas das ambulâncias e dos hospitais, pedindo socorro. Para o “chefe da nação”, tudo isso não passa de “mimimi”, “frescura” e choro de “maricas”.

É um país praticamente sem vacinas para imunizar toda sua gente, que precisa respirar sem máscaras e abraçar amigos e parentes. Mesmo diante de todo esse tormento, ainda existem os egoístas fura-filas que se apropriam das poucas doses que deveriam ser destinadas aos prioritários, sem contar a falta de critérios na aplicação dessa fonte de vida.

SOCIEDADE COM A MORTE

É o Brasil das aglomerações que fazem sociedade com a morte. É um país das festas, das baladas e paredões onde pai está matando filho, e filho matando pais, tios e avós. É o pais que optou em abrir as portas dos estabelecimentos comerciais no lugar de salvar vidas.

Sem um comando central e sem ordem, cada um faz o que quer e mente quando diz que segue os protocolos. Para não morrerem de fome, os comerciários vão para a linha de frente, e os empresários ficam em seus escritórios.

Além dessa falta de ar que já matou quase 270 mil brasileiros, é também um Brasil da fome, da desorganização e dos preços da gasolina que só aumentam. É o Brasil do fim da Operação Lava Jato, que de marco histórico no combate à corrupção, transformou-se no maior escândalo judiciário, colocando o juiz Sérgio Moro no banco dos réus para ser preso. Diziam que o país seria outro.  Está tudo de cabeça para baixo.

Descemos do purgatório para o inferno astral, e só acontecem coisas ruins, como a inflação dos alimentos que sobe a cada dia porque quase tudo gira em torno do dólar, e os gananciosos, que sempre mamaram nas tetas do povo, preferem vender seus produtos (carne e grãos, principalmente) para o mercado exterior, para auferir mais lucros. Ainda afirmam que colocam comida em nossas mesas.

É o Brasil do desemprego que só faz crescer, e onde as funerárias nunca venderam tantos caixões em sua história, ao ponto desses artigos fúnebres, que ninguém gostaria de comprar um dia, já está em falta. É um Brasil que está sem ar, sem um líder para guiar seu povo nesse deserto de escassos oásis.

Não gostaria de estar, nesse momento, destilando palavras tão pesadas e duras de sentido negativo e desanimador, mas é uma realidade onde nós mesmo temos grande parcela de culpa por tudo que está ocorrendo. Não sei se uma graça ou castigo, mas nessa idade não desejaria ver o meu Brasil nessas condições onde seus filhos padecem calados, num quadro que só faz piorar.

Nessa situação tão caótica (o termo pode ser forte, mas é isso mesmo), o mundo nos vê como um povo perdido, com duas espadas na cabeça. Uma da doença maldita e outra da fome. É um Brasil que precisa urgentemente de ajuda humanitária por parte das nações mais ricas, pois as instituições que podiam agir para aliviar essa dor, se encastelaram em seus poderes e vivem entre seus muros, confabulando em proveito próprio.

Estou aqui falando de coisas reais e palpáveis, não de abstração e de tramas políticas, ou de incoerências religiosas que não falam a língua de Cristo e de Deus. Que Deus é esse, do qual eles tanto citam na Bíblia? O Deus deles é o que aponta o “pecador”. Para eles, esse Deus se resume a construções, templos e catedrais. Usam uma linguagem que não é a verdadeira. Eles ainda não entenderam a mensagem do seu Senhor.