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:: 24/abr/2020 . 1:24

CONQUISTA E O CORONA

As fotos são do meu companheiro de trabalho no “A Tarde” durante muito tempo, José Silva, que registrou a atual Vitória da Conquista em vários ângulos. É um arquivo precioso e histórico. Como todo Brasil, a cidade também está atravessando sua crise do corona, mas, infelizmente, sem o pleno isolamento social, de cada um ficar em sua casa. Aliás, num país pobre como o nosso, isso é impossível e uma falácia. Há mais de um mês, o prefeito decretou fechamento do comércio, mas depois foi liberando outros setores não essenciais. Foi a única cidade em que os empresários fizeram uma carreata pedindo a reabertura do comércio lojista. Nesta semana, caiu visivelmente a tal quarentena, e o que se vê é a circulação exagerada de muita gente e carros nas ruas da cidade. Já morreu uma pessoa vítima do coronavírus, e tudo indica que haja uma quebra geral do isolamento social, com a obrigatoriedade apenas do uso de máscaras, que antes os infectologistas diziam não terem muita valia, mas agora recomendam. Estamos num Brasil desordenado e confuso onde o governo federal é a favor da volta às atividades, e governadores e prefeitos tomam suas próprias decisões. O povo fica a bater cabeça, e as maiores vítimas são sempre os pobres, chegando a passar fome, na espera de doações individuais e de algumas entidades. Não sabemos o que pode vir por aí. O sistema de saúde sempre foi precário e deficitário e a situação se agravou com a Covid-19.

INQUIETUDE (2003-2020)

Este poema do jornalista Jeremias Macário começou em 2003 e terminou em 2020,

e teve uma história de um rascunho resgatado agora por acaso

Existe dentro de mim uma inquietude,

Uma ansiedade do existir,

Procura do ser e do ter,

Dúvidas eternas do sentido;

Medo do que estar por vir,

De uma alma empedernida,

Que quer voar…

Navegar pelo infinito,

Sufoco no grito,

Vivo em caminhos de labirinto,

Ser – ter e o querer

Despedaçado nos pergaminhos.

 

Cá estou ouvinte de dois mil e vinte,

E ainda me intriga esse mistério

Do existir, mas sem medo do espinho,

Vou na quietude dessa inquietude,

Roendo a corda da filosofia,

Mais perto dessa finitude,

Peregrina viagem de um alienista,

Com um pouco mais de sabedoria,

No duelo desafio do não e do sim,

Desse angustiado humano desumano,

Ampulheta da vida consumista,

Que leva o planeta ao seu fim.

 

 

 





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