:: 17/abr/2020 . 22:34
SEM A TRADIÇÃO DO SEPULTAMENTO
É muito triste e angustiante você acompanhar de longe o sepultamento de um ente querido como está acontecendo nessa turbulência da pandemia do coronavírus. Sempre existe toda aquela tradição do velório, das preces e das despedidas até o cemitério quando o caixão é arriado ao túmulo. O choro agora está sendo mais doído, e o tempo vai demorar mais de curar a dor, se bem que ele nunca tem esse poder do esquecimento. No Brasil de um governo genocida, com seus seguidores e anjos da morte, infelizmente, muitos vão ter ainda que obedecer esse ritual estranho à nossa cultura por causa de psicopatas e nazifascistas que nem estão ai para os milhares que já se foram, vítimas desse Covid-19, que mudou comportamentos, ideias e sentimentos em todo mundo. Em nosso país estamos caminhando para um massacre humano, se os políticos e os governantes sérios, se é que ainda existem, e toda sociedade junta não derem um basta nesse governo psicopata que contesta a ciência e a medicina, e defende a exposição frontal ao vírus. Até quando vamos ter que sepultar nossos parentes e amigos à distância? O povo tem que reagir e dar um basta nessa loucura. Queremos sim, continuar vendo fotos de todos juntos e unidos, em um só pensamento, como esta do jornalista Jeremias Macário, em um cemitério da cidade, bem antes do surgimento do corona, e não clicar de longe um enterro. Todos contra a esse massacre genocida!
BRASIL SACO DE PANCADA
Poema inédito do jornalista Jeremias Macário
Dos colonizadores, veio toda escória,
Num povo que perdeu sua memória,
Na pastagem se fez gado em manada,
E o Brasil virou saco de pancada.
Nas índias esporraram suas doenças,
Jesuítas impuseram as suas crenças,
Como legado deixaram a corrupção,
E o Brasil virou saco de pancada.
Enforcaram os inconfidentes mineiros,
O rei criou conselheiros hereditários,
Nos engenhos uma África escravizada,
E o Brasil virou saco de pancada.
Do império, uma República de bananas,
Dos senhores donos dos cafezais sacanas,
Tramaram as ditaduras na noite calada,
E o Brasil virou saco de pancada.
Nas rebeldias trucidaram os trabalhadores,
Montaram várias castas de ladrões traidores,
E os pobres continuaram puxando enxada,
E o Brasil virou um saco de pancada.
A esquerda concluiu com a direita safada,
Depois de toda tempestade veio a psicopatia,
De seguidores da morte em fanática histeria,
E o Brasil virou saco de pancada.
O capital criou o barraco, a arma e a fome,
Se ficar ou se sair da vigarice o bicho come,
E a grande mídia burguesa lança sua granada,
E o Brasil aqui e lá fora só leva pancada.
NO VAZIO DO ESPAÇO SEM O NOSSO SARAU
Sei que as preocupações são outras neste momento tão difícil que muitos estão atravessando para enfrentar essa pandemia do coronavírus, que em meus versos chamei de Coronavid, mas o nosso “Espaço Cultural A Estrada” também padece do vazio solitário sem a presença dos companheiros que dão vida ao nosso sarau colaborativo, que neste ano está completando dez anos de existência, trocando ideias, debatendo, declamando, cantando canções e contando causos.
Esse vazio remete à saudade dessa gente amiga alegre, num gostoso bate-papo, bebericando um vinho, uma cerveja gelada, uma cachacinha e um tira-gosto que cada um traz, para falarmos de cultura e ouvirmos as cantorias e os poemas dos artistas. Nesses dez anos, muitos temas, como Educação, Movimentos Revolucionários de 1968, Castro Alves, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Cinema, Cordel, Gregório de Matos, Império Romano, Inquisição, a História da Música Brasileira e tantos outros foram abordados e enriqueceram, sem dúvidas, o nosso conhecimento.
AQUELA SAUDADE
Ainda hoje estava repassando em meu computador, as fotos de diversos saraus, inclusive as dos cinco anos dos eventos, e bateu a saudade de Regina, Nadir, Cleide, Marta Moreno, Lídia Rodrigues, Simone, Céu, Rosânia, Rose, Guimar, Tânia, Edna, Sérgio Fonseca (falecido), Itamar Aguiar, Moacyr Morcego, Manu Di Souza, Baducha, Walter Lajes, Jhesus com seus causos, Dorinho, João, André Cairo, José Silva, José Carlos D´Almeida, Evandro Gomes, Jovino, José Carlos, Clovis Carvalho e muitos outros que me falham a memória no momento, mas que se sintam citados porque fazem parte dos nossos encontros, sempre fraternais.
Não falei da anfitriã Vandilza Gonçalves por motivos óbvios por ser minha esposa, mas ela é também testemunha desse espaço vazio sem o nosso sarau, principalmente aos sábados à noite. Estávamos programando a comemoração dos dez anos para julho, mas veio essa pandemia e nos separou do convívio cultural. Ainda tenho esperanças de realizar esta festa até o final do ano, com mais uma vitória conquistada contra esse vírus que mata.
Nessa fase difícil, cada um tem seus problemas, uns mais e outros menos, especialmente de questão financeira porque a maioria parou suas atividades artísticas e não está tendo o devido amparo dos governantes que são verdadeiros falastrões, mestres na demagogia e enrolação. Gostaria de fazer alguma coisa (também vivo meus apertos) e até acho que deveríamos nos unir através do meio virtual para apoiar quem mais está precisando de ajuda.
Mesmo distantes, devemos estar juntos, nem que seja espiritualmente, ou até de forma material. Sempre tenho dito em meus comentários e por intermédio da poesia, que fortalecer e exercitar a mente é fundamental para que o corpo não enfraqueça e esteja preparado se por acaso alguém de nós for surpreendido por esse “bicho” que veio da China, mas, tenho certeza que isso não vai acontecer.
Por fim, quero saudar a todos, e vamos torcer para que logo possamos dar continuidade aos nossos encontros culturais, com mais fervor ainda, discutindo, declamando, entoando canções e contando causos e piadas. O nosso Espaço Cultura está vazio fisicamente, mas voltaremos a nos abraçar, nos beijar e a comemorar até altas horas da madrugada.
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