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:: 9/abr/2020 . 22:57

POLITIZAÇÃO DA SAÚDE

Carlos Albán González – jornalista 

Prefeito, o senhor, por pouco, não cometeu suicídio político, caso fosse mantida a abertura do comércio esta semana. O repúdio da população de Vitória da Conquista ao seu ato se manifestaria nas eleições marcadas para outubro próximo. O clamor popular impediu o seu gesto trágico e impensado, sob pressão da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), um dos suportes de sua carreira política. Deve também ter pesado na sua disposição de revogar o decreto anterior o cenário caótico que se instalou no Centro da cidade, na manhã/tarde de segunda-feira, com pessoas aglomeradas e o trânsito congestionado, causado pelo fechamento da avenida Lauro de Freitas.

Pesquisa Datafolha mostra que apenas 24% dos brasileiros são contrários ao isolamento social, a principal medida para frear o avanço do Covid-19, defendida pela Organização Mundial de Saúde e pelas mais conceituadas autoridades médicas e científicas do mundo. Mas, entre aqueles que acham que salvar a economia é mais importante do que salvar uma vida humana está o presidente Jair Bolsonaro, o mentor religioso e político do prefeito Herzem Gusmão Pereira.

Antes de Bolsonaro, o prefeito adotou como padrinhos políticos os irmãos Jeddel e Lúcio Vieira Lima, condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Somente Jeddel cumpre pena em regime fechado. O erro na escolha não abriu os olhos nem a mente de Herzem, que transferiu seu devotamento para o ex-presidente Michel Temer, acusado pelo Ministério Público – chegou a passar uma noite na cadeia – de formação de quadrilha.

O momento cruciante que o país atravessa deve servir para promover a união de todos, principalmente dos governantes. Mas, o que estamos assistindo, em Brasília e em Vitória da Conquista, é o ódio aflorando contra os adversários. Estão politizando a saúde. Bolsonaro acusa os governadores Wilson Witzel (Rio) e João Dória (São Paulo) de estarem obstruindo seu projeto político, ao se posicionarem a favor do isolamento social; Herzem imputa ao governo do estado a falta de ajuda para combater o novo coronavírus. Ambos têm um mesmo ideal: um segundo mandato.   

Não se pode negar que Herzem Gusmão teve 85% dos votos dos eleitores das classes A e B, revoltadas, com razão, com os escândalos financeiros praticados por membros do PT. Mas isso não é motivo para ele governar apenas para os ricos, esquecendo-se da periferia.

Há uns quatro meses a prefeitura devolveu aos empresários do comércio as vagas de estacionamento no Centro, deixando de renovar o contrato com a Estacionamento Digital, em prejuízo de centenas de clientes que tinham créditos na empresa, e não receberam seu dinheiro de volta. Há dois anos, a pedido do CDL, o carnaval conquistense saiu das ruas, sob o argumento de que os foliões faziam xixi nas portas das lojas. Há poucos dias, os toldos dos pontos de ônibus do Terminal da Lauro de Freitas foram demolidos e a avenida foi fechada à passagem de veículos, prejudicando as pessoas que usam o transporte coletivo.

O conquistense já observou que as autoridades municipais estão subestimando a força letal do Covid-19, que, até hoje (dia 9), já contaminou 15 pessoas e com mais de 60 aguardando a coleta de material para teste, devido à falta de kits. A prefeitura não se preparou convenientemente para a chegada do vírus, chegando, inclusive, a recusar recursos liberados pelo estado, da mesma forma que se opôs à implantação da Policlínica. Não se viu aumento do número de leitos em UTI, montagem de hospital de campanha, aluguel de hospitais da rede privada, aquisição de respiradores pulmonares, máscaras, luvas e desinfetantes; não monitorou passageiros nos terminais rodoviário e aéreo, e não existe um plano específico de conscientização e ajuda médico-hospitalar para as populações da periferia e zona rural.

Prefeito, o seu mito foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda – uma acusação inicial foi feita à Procuradoria Geral da República que, simplesmente, arquivadou – pela Associação Brasileira de Juristas. Segundo a entidade, Bolsonaro teria cometido os crimes contra a humanidade e de epidemia, incentivando ações que aumentam o risco de proliferação do novo coronavírus.  

 

 

 

 

SEM SEUS FIÉIS

Desde quando começou a tradição da Igreja Católica, em Vitória da Conquista, de realizar uma procissão na sexta-feira da Paixão até o alto do Cristo (obra do artista Mário Cravo), na Serra do Periperi, este ano do coronavírus, o Covid-19, ou como queira, o Coronavid, seus fiéis não vão puder fazer suas penitências por causa das aglomerações, mas, quem é católico pode fazer suas preces em casa. Infelizmente, nesta data o Cristo vai ficar sem seus fiéis, mas não estará só no pensamento dos conquistenses. Tudo de incomum está ocorrendo neste ano que vai ficar marcado na história da humanidade, como o ano que nos separou, nos isolou, nos despertou para o medo e fez a terra parar como na profecia do poeta, compositor, cantor e músico Raul Seixas. Ninguém ainda sabe ao certo o que pode acontecer no futuro próximo, mas o melhor é preparar a mente e o corpo para não entrar em pânico e piração. Vamos refletir sobre nossas ações diante da foto do jornalista Jeremias Macário.

O MOCHILEIRO

Mais um poema inédito do escritor Jeremias Macário sobre a vida do mochileiro andante

Não sou parafuso de furadeiras,

Prisioneiro das farpadas porteiras,

Porque nasci mochileiro estradeiro.

Mago Aladim, andarilho do agreste,

Onde não sobrevive cabra cafajeste.

 

Não é senhor do tempo mochileiro,

É senhor da sua caixa de pandora,

Onde leva sua hora, o aqui e o agora,

Sandália nos pés, asfalto e poeira,

Vento na mente e o abraço fraterno,

De um eterno menino livre sonhador,

De um sonho sem cerca e fronteira,

Sem essa de país, tribo ou divisão,

Leva o hino cancioneiro da passagem,

Tece sua teia, oh amigo companheiro!

Nessa sua veia libertária de coragem.

 

Pela estrada, muita gente diferente,

Fotografias de faces injustiçadas,

Alegre caravana de colorida cigana,

Indígenas das américas colonizadas,

Por Colombo e os seus sanguinários,

Do velho mundo de primatas piratas,

Finas vitrines nas avenidas grãfinas,

Dias calorentos e etílicas noites frias,

Com suas revolucionárias filosofias,

Canibais da milenar cultura africana,

Traficantes de escravos e de diamantes.

 

O mochileiro avança e vai em frente,

Nesse monte de tanto ingrediente;

Como filho do mar de ondas na areia;

Não respira o ar da angústia solitária,

Nem é o filho dessa arenga sectária,

Mas um bravo andante, fogo amante,

Além dessa dialética da coisa material,

É gira mundo desse meteorito universal,

Caroneiro persona da bolé e da lona,

Filho do poente vermelho horizonte,

Granito precioso da aurora nascente.

AOS ARTISTAS SEM SHOWS E COMO MANTER O ISOLAMENTO SOCIAL

Primeiro quero aqui saudar todos meus amigos e não conhecidos artistas, poetas, compositores e músicos que vivem de seus shows do dia a dia em bares, restaurantes e casas de eventos, os quais estão recolhidos em suas casas sem poder expressar sua arte e ganhar uns trocados que, forçosamente, nos privam de ouvir suas belas canções.

Também aos escritores e literatos, como é o meu caso, que estão sem puder vender e lançar seus livros, folhetos e cordéis por aí. Estão parados sem saber quando voltam. O nosso Sarau A Estrada também está de quarentena, e estamos com saudades de todos vocês amigos, mas continuamos produzindo alguma coisa de poesia em vídeo para relaxar e descontrair os companheiros nesses momentos tão difíceis. Nossa mensagem é nesse sentido porque a poesia também é vida, e não de contrariar as medidas de proteção.

Não estou aqui me referindo aos cantores “famosos” dos axés, pagodes, arrochas e lambadas do lixo que engordaram suas panças durante o carnaval e outras festas com o nosso suado dinheiro, e agora estão em suas mansões de luxo, embernados como os ursos polares que se alimentam numa estação e depois se recolhem em suas tocas até a próxima temporada de caça.

Para estes “ídolos” do povo, a mídia televisa faz entrevistas indagando como eles estão vivendo nessa época de crise, quando deveria se dirigir aos artistas que fazem e cantam uma boa música para alegrar aos frequentadores de bares, centros de cultura e casas de shows, que gostam de ouvir uma boa canção. Teve um que respondeu que passava o dia comendo. Quanta ironia! Por que a mídia não indaga como estes artistas de bares estão atravessando essa fase sem ganhar seus mirrados cachês?

Isolamento e a enxurrada de recomendações

Em nosso Brasil de tão profundas desigualdades sociais, de tanta gente carente e doente, de milhões que não sabem lidar com a internet e aplicativos, de mais de 13 milhões de desempregados e necessitados, dos que vivem do subemprego e informais ambulantes, é impossível manter um total isolamento social e mandar que todos fiquem em suas casas.

Os idosos aposentados precisam ir aos bancos para tirar seus proventos, para fazer suas feiras, e agora aqueles outros milhões que precisam sacar a ajuda social do governo federal, sem contar os que procuram um órgão ou entidade para fazer seus cadastramentos no aplicativo e até regularizar seus CPFs na Receita Federal. É difícil deter esse enorme contingente confinado em seus lares e barracos.

É uma realidade bem diferente de países ricos onde, além do econômico, têm outro nível de instrução, e a tecnologia funciona a contento. É verdade que as pessoas precisam manter um distanciamento um do outro nas filas, mas aí entra a questão psicológica e o medo de não ser atendido, ou até aproveitador oportunista passar em sua frente. São tantos os problemas!

Interditar uma agência bancária não pune o banqueiro. Ao contrário, ele se beneficia utilizando o dinheiro do cliente para fazer aplicações no mercado financeiro. Não é como uma casa comercial onde o empresário também perde. Existem nisso tudo muitas medidas feitas de modo atabalhoadas.

Outra coisa que venho observando são as enxurradas de recomendações vindas de epidemiologistas, infectologistas e médicos de vários naipes e instituições (antes condenavam a cloroquine e agora muitos receitam),  que terminam deixando muita gente ainda mais confusa, pirada e em pânico. Não entro nessa pandemia de recomendações, mas não vou me descuidar e deixar de preparar bem o meu corpo e minha mente, sem medo.

Generalizaram todos os idosos por faixa etária acima de 60 anos como grupo de risco, quando existem milhares em condições bem mais saudáveis que muitos abaixo dessa idade que têm doenças crônicas complicadas. Aí, a mídia fica o tempo todo só apontando os idosos que vão às ruas resolver problemas inadiáveis. Criou-se uma discriminação geral, e só falta criarem campos de concentração.

Outra coisa agora inventada pela grande mídia e fazer seu marketing para homenagear aqueles que continuam trabalhando em atividades fora da medicina. Estes deveriam até agradecer porque ainda estão ganhando uma grana para seus sustentos e de suas famílias. E os que estão totalmente fora do mercado, sem nenhuma condição financeira? Por que não entrevistar essa categoria para ver como essas pessoas estão vivendo? É sempre a mídia fazendo sua média. Muitos podem até não concordar comigo, mas procuro ser lógico e racional. Não engulo tudo que me mandam.

 





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