Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Vê lá no pé da serra, moço!

No infinito do horizonte,

No rasante cor de sangue,

Duelo bang-bang de gigante

Onde uma morte cai na terra,

No beijo da noite com o dia,

Vadia o sol dourado na penedia.

 

O sol está caindo na flora,

Bailando ao som da viola,

Sem o barulho infernal da cidade,

Viola que chora a dor da saudade.

 

O sol está caindo despedaçado,

E a escuridão abrindo seu portal,

Para entrar os anjos e os fantasmas

Dos filósofos andantes e poetas

Nessa lida de tantos nós pra desatar,

De tantos profetas a nos avisar

Que o nascer traz a morada mortal.

 

O pôr-do-sol está caindo

Para quem fez a sua jornada,

Na poeira dessa longa estrada

Entre canções, açoites chicotadas,

Na aurora traz raios de luz a clarear

As veredas das intrincadas ciladas

Que as estações chamam de amor

No espiar do tempo, nosso senhor.