A MAGIA DAS MÃOS
Poema de Jeremias Macário
Mãos caseiras e finas;
mãos rachadas das lidas,
das armas frias assassinas,
e das inocentes meninas.
Mãos que fazem carícias,
que dão adeus e acenam;
de despedida e encontro,
podem ser de malícias.
Mãos marcadas e limpas;
de mensagens benditas,
são também carregadas
de ações vis e malditas.
Mãos que assinam papéis,
tratados de guerra e paz,
preferem ficar sem dedos
do que entregar os anéis.
Mãos da santa rezadeira;
mãos que doem no aperto,
sinal de angústia no peito,
da negra sem eira nem beira.
Mãos que clamam aos céus
por uma chuva de São José
no chão estorricado de Javé;
mãos que não perdem a fé.
Mãos de lindas camponesas,
de analfabetas manipuladas;
de gente simples e honradas,
escravas das casas baronesas.
Mãos que ensinam como rezar,
são as mesmas que se vingam,
e até batem em suas crianças,
nos momentos aflitos do lar.
Mãos que arrancam a dor;
enxugam lágrimas do rosto;
mãos de invernos passados,
enrugadas da avó e do avô.
Mãos de destino tão incerto,
que fazem da ilusão a magia;
falam na linguagem de gestos,
e nas andanças de cada dia.
Mãos que gritam socorro,
são lidas pelas as ciganas;
feitas de água, ar e de fogo;
são abençoadas e mundanas.
Nas mãos existem energias
de raios negativos e positivos;
cheias de histórias e de guias;
de crenças, artes e rebeldias.
As mãos dizem quem você é,
de personalidade reta e forte;
fraca só para coçar o sujo pé;
e de quem labuta até a mort











