:: 29/out/2019 . 2:15
LAMA, CHAMAS E ÓLEO
Não quero ser nenhuma ave agourenta, e torço para que não ocorra outro fato ainda pior, mas antes do término de 2019, podemos assegurar que o meio ambiente no Brasil, neste ano, foi altamente ferido por três piores desastres ecológicos dos últimos anos, atingindo em cheio o Norte e o Nordeste. No início do ano tivemos a lama da Barragem de Brumadinho (Minas Gerais) com mais de 200 mortes, em junho e julho as chamas na Amazônia, e agora o óleo nas praias nordestinas.
Coincidência, ou não, tudo isso justamente num governo que começou a desmontar toda uma estrutura, mesmo com suas deficiências, de preservação da natureza, e dar uma senha de desprezo pelas leis ambientais constituídas, como liberação de mais agrotóxicos proibidos, intenção de limitar as reservas indígenas da Amazônia (exploração mineral e agrícola) e até querer transformar Angra dos Reis numa Cancun mexicana, sem contar a indicação de gente despreparada para cargos importantes em órgãos do setor.
O pior de tudo é que todos estes terríveis acidentes foram provocados diretamente pelo homem, e não pela ação de revolta da própria natureza que há séculos vem sendo castigada e depredada pelo ser humano, como as sujeiras do lixo, o gás carbônico jogado no ar, o desmatamento indiscriminado, poluição dos rios e outra série de agressões contra o nosso território chamado Brasil.
Tragédias anunciadas
O caso do rompimento da Barragem de Brumadinho, como em Mariana, já era uma tragédia anunciada, e outras mais estão ai para acontecer por falta de fiscalização, cumprimento das leis e a impunidade contra os responsáveis. Logo que ocorre, as investigações são obscuras e contraditórias, e a Justiça muito lenta nas ações. Praticamente não se pagam as multas.
Como no incêndio na Boate Kis, no Rio Grande do Sul, os técnicos e órgãos do governo correm para fiscalizar os outros estabelecimentos na questão da prevenção de segurança e uso de equipamentos recomendados, mas logo relaxam a vigilância. Quanto as barragens de rejeitos minerais, fizeram o mesmo, mas, há muito tempo que não se falam nisso, nem a mídia faz cobranças. É uma tragédia roubando a cena da outra.
No meio do ano, a Amazônia começou a pegar fogo, também uma tragédia anunciada por causa dos desmatamentos feitos com antecedência e com o propósito de incendiar as terras. O governo do despreparado e ultraconservador capitão-presidente “Bozó” culpou as Ongs, quando, na verdade, foram os fazendeiros ruralistas, colocando a economia acima do meio ambiente, mesmo que seja à custa da sua própria destruição.
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