Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Elevo minha alma ao universo,

Como milagre da existência,

E ao vento a zunir eu peço,

Bater forte com cadência,

Abrir suas valas nesse chão,

Jogar as sementes da reprodução.

 

Nasci catingueiro nordestino,

Quixabeira, angico e aroeira,

Sou americano do Sul Latino.

 

Catingueiro nordestino,

Feito mandacaru da sequidão,

Que o tempo adubou meu destino,

Criado no laço do patrão.

 

Na estrada da vida,

Levei muitas topadas;

Fui amado e odiado,

Até animal da montanha,

Da terra jorrei sangue,

Pecador e teia de aranha.

 

Nas lembranças de menino,

No pedregulho do orgulho,

Morrerei catingueiro nordestino.