Existem coisas nessa Bahia e nesse Brasil que começam a se projetar e depois caem no esquecimento e ninguém mais cobra, como promessa de político para com o eleitor. Uns chegam a dizer que o nosso povo não tem memória. Tem gente que depois de um mês ou mais não se lembra em quem votou.
Vamos focar em nossa aldeia chamada de Vitória da Conquista. Em maio, se não me engano, foi realizada mais uma Conferência da Cultura (ah, essas conferências!), no Centro Cultural Camilo de Jesus Lima, por iniciativa da Secretaria de Cultura junto ao Conselho Municipal de Cultura, com o propósito de se criar o Plano Municipal de Cultura.
Percebeu quantas vezes foi repetida, por força da circunstância da informação, a palavra cultura no parágrafo? Pois é, só que na realidade ela anda sumida das nossas vidas por pura negligência dos governantes e de nós mesmo que não cuidamos dela com carinho.
No caso específico da Conferência, que já completou cinco meses de realizada, gostaria de saber que fim levou o prometido Plano Municipal de Cultura? Soube através de um técnico da própria Secretaria que ele ainda está lá nesta Casa, necessitando incluir mais um item no projeto relacionado à criança e ao adolescente, para depois ser enviado ao poder executivo.
Lembro muito bem que logo após os debates da Conferência, com a participação dos artistas conquistenses e outras classes, foi anunciado na mesma semana a sua aprovação pelo Conselho Municipal de Cultura.
Portanto, já deveria estar nas mãos do governo municipal para apreciar seu arcabouço e encaminhar o projeto de lei para a Câmara de Vereadores onde deve ser aprovado, com suas emendas, se for o caso, e remetido à prefeita para ser sancionado e colocado em prática, com seu devido orçamento.
Será que o anúncio foi apenas um alarme falso para acalmar a inquietação e o ânimos dos coletivos e dos movimentos quanto a questão de como a cultura passou a ser abandonada pela atual administração?
Por que este silêncio com relação ao Plano e a outros problemas, como a não abertura dos equipamentos culturais Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha há anos fechados? Desistimos de lutar pela revitalização da cultura?
Entendo ser de suma importância o Plano Municipal de Cultura porque é ele que vai nortear a política cultural de Conquista através da fixação por lei de um calendário de eventos, como festivais de música, teatro, dança, salões de artes plásticas, feiras literárias, e não apenas o São João e o Natal.
Quando assumi a presidência do Conselho Municipal de Cultura, de 2021/23, coloquei o Plano como principal pauta de trabalho e disse que seria um grande legado do mandato da prefeita Sheila Lemos, mas ocorreram vários obstáculos para sua conclusão. Sem a boa vontade do executivo, o Conselho sozinho não tem força para implantar o Plano.
Esta questão do Plano tem uma longa história e virou uma novela do fim do mundo. Uma cidade da expressão e do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia, com cerca de 400 mil habitantes, já deveria ter seu Plano Municipal de Cultura.
Infelizmente, muitos artistas não têm a dimensão do que seja esse Plano para a categoria, para os segmentos da sociedade, para a economia e o desenvolvimento do município e para sua população em geral.