– Noite passada eu tive um pesadelo horrível que acordei todo suado e até gritei de susto. Quem não já falou isso para um companheiro, companheira ou amigo. “Acho que comi demais e fui deitar de barriga cheia”
Não estou a falar de sonhos acordados, aqueles seus planos e projetos que em vida você pretende realizar (metas de virada de ano), mas dos sonhos do sono, muitos dos quais pesadelos angustiantes, que só se entra na real quando se abre os olhos.
Demora segundos recobrar os sentidos, mas bate aquele alívio. Tem pesadelos, que de tão pesados, o indivíduo cai da cama. O problema é dormir novamente e o pesadelo inventar de dar continuidade ao seu enredo macabro!
Sobre os sonhos fora do sono, dizem que nada é impossível, só que não acredito muito nisso, e tenho minhas ressalvas, mesmo com muita luta e persistência. Tem coisas do dom que não adianta ficar sonhando, como o cara ter a voz desafinada e querer ser um grande cantor, ou “perna de pau” no futebol tentar ser craque. Melhor partir para outra e não ficar perdendo tempo.
Ultimamente ando tendo muitos pesadelos angustiantes à noite, não sei se é decorrente da idade, de traumas presentes e do passado, dessa porca política brasileira com sua polaridade idiota, da epidemia de corrupção, dos noticiários de terror, dos temporais climáticos ou das atrapalhadas do mentiroso Trump.
Nem é preciso assistir mais filmes de terror para ter pesadelos. A ficção se tornou realidade. O negócio é sério, meu camarada! Estamos tendo pesadelos sem dormir, caso da violência urbana. Os pesadelos dos homens das cavernas deveriam ser as feras.
Por falar em sonhos e pesadelos, como não lembrar de José do Egito, o interpretador deles que até caiu nas graças do faraó. Numa noite, o imperador sonhou com sete vacas magras e sete gordas. Chamaram José, que estava injustamente preso, e ele disse representar anos de seca e sofrimento e os outros de fartura. Acertou e ficou numa boa com o faraó.
O rei, então, planejou armazenar mantimentos em abundância para atravessar os períodos difíceis. As “bruxas”, rezadeiras (os), médiuns e sensitivos possuem os dons das interpretações. Nas civilizações antigas, os reis e rainhas chamavam essa gente para fazer as interpretações. Geralmente acertavam. Quando erravam, às vezes, a punição era a morte.
No Brasil, temos os sonhos dos jogos do bicho, com 25 animais. Trata-se de uma relação cultural e histórica popular, baseada em símbolos. Os sonhos, então, são convertidos em números. Às vezes dá certo. Sonhar com esgoto cheio de ratos dá o quê?
– Hoje vou fazer uma fezinha porque à noite sonhei com lobo e só pode dar cobra, grupo dos 9, com dezenas 33,34,35 e 36 – diz o jogador para o apontador, ou bicheiro, que sabe de tudo. Alô meu companheiro Zé Silva que sabe de tudo!
Dizem que sonhar com morte/enterro dá vaca ou jacaré. O porco é do grupo 18, com as dezenas 69, 70, 71 e 72. Abacate e frutas vai de camelo ou macaco. Sonhar com canivetes ou alianças vai de avestruz. Algodão ou feijão arrisca no número da águia. Sonhar com tio pode dar leão. Os donos de bancas recomendam não jogar no bicho que sonhou.
Fora do bicho, existem as premunições de pessoas que sonham com outro, amigo ou parente, onde preveem acontecimentos até fatais em casos de viagens, acidentes no trânsito e em outras atividades. Chamam a estes de paranormais ou coisa semelhante.
Existem sonhos do prazer, os eróticos e os que dão felicidade, como sonhar com um grande amor do passado ou do presente. Ocorrem aqueles onde o parceiro aparece lhe traindo. No outro dia, o sonhador (a) olha o outro atravessado, com desconfiança.
Tem os sonhos com entes queridos que se foram, em razão da intensa saudade que ficou em vida no consciente ou subconsciente. O sono faz despertar as boas lembranças, mas isso tudo só Freud explica.
Por muito tempo sonhei voando numa vasta planície e em morros e montes, desviando dos obstáculos. Os interpretadores falam que é símbolo de liberdade, independência, crescimento pessoal e superação das limitações. Tem-se a sensação de se estar no controle, elevando-se, conforme o “Livro dos Sonhos”.
Pior são as noites de pesadelos, dos sonhos confusos onde aparecem monstros e a pessoa se arrasta em lamaçais tentando se livrar e sair dos escombros. Existem aqueles angustiantes e tormentosos onde o dono do sonho se sente perdido em algum lugar, numa rua qualquer e faz aquele esforço danado para chegar ao seu ponto.
Os soldados de guerra acordam em desespero, aflitos em meio a bombas, no fogo cruzado ou matando inimigos. Às vezes sonho na labuta jornalística de uma redação onde não consigo fechar uma matéria e bate aquela angústia de frustração.
Pesadelos são sonhos intensos e perturbadores, associados a emoções como medo e ansiedades. É uma resposta do cérebro para processar estresse e traumas. Para os entendidos no assunto, decorrem após refeições pesadas, agindo como mecanismo para liberar tensões emocionais acumuladas durante o dia.
Até acho que as pessoas nos tempos atuais das correrias da vida têm mais pesadelos à noite do que antigamente. Estão relacionados a conflitos emocionais não resolvidos. Esses tipos de sonhos são assustadores. Para estudiosos, a apneia do sono, que interrompe a respiração, pode fazer o cérebro criar sonhos medonhos para forçar o despertar.